olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

onde me canso de enterrar gatos este ano

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Mancha, gato babão, que levou dias pra descer a escada depois da mudança, porque tinha medo da escada. que ontem pela manhã veio comer na varanda. que passou semanas chorando porque todos os gatos conseguiam escalar a cerca e ir passear no terreno do vizinho, menos ele. que aprendeu a sair, mas demorou outra semana pra aprender a voltar. que vinha miando quando eu chamava Faísca à noite, pensando que era com ele. que ficou três dias sem olhar na nossa cara depois de uma tentativa (frustrada) de aplicar nele um antipulgas. que me arranhou todo o braço duas semanas atrás quando fui tentar tirar ele de cima das cenouras na horta. que tinha medo de tudo e todos, mas ficava miando no meu caminho pelo quintal quando queria comida ou cafuné.

que seja essa a consequência de muitos gatos, de dar comida e carinho ou mesmo só comida porque gatos às vezes são assim mesmo. de cuidar desses bichinhos que a gente não pode prender dentro de casa e pra quem não se pode dizer o que fazer, pra onde ir.

seria talvez mais fácil desistir, fechar a porta e ninguém mais entre aqui miando com fome. mas que essa tristeza seja consequência de toda a alegria que esses gatos me trazem, só de olhar pra eles. que vou fazer? desistir dessa alegria?

Mancha (embaixo) e Fred.


publicado também no Medium.

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