olivia maia - escritora desterrada. meio artista.

o amor é fodido

O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisso. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido.

É melhor do que morrer. Há coisas, como o álcool e os livros, que continuam boas. A morte é mais aborrecida.

Por que é que fodemos o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja pelo menos parcialmente dofido. Tem de haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo.

O amor é fodido
Miguel Esteves Cardoso

já há uns anos que procuro esse livro nos sebos. tinha lido A vida inteira, depois encontrei por aí A causa das coisas, que é reunião de crônicas. segunda-feira encontrei, enquanto procurava Cortázar, perdido na desorganização de um desses sebos-caos. é a edição brasileira, idêntica à edição da Assírio & Alvim, mas com o logo da Franciso Alves. dez reais. depois entrei em outro sebo e topei com a edição da Assírio & Alvim metida por sobre os livros na seção de literatura brasileira. catorze reais. buena. se fosse esse o livro que eu estava procurando, e não Cortázar, certo que não tinha achado nada.

Miguel Esteves Cardoso está entre meus portugueses preferidos, junto do Herberto Helder (gênio) e do Lobo Antunes (monstro). tirando certas aberrações que a literatura portuguese produz muito de vez em quando (e quem me conhece sabe bem do que estou falando), gosto demais dos autores portugueses. dessa crueza de estilo que saiu do neo-realismo português. mui mui bom. recomendo. se correr ainda vai estar ali a edição portuguesa metida na seção de literatura brasileira daquele sebo da Pedroso de Moraes. é aquele no lado da rua da Fnac, o mais perto dela. catorze reais. se chorar tem sempre um descontinho.

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