olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

chegada em Lençóis

o ônibus de Petrolina atrasou duas horas: saímos da rodoviária era duas da manhã. o ônibus vinha de Fortaleza e seguiria até Goiânia, passando por Brasília. nosso destino era a cidade de Seabra.

mas nessa de atraso a previsão do motorista era chegar em Seabra por volta de meio-dia. o ônibus que sai de lá para Lençóis sai 11h45. depois disso só à noite. claro que chegamos em Seabra exatamente às 11h45. o problema era que a droga do ônibus da Guanabara, em que estávamos, não parava na rodoviária, e sim num restaurante sem vergonha a uns 400 m de distância da rodoviária. aí brigar com motorista até ele achar as mochilas que tinham sido postas num dos bagageiros e depois estavam no outro, um taxista que queria cobrar dez reais para cruzar a rodovia e andar uma quadra, vestir mochila e já passava do horário mas bora 15 quilos (eu, o Fabio tinha mais) nas costas atravessar a pista (pistinha) e subir na direção indicada.

foi dobrar a esquina onde uma mulher apontou que ficava a rodoviária e já vinha um ônibus enorme e azul da Rápido Federal pela rua estreita. o destino era Salvador, saída 11h45 de Seabra. fiz sinal (na verdade levantei os braços e fiz a louca) e o motorista parou. sim, ele parava em Lençóis, era nosso ônibus. “a gente pode subir?” “entra aí e depois no ponto ali na frente eu guardo as mochilas no bagageiro”. ufas. subimos e ainda ficamos com os bancos da frente. logo uns cem metros adiante ele parou num ponto e o motorista guardou nossas mochilas.

o motorista se chamava Gonçalves, mas obviamente era Sgt. Peppers disfarçado.

o motorista se chamava Gonçalves, mas obviamente era Sgt. Peppers disfarçado.

ufas ufas. dali a Lençóis foi rapidinho. a paisagem mudando a cada cem metros; a caatinga ficando cada vez mais verdinha, cada vez mais um riacho passando ao lado da pista, cada vez menos caatinga em setembro. foi o ônibus entrar à direita na estrada para Lençóis que o cenário mudou de vez. as árvores mais altas e mais verdes, muito mato, riachos. vai dando quase um alívio (quase porque afinal a caatinga continha onde estava, toda seca). nuns pontos já dava para ver os paredões, o morro do Pai Inácio, o Morrão.

chegamos por volta de uma hora. Lençóis é uma cidadezinha muito simpática (ainda não deu para tirar fotos) e o que matou foi caminhar de volta para a entrada da cidade com peso nas costas, debaixo do sol (que depois do Piauí parecia um solzinho bem simpático também), até alcançar a casa da nossa anfitriã de couchsurfing.

(o ônibus ainda passou por nós para sair da cidade e o motorista deu uma buzinadinha.)

preparamos um almoço e conversamos para depois descansar da correria. daqui a pouco vamos passear um pouco pela cidade. até domingo acontece aqui o Festival de Arte e Cultura Popular de Lençóis, então tem alguns eventos gratuitos acontecendo lá pelo centro. aí começar a caçar um grupo para fazer as trilhas com a gente.

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