olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

de volta à cidade: la serena

chegar às seis e meia da madrugada na rodoviária de La Serena e deparar uma cidade grande, com rua asfaltada e semáforo, carros, casas de tijolo e cimento e muitos chilenos hipsters, porque os chilenos são todos hipsters e obviamente mais hipster ainda na cidade.

de volta à cidade. eu diria cidade grande mas é mentira; de qualquer forma La Serena está ligada a Coquimbo, que é outra cidade com cara de cidade, ainda que seja uma cidade com cara de cidade de praia porque, enfim, é tudo praia por aqui.

o hostel da HI estava lotado e tocamos a campainha no hostel ao lado. feliz surpresa: era muito mais barato (6500 pesos chilenos que seria tipo 30 reais) e tinha umas camas mui simpáticas no quarto compartilhado, além de café-da-manhã e wifi e cozinha e todas essas coisas que deixa mochileiro feliz. o dono era um tipo mei sinistro mas sorridente (por isso talvez sinistro) com uma carequinha e um mini rabo de cavalo e óculos redondos pendurados no pescoço.

a manhã foi meio inútil e bem à toa usando internet e dormindo ou fazendo as duas coisas ao mesmo tempo, como convém. quando saímos enfim pra dar uma volta era tipo uma da tarde e aí topamos com o centro da cidade, movimentado, cheio de lojas, cheio de restaurantes, cheio de igrejas de paredes de pedra. umas construções antigas com pinta de colonial e umas ruas pra carros com pinta de passarela de pedestre.

almoçamos em La Recova (um balcão velho cheio de pequenos comércios) porque zero vontade de mercado e cozinhar àquela altura da história. comer em restaurante no Chile na verdade não é nada barato (pelo menos por esses lados do norte, segundo dizem), mas uma vez não mata.

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a praia fica um tanto longe do centro e parecia que não ia chegar nunca. pela avenida Francisco Aguirre se alcança o farol monumental, uma construção com cara de castelo cuja base está toda maltratada pela maré.

aí lagartear um pouco, porque né.

do mar vem um vento gelado que disfarça o sol forte. também não é que fazia calor; uns 20 graus se tanto. ainda assim tinha a turma ali tomando sol de roupa de banho, e aproveitei que deitada não se sentia muito o vento pra ver se eu conseguia tirar um pouco minha máscara de guaxinim reversa que me deixaram os óculos. em um momento chegou um enorme grupo de evangélicos que talvez nunca haviam visto o mar, porque era uma alegria do tamanho do universo pôr os pés na água e tirar fotos e saltar. fiquei pensando na primeira vez que brinquei com neve e simpatizei.

a verdade é que estamos muito vagos e o fato de tudo parecer mais caro por aqui nos deixa ainda mais vagos.

pelo menos tomamos vergonha na cara pra comprar umas coisas no mercado e fazer o jantar.

segundo dia ficamos mais à toa ainda porque é cidade e é domingo e assim se faz na cidade nos domingos.

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sendo vagos.

depois do almoço nos atrevemos a sair e dar uma volta com a câmera fotográfica. aqui em La Serena parece que o clima típico é nublado toda a manhã e depois do meio dia começa a abrir e depois das cinco começa a fechar de novo. todos os dias. então ok ficar bundando de manhã e sair pra caminhar quando sai o sol. até porque em qualquer lugar sopra um ventinho frio (gelado) e o sol não serve pra esquentar demais.

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