olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

nota mental

calma, olivia, fica tranquila, olivia. vai dar tempo, sempre dá tempo, o tempo nunca te falhou. para um pouco de olhar adiante: pro que está acontecendo do outro lado da rua, pro trânsito no quarteirão da frente, pra semana que vem e tudo o que você ainda não fez e precisa estar feito até quarta-feira. para de olhar pra prova bimestral que só vai acontecer no meio de junho e claro que ainda não está pronta, por que estaria?

não precisa fatiar o tempo feito fosse um bolo de festa com mais convidados do que comida. chega de fatiar o tempo, olivia. as coisas acontecem uma depois da outra, as coisas não são fatias de bolo. será que você não entende? porque o bolo da festa acaba em meia hora e o tempo leva ainda alguns anos. sabe o que são anos, olivia? sabe que não tem problema passar um dia sem fazer nada, que não tem problema ficar acordada até mais tarde, que não tem problema caminhar sem rumo, que isso não significa comer um pedaço grande demais e ficar com fome no dia seguinte.

que metáfora estúpida. de onde você tirou isso?

calma, olivia. pode abrir essa porta que está fechada; ela não está trancada, está vendo? por que alguém trancaria essa porta? o tempo é seu. ela sempre esteve destrancada. não seja tonta.

não é tão difícil.

não pode ser tão difícil. não deveria ser tão difícil.

(repetir dez vezes. espiar pela janela. respirar fundo. recomeçar.)

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