olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

um dia em Barreiras

o ônibus deveria sair de Lençóis às dez da segunda-feira, mas saiu foi depois da meia-noite porque todos os ônibus que saem de Salvador atrasam um mundo. nove horas de viagem até Barreiras. então chegar na manhã de terça-feira e perguntar em todos os guichês para descobrir que não, não tem como ir direto dali para Alto Paraíso, apesar de a cidade estar logo ali passando a divisa. também nenhum jeito de ir dali até outra cidade mais perto e então Alto Paraíso.

resumindo: não teria nenhum jeito inteligente de ir de Barreiras até Alto Paraíso. a não ser que você fosse para Palmas ou Brasília.

Fabio esperando na rodoviária de Lençóis.

Fabio esperando (nerdeando) na rodoviária de Lençóis.

tomamos um táxi para um hotel sugerido por um pessoal da rodoviária de Lençóis, mas aí chegamos lá e achamos melhor procurar outro lugar. voltamos de ônibus no rumo da rodoviária para um outro hotel, mais decente, com wifi e tudo, pelo mesmo preço.

então ir atrás de uma CAIXA e dar com a cara numa fila gigantesca que estava ali desde antes de a agência abrir e não era nem meio dia já estava encerrado o atendimento para quem já não estivesse naquela fila. voltar e pegar o ônibus errado e andar um tanto nesse sol do sertão até o hotel, e o quarto um forno de tomar um banho a cada hora. não tinha muito para fazer em Barreiras não. ao menos não assim em um dia, sem carro, num hotel afastado do centro.

ficamos foi tentando descobrir como chegar em Alto Paraíso, negando para nós mesmos que a única possibilidade seria ir até Brasília. não era possível que a gente ia ter que descer para depois subir. que troço mais estúpido.

pois era. não teve jeito. aí que saía um ônibus ainda à noite, chegaria cedo em Brasília e dava para pegar logo um ônibus para Alto Paraíso. mais uma noite dormida em poltrona apertada, e dessa vez não era nem a fileira da frente. deixamos para trás o hotel e seguimos para a rodoviária outra vez. capoft.

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