olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

le hasard (em que eu me meto em mais uma travessia de 4×4)

eram três mulheres que apareceram pra falar com o Adrian quando eu estava ali sentada com ele olhando a tarde e escutando o vento. a mais eloquente delas veio com uma mistura de francês, português, italiano e espanhol e no final das contas falou em inglês e eu traduzi. queriam avisar que às sete viriam com um grupo de umas vinte pessoas pra comer umas empanadas e tomar umas cervejas no restaurante do Adrian.

mais tarde me chamam enquanto estou escrevendo no quarto e era outra do grupo que não conseguia se comunicar com a senhora e já vinham pras empanadas etc. fiz mais uma vez o trabalho de intérprete e fiquei sentada ali fora na frente do restaurante olhando a praça, num lugarzinho que ainda batia o sol do fim do dia. a moça com quem eu tinha conversado primeiro apareceu depois de passarem outros do grupo, e parou pra falar comigo naquele inglês macarrônico de boa vontade enquanto terminava o cigarro.

e nessa de falar de excursão e vulcão e salar ela comenta que no dia seguinte iam fazer uma travessia nos arredores de Antofagasta, em 4×4, e voltam, e tem lugar na caminhoneta dela, se eu quiser. quase dei um salto e sim, claro, claro, fácil. bah!

me juntei a eles no restaurante e tomei dois copos de cerveja enquanto não entendia nada do que diziam; Christine, a que me convidou, explicou que eram um grupo que trabalhavam em cidades diferentes mas numa mesma empresa, e mais alguns amigos (incluindo três suíços que tinham conhecido na Argentina em alguma outra viagem). alugaram as caminhonetas no norte do Chile e partiram de lá. vinham de San Antonio de los Cobres e dali dois dias iam a Fiambalá (só os caminhos mais impossíveis).

paf.

así que: me meti mais uma vez nessa de travessia de 4×4 mas dessa vez de convidada, ou de buena onda, como diria meu amigo Seba (o que conheci em La Rioja companheiro virtual de viagem e de desencontros, porque estamos sempre nos mesmos lugares mas com alguns dias de diferença). antes de voltar ao hostel passei num dos armazéns e bati papo com o rapaz de lá que me contou mais sobre as outras excursões que se podiam fazer por ali.

voltei rindo sozinha.

foi um dia divertido.

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