olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

aventuras em la rioja, parte 2: laguna brava

todos diziam que tem que conhecer Laguna Brava. eu estava achando muito divertido que a laguna fica a mais de quatro mil metros de altitude e, enfim, quem sabe a gente via neve. o guia Mariano, também dono do hostel Refúgio del Condor, onde nos hospedamos, já tinha dito que no dia anterior tinha nevado e a chance de neve era grande. oba oba.

nos metemos numa travessia de 4×4 que já vinha sendo programada há meses. saiu um pouco mais caro do que a excursão normal mas a travessia se metia por outros caminhos pela cordilheira.

nove caminhonetas, cinco motos e umas dezenas de homens crescidos e não tanto, mais eu, Andressa e um senhor portenho muito formal que de turistas se meteram na brincadeira. saímos mei atrasados e tocamos pela estrada, com duas paradas em povoados vizinhos pra juntar mais caminhonetas, fazer lanchinho, conversar com político e fazer doações pra uma igrejinha. buena.

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o percurso da “ida” foi: travessia por um rio seco (interminável, mil pedras, mil buracos, o guia mesmo dizia que não aguentava mais lugar chato dos infernos), quebrada del yeso (onde aquele monte de marmanjo se divertiu horrores fazendo 4×4, ou seja, se metendo em lugares estreitos ou íngremes ou impossíveis com aquele jeepão enorme), um tanto de estrada asfaltada e enfim a subida pela cordilheira rumo à Laguna Brava.

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já no começo quando descemos do carro antes de começar a subida vinham caindo uns floquinhos de neve que deixavam pontinhos brancos na roupa, um frio gelado e um vento furioso. pela subida tudo um chão marrom de pedras e terra e uns pontos mais claros que era onde o caminho tinha congelado. adiante a gente via uma nuvem branca que era viento blanco ou, mais diretamente, uma tormenta de neve. o guia estava feliz da vida que a gente ia ter neve e céu azul e qué hermoso! dizia, quase saltitando no assento do motorista.

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fizemos uma última parada antes do topo e eu desci pra ver a vista, e tinha um vento de milhões de quilômetros por ora e era difícil ficar em pé. tirei ali a selfie mais difícil do universo.

selfie mais difícil do universo

selfie mais difícil do universo

mas aí que a tormenta foi se aproximando e nos metemos bem no meio dela, e o guia parou um pouco de ficar se empolgando pra dar instruções pelo rádio, enquanto os outros perguntavam se a gente ia voltar pelo mesmo caminho, se faltava muito, quem tinha sido o último carro a ver a cherokee verde etc. no começo ainda dava pra ver a neve se acumulando na lateral do caminho, mas chegou um momento que não dava pra ver absolutamente nada.

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mais ou menos pelo topo o guia dizia que ali à esquerda estava a laguna, mas nada, só um branco infinito. comecei a decepcionar.

o céu azul surgiria tímido, por trás da ventania de branco, e de repente a tormenta tinha ficado pra trás. à esquerda, sim, a Laguna Brava. o céu azul, o sol, e atrás aquele branco furioso que seguia adiante com seus propósitos vingativos. o chão branquinho de neve.

saindo da tormenta

saindo da tormenta

neve!

neve!

olivia no limite da tormenta

olivia no limite da tormenta

a laguna ao fundo céu azul e sem tormenta

a laguna ao fundo céu azul e sem tormenta

claro que eu desci e fiquei feito criança feliz pisando a neve, metendo a mão na neve e congelando os dedinhos apesar das luvas. depois quando voltei pro carro senti a falta de fôlego da altitude. ops ops. era muita alegria pra pouco oxigênio.

a descida foi tranquila com paisagens monumentais, e vicuñas, guanacos, frio e vento. as caminhonetas começaram a dar problema de pneu murchando, freio estourando etc etc; as motos dando problemas de motorista cansado (as motos obviamente não se meteram na tormenta, fizeram uma volta e nos esperaram na estrada adiante). descemos por uma estrada que ainda estão construindo com direito a mil paradas. quando alcançamos a rodovia o sol já ia embora.

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o guia acabaria ficando por último pra acompanhar as motos que iam devagar, porque os rapazes quase esgotados e problemas de motor e porque era na caminhoneta dele que ia o combustível extra. chegamos noutro povoado vizinho de Villa Unión pra uma janta com a turma com direito aos tios tocando e cantando música folclórica juanina, tucumana e riojana, e daí ao hostel era já quase meia-noite. restava capotar na cama.

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