olivia maia - escritora desterrada.

tão doce aniquilamento

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Porque solidão é coisa: massa viscosa que ocupa e cria vazios, vazio maciço e volumoso que se alarga preenchendo feito líquido os espaços mais ocultos e esquecidos do ser. Que é então única maneira de se manter são preencher esses espaços com coisa outra por tentativa de se espantar o vazio, então trabalho e futebol e literatura e sair com os amigos e comprar toda a coleção de filmes do diretor favorito em edição especial com comentários e cenas cortadas mas nunca a capacidade de espantar de todo o vazio, senão para aqueles poucos que sabem usar a máscara e esquecem que a máscara, que dormem com a máscara e nunca percebem o nó da gravata apertando o pescoço ou se abandonam na loucura sem volta jamais lembrar como soletrar a solidão sequer compreender as palavras no dicionário. Porque não basta preencher com o trabalho e com o futebol e com a literatura e sair com os amigos, porque há aquela hora à noite a cabeça no travesseiro e tudo o que se tem, enfim. Porque para espantar de todo a solidão é necessário ser o trabalho, é necessário ser o futebol e a literatura e o mundo externo perder-se de todo esquecer-se de todo e tão doce aniquilamento.

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