olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

merlo hostel: amizades de mochileiro

nunca vou me acostumar com isso de chegar num lugar e em uma hora ter feito uma meia dúzia de amigos. é um pouco surreal enfrentar o desconhecido (um novo lugar, uma nova casa) sem saber o que me espera e em tão pouco tempo essa sensação de familiaridade quando você se senta à mesa e parece que conhece aquela gente há meses.

aí vai dizer que não é assim, que não é amigo e sim gente-que-se-conhece. mas deixa falar uma coisa sobre amizade de mochileiro que ouvi de um brasileiro que conheci em Potosí quando viajei à Bolívia em 2011:

amizade de mochileiro é que nem miojo; em três minutos já está pronta.

seria um exagero mas o que faz a verdade é a postura do mochileiro que está na pilha de conhecer gente e, principalmente, que costuma ser um bicho meio solitário e quase sempre gregário. então é como dizia a camiseta do Mariano, dono do Merlo Hostel:

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aproveitei o clima tranquilo e amistoso do hostel pra atualizar um pouco a vida online; no manhã em que Mariano e Diego, um que vivia por ali, me convidaram para conhecer a reserva da quebrada de Villa Elena, Djules o brasileiro que trabalhava no hostel me levou no quadriciclo pra conhecer alguns miradores atrás do povoado de Merlo, aos pés da sierra de los Comechingones.

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eram uns três que moravam no hostel, mais o Djules que morava por perto mas estava o dia todo por lá. também a turma que vai chegando pra passar uns dias: com Alicia fui visitar o famigerado algarrobo abuelo, que é um algarrobo de 1200 anos, gigantesco. tomamos um ônibus até um bairro afastado chamado Piedra Blanca e fizemos um piquenique no riacho que marca o limite entre as províncias de Córdoba e San Luís.

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depois voltamos para caminhar uns quatro quilômetros até o algarrobo.

que é gigantesco.

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quando chegamos disse à Ali que podíamos sair naquele instante e tomar o ônibus que passava em dois minutos ou esperar uma hora pelo próximo. decidimos ficar. mas aí que tem qualquer coisa meio mágica nesses arredores do algarrobo e nunca vi hora passar tão rápido. foram 60 minutos em 15.

mais tarde nesse dia chegou Lisa, a alemã, e assim como eu em meia hora já era parte do grupo e estava apaixonada pelo lugar com vontade de ficar pra sempre. melhor companhia pra ficar à toa no hostel lendo ou escrevendo ou lagarteando na piscina (sim, tinha piscina).

também que quase todos os dias alguém se animava a cozinhar pra todo mundo, no almoço ou no jantar. fica mais barato e a gente come mais (ops). numa dessas o Cris (um sósia do Nicolas Cage) fez compras pra janta e enquanto íamos preparando percebemos que ali tinha janta pra dois dias e melhor deixar a lasanha pra amanhã etc.

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meu amigo Nicolas Cage (e vinho).

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“funciona esse trem?”

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não tem ninguém normal nessa parada.

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super macarrão ao forno com queijo e almôndegas.

aí claro que fiquei mais tempo do que o plano inicial. conhecer lugares é muito lindo e tudo, mas lugar lindo tem em todo lado (exceção à puna catamarquenha que é coisa de outro planeta). sempre vai ser incrível essas companhias de dois ou três ou sete dias com quem a gente compartilha a vida e as histórias como se uma amizade de anos.

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