olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

Ouro Preto: uma cidade improvável

Ouro Preto é uma cidade improvável. só mesmo muita ganância para fazer surgir uma vila entre tanto morro, tão íngremes, que foi também o que aconteceu em boa parte das cidades e vilas mais antigas da Chapada Diamantina.

as ruas são todas irregulares, inclinadas para cima, para o lado, os paralelepípedos escorregadios assentados em ondulações impossíveis. um passo em falso e a gente rola morro abaixo. na melhor das hipóteses, escadas quase regulares. quase. todo lado que se olha uma torre de igreja.

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tento imaginar a cidade nos séculos XVIII, XIX. as construções não mudaram muita coisa. mas o barulho, os carros, enfim meus próprios passos e o peso da mochila me puxam de volta à realidade do presente antes mesmo que eu consiga me lembrar da descrição que um professor de literatura brasileira uma vez fez de Tomás Antônio Gonzaga.

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olho para o chão e uma bituca de cigarro, uma embalagem de bala, um recibo de cartão de crédito. parece impossível acreditar que tanto tempo atrás o céu fosse aquele mesmo céu, o calçamento das ruas; imaginar aquele muro velho e manchado quando havia acabado de ser construído.

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nas imagens e fotos da exposição na estação ferroviária a cidade parece não ter mudado absolutamente nada.

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para inveja dos amigos cariocas e paulistas, digo que está fresco, que à noite e pela manhã faz um friozinho, que durante o dia a temperatura vai aos 28, 29 graus (no máximo 30, e quem diria que isso poderia ser algo de que se gabar). o que mata são as ladeiras.

cheguei ontem pela manhã, depois de uma viagem de muitas curvas e muitos dramins. estou no Buena Vista Hostel, que também fica no meio de um morro, mas o pessoal aqui é simpático, tem wifi, o preço é camarada e é pertinho da praça Tiradentes. que mais precisa?

caminhei um pouco, dormi um pouco, li um pouco. inesperado foi encontrar o Kevin Johansen, gênio, filmando um clipe novo na frente da igreja Nossa Senhora do Carmo. quase não consegui me manter de pé quando fui falar com ele.

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enfim. alguém esqueceu do meu inferno astral. talvez tenha sido eu.

hoje caminhei mais um pouco e fui até a estação rodoviária, de onde agora sai um trem turístico até Mariana. amanhã vou passar o dia por lá.

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