olivia maia - escritora desterrada. meio artista.

da minha incapacidade de se compreender a lógica de torcer contra si próprio

me parece sintomático essa revolta de uma grande parte da torcida são-paulina, que de repente se volta contra o time indignada com a saída do Muricy. assim como também poderia ser sintomática a reação de boa parte da torcida palmeirense que vaia o Keirrison e o Luxemburgo durante os jogos. ou ainda os brasileiros — e falo daqueles que gostam de futebol — que torcem ‘contra’ a seleção brasileira, porque o Dunga é retranqueiro ou o escambau, e começam a gritar ‘olé’ quando o outro time pega na bola.

por qualquer motivo me lembrei desses estudantes da usp que torcem contra a própria universidade, e acha que só mesmo a pm pra botar ordem nessa baderna e esse povo não quer trabalhar. dessa gente que diz que ‘político é tudo igual’ e fica indignado com a fila do açougue e do banco, e comenta com a pessoa do lado ‘ai, é por isso que esse país não anda, não é?’

aí penso na torcida do corinthians — e veja bem, eu sou muito palmeirense e muito verde — com aquele ‘eu nunca vou te abandonar’ e que torce até o último momento da segunda divisão, e comemora empate contra o palmeiras, e acredita, e faz a sua parte, que é ficar gritando e incentivando, porque é afinal o que cabe a eles fazer.

um momento e tentar então compreender a diferença mais básica e superficial entre, digamos, corintianos e são-paulinos, estudantes da fflch e estudantes da fea, no que cabe à generalização mais comum e óbvia e clichê, e me parece que há algo a ser notado, algo a ser pensado, uma conclusão a ser encontrada.

ou não?

gosta do que eu escrevo?

receba novidades por e-mail: assine a newsletter.

colabore com meu trabalho: compre meus livros ou faça uma contribuição única ou mensal.