olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

sertão tucumano: amaicha del valle

chegar e já nos esperava na saída do ônibus um rapaz do hostel (porque a moça do hostel em Tafí já tinha ligado e organizado tudo) mui simpático desses fugitivos da cidade grande. caminhamos no escuro por ruas de terra até encontrar num cantinho o hostel Pacha Cuty. nos esperava o quarto e o jantar.

de noite o lugar já parecia genial, o céu todo estrelado e as poucas luzes do povoado, o silêncio, o clima mais quentinho do que em Tafí. de manhã, no dia seguinte, melhor ainda. lugarzinho tranquilo, gente amável. saímos de manhã pra procurar Sebastian Pastrana, um dos guias mais conhecidos da região, filho de um ex-cacique (o povoado é comunidade indígena). com ele marcamos o trekking no deserto Tiu Punku para a tarde; o trekking começava pelas quatro e terminava à noite, que era pra ver o céu estrelado no deserto e também pra não pegar demais o sol do meio-dia.

porque puf: o sol do meio dia. Pastrana nos indicou uns caminhos pra conhecer o povoado (são 5 mil habitantes) e fomos nos metendo por aí. passamos pela virgem esculpida num tronco inteiro por um alemão uns anos atrás e tomamos mate com bolachinhas ali ao lado.

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depois caminhar; cruzar o rio seco, subir morro; caminhar caminhar. o lugar todo muito seco com uma pinta de sertão: o mesmo tipo de cenário, o mesmo tipo de construções. mudam é os tipos de cacto e a cara das pessoas. e que ao fundo as montanhas de mais de 3 mil metros de altitude (o vale é parte dos valles Calchaquíes, tudo terra de comunidade indígena na província de Tucumán) em vez de praia, por exemplo.

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encontramos também o casal de franceses da bicicleta, que estavam comprando frutas e seguiam pra Cafayate.

aí no almoço provei a humita, uma comida típica do norte argentino, e que, convenhamos, é um tipo de pamonha. também tomamos uma cerveja, eu e Federico (ia custar a encontrar outro parceiro de cerveja em minhas andanças pelo norte).

que alegria um pouco de calor depois do frio de Tafí del Valle. e o clima seco seco. por ali falam de microclima e o clima seco como uma coisa boa pra doenças respiratórias e eu que fico na verdade respiro muito pior com o clima seco fico sem entender nada. parece que clima assim é bom pra quem tem artrose e esse tipo de coisa (tipo eu, vai vendo). sei que parece milagre quem consegue fazer crescer qualquer tipo de coisa em uma horta por ali. e sim conseguem. você vai caminhando pelo povoado e topa com um lotezinho inteiro bem verde, destoando das cores pasteis que dominam a paisagem.

enfim enfim. logo era a hora de encontrar o guia Pastrana pra seguir ao deserto.

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