olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

descanso em fiambalá

depois de tanta altitude e vulcões eu estava pensando em descansar um pouco e o mal foi não ter internet no hostel porque significava ter que buscar sinal em outras partes pra poder atualizar blog etc.

Fiambalá tem dunas e deserto e termas e vento com muita areia. no dia em que cheguei era um vento de te levar embora e encher o mundo de areia.

primeiro dia conheci o Fernando que está numa de começar viagem de muitos meses, e me juntei a ele pra comer alguma coisa no restaurante em frente (esse tipo de amizade de mochileiro que a gente conversa um monte e no fim do dia lembra de perguntar o nome).

(em um momento talvez na terça-feira disse a ele que vamos a Chile? e ele topou, e começamos a sondar as possibilidades de transporte.)

no dia seguinte empreendemos uma epopeia pra descobrir a melhor maneira de chegar às termas.

conseguimos carona com o rapaz que tem a concessão do restaurante das termas e por isso acabamos nem pagando a entrada (de 30 pesos) já que na portaria liberaram a passagem sem nem olhar dentro do carro.

as termas ficam na encosta de umas montanhas rochosas de muitas pontas, depois de uma subida gigante, metidas numa quebrada. são piscinas naturais em níveis; as de cima têm a água mais quente, e a água vai esfriando conforme vai passando pras piscinas de baixo. de uns 48 a 30 graus, mais ou menos. nos metemos numa de uns 40 e tantos. diz que pode ficar no máximo 15 minutos, mas a verdade é que depois de um tempo não dá vontade de sair nunca mais.

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depois de um sanduíche nos metemos numa trilha pela montanha até um mirante de onde se podia ver Fiambalá, o deserto, as montanhas, um vulcão mais ou menos nevado na distância. o Fernando se meteu por um alambrado pra ver uma mina de jade e eu fiquei aproveitando um sinal inconstante de internet pra discutir os planos de natal com minha mãe no whatsapp.

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o resto do dia foi ficar à toa, que era mais ou menos o plano mesmo. nos metemos numas outras piscinas, tomamos mate com uma moça de Buenos Aires e um rapaz de Córdoba, tive altos papos literários com a mãe da moça que era professora de literatura e conhecia o Ricardo Piglia. quando resolvemos ir descendo, caminhando, imaginamos que nos levaria algo de tempo até que alguém passasse e nos desse carona, mas não tínhamos nem alcançado a estrada e passou uma van que tinha um espacinho pra nós na parte de trás.

chegamos no povoado rapidinho e matamos tempo com o wifi da praça.

outra que na quarta-feira foi o dia da duna: pela manhã andamos até uma duna grande no começo do caminho pras termas e nos enchemos de areia.

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passamos uma tarde bem à toa e à noite aproveitamos a lua cheia pra voltar à duna, dessa vez levando umas pranchas de sandboard que o rapaz do hostel nos emprestou. com a lua se via tudo, a areia estava quentinha e fora que me ralei um tanto numa pedra insuspeita, foi mui divertido. voltamos com a alma cheia de areia.

estávamos esperando a resposta de um sujeito que trabalha no escritório de seguridad turística e que tinha um amigo que ia ao paso de San Francisco (que liga Argentina e Chile) etc etc. ele disse que no sábado talvez ia um colega levar umas coisas aos tipos responsáveis pelo refúgio da vialidad nacional, usado pelos montanhistas como base pra escalar os vulcões e montanhas ao redor.

enquanto esperávamos, na quinta-feira, tomamos um ônibus no rumo de Tinogasta e descemos em um povoadinho chamado El Puesto pra visitar parte da ruta del adobe. muitas igrejinhas de mil setecentos e bolinha preservadas na construção original com paredes de quase um metro de largura interna. no povoadinho ainda todas as construções de adobe. fazia um sol de matar e caçamos um rio atrás das casas e nos metemos na correnteza antes de voltar e seguir pela estrada até outra igrejinha de adobe no meio do nada, onde matamos um tempo enquanto o Fernando se divertia com o zoom da minha câmera tirando fotos de pássaros.

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na estrada conseguimos carona de volta a Fiambalá e não precisamos esperar o ônibus.

e na sexta-feira dia passamos a tarde no restaurante da hostería usando a internet, e eu pude atualizar o blog e programar posts e álbuns de fotos finalmente pra poder ficar ainda mais tempo sem internet e não me sentir (muito) culpada. porque entre travessias e dunas a gente precisa ficar uns dias sem fazer nada, processar o acontecido.

nosso transporte ao paso de San Francisco se confirmou e tínhamos que estar prontos às 5h30 da madrugada no sábado.

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