tantos outros personagens para escolher
enquanto não publico a newsletter já obviamente atrasada, deixo com vocês (e principalmente aos amigos e amigas escritores) um artigo longo e interessante pra pensar um pouco em nosso terrível ofício (enquanto vou lendo On Writing, do Stephen King, que tenta me empurrar num estado de ânimos contrários ao da leitura deste artigo).
Between advertising and the novel, the lines of influence are blurry because the new marketplace was blending the forms together, forcing them to change their practices to survive. Every advertiser was a novelist, every novelist, at least for a sentence, an advertiser. Or, as a critic for Life in 1913 describes the work of one first sentence, a street “barker.” (…)
As Marchand writes, America was now for the first time a majority urban population. For the first time in human history, the majority of people the average person encountered in a given day were strangers. Others had no inner lives; they were just the external characteristics visible during a first impression. For advertisers, this meant cajoling people about every detail of their appearance, littering advertisements with scrutinizing eyeballs. And there’s something of this too for the novel-reading public. Adrift in what the era’s writers continually described as a “flood” of fiction, there was no time to create a character ab ovo; he or she must come fully formed, must offer quick and memorable impressions. There are so many other characters to choose from.
» In Search of the Novel First Sentence | Electric Literature
todos os dias
o mesmo cenário urbano pela janela todos os dias. imutável e cinzento como são os cenários urbanos. a poeira dos automóveis. a fuligem acumulada nas calçadas, na rua; restos de civilização esquecidos entre os paralelepípedos: guimbas de cigarro, chiclete e embalagens plásticas coloricas.
o mesmo cenário às vezes um pouco mais sujo do que no dia anterior.
o mesmo sapo atropelado no calçamento, cada dia mais cinza, cada dia mais rua, cada dia menos sapo.
o urbano como um pintor inexperiente que voraz mistura cores até que reste apenas um mesmo marrom acinzentado e inexpressivo.
o cenário que por alguns instantes quase esquecido quando no final do dia as nuvens se colorem com a luz rosada do entardecer.
mas outra vez enfim a mesma moldura, as mesmas cores, os mesmos ângulos.
que terrível.
das pausas
sempre me surpreendo com essas pessoas capazes de parar no caminho de volta à casa e apreciar o pôr do sol depois de dez horas de trabalho dentro do escritório.



















