olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

últimos dias de merlo

na quinta-feira dia 18 já era uma semana de Merlo e eu tinha pensado em ficar cinco dias.

a chuva (que vinha de noite com fúria e às vezes nublava um pouco o dia) parecia disposta a dar uma trégua e aí pela metade da manhã o céu estava bem azul e o sol estava bem forte.

Lisa saiu cedo porque tinha que continuar resolvendo as burocracias e fiquei no hostel terminando de ler La resistencia, livrinho do Ernesto Sabato que comprei em sociedade com o Mariano porque estava começando a enlouquecer sem ter nada pra ler desde que quebrou meu kobo.

almoçamos uma tortilla de forno que fez o Mariano e eu fiz a salada.

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mui light o almoço.

depois a tarde foi mais ou menos assim: música, piscina, sol. Lisa tinha voltado de Villa Dolores cansada e com raiva do Western Union da província de San Luís. então ficamos bem à toa o dia inteiro.

na sexta-feira eu e Lisa tomamos um ônibus pra conhecer o dique Piscu Yaco, que fica a dois quilômetros da estrada, passando Villa Elena, também aos pés da serra. descemos na pista e seguimos caminhando pela estradinha de terra até encontrar o dique, que é bem pequerrucho mas mui lindo; com o sol e o céu azul a água estava azulzinha e transparente nas partes mais rasas.

apesar de umas crianças gritonas o lugar estava tranquilo. conseguimos uma sombrinha e ficamos ali lagarteando.

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obviamente Lisa foi a primeira a tomar coragem pra se meter na água.

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sombra porque o sol estava de matar.

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Olivia vivendo perigosamente (mentira que a placa era pra além das pedras).

para a volta fizemos um combo de caronas: uma caminhoneta nos levou até a estrada. de lá um ex-portenho (esses tipos que mandam a cidade à merda e vão viver num povoado de cinco mil habitantes) nos levou até o povoado de Carpinteria, onde ele tinha um açougue. dali na rotatória tínhamos muita concorrência pra pedir carona e fomos caminhando pra ver se alcançávamos um lugar com sombra mais adiante. antes disso Lisa ergueu um dedo meio incerto e um carro parou. duas senhoras mui simpáticas de San Luís que nos levaram até o centro de Merlo.

Lisa comprou pendrive e eu um leitor de microsd porque meu computador anda com preguiça de ler o maldito slot de cartão que ele tem. subimos ao hostel caminhando e de uma vez só nos metemos na piscina porque eram sete da tarde e ainda assim o sol continuava todo pimpão esquentando o mundo.

(depois à noite ia chover gatos e canivetes e ventar e trovejar e me fazer levantar da cama às quatro da manhã pra fechar a janela que além de estar fazendo nhec nhec estava deixando entrar um monte de água.)

paf.

aí eu já tinha decidido que ia a San Luís no sábado. tinha horário às 8h30 (nunca) e 17h30.

senão eu não ia embora nunca.

no sábado um almoço de empanadas e vinho (era um terceiro dia de muito vinho e mais ou menos nesse momento meu fígado disse CHEGA e contra-atacou com uma crise de enxaqueca que me duraria alguns dias) e uma despedida difícil com promessas de reencontro. Lisa me acompanhou até a rodoviária e ficamos por ali batendo papo enquanto o ônibus não chegava.

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