olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

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textos esporádicos aqui e no medium.

gato ajustável

não importa a posição em que você esteja sentado ou deitado. o gato sempre vai encontrar uma posição confortável para ficar em cima de você.

julho

Bolas de neve. Fico pensando em bolas de neve, caricaturas de avalanches em desenhos animados e seu uso exagerado em expressão de fala. Sempre preferi a imagem do efeito dominó porque as coisas desabam e tudo se acaba mas de forma tão ordenada e bela.

Fico pensando em bolas de neve porque nunca vi nada do gênero e me pergunto como seria estar presente em uma avalanche.

Não gosto do frio, mas bem que podia nevar. Daria algum propósito a esse exagero de agasalhos e cobertas e café quente. Nem isso.

Em São Paulo o clima é incerto, quatro estações em uma semana. E meus professores de geografia tentando dizer que no sudeste do país só existiam duas estações bem definidas. Nada é muito definido nessa cidade.

Mas o frio. Não gosto. Há uma certa melancolia em rostos pálidos e aquele céu branco de nuvens adormecidas depois que caiu a chuva.

Como se o mundo estivesse pronto para acabar.

[do meu “Que os mortos enterrem“.]

e então escrever

essa necessidade de escrever é uma merda. essa angústia do não-escrever é um troço à toa. e me esmaga a existência não produzir coisa alguma. mas pra que escrever? por que precisar escrever? por que não só ler? tantos livros para se ler. ninguém está interessado em personagens que não dizem nada a ninguém que não o escritor. ninguém se importa. são tantos os livros. tantos.

quem mexeu nos meus reflexos?

dizer que o álcool diminui os reflexos é fácil. multar e tirar a carta de motorista bêbado é muito fácil. quero ver é tirarem a carta da minha avó, que viaja pra Atibaia todo fim de semana, pela Fernão Dias. (bom senso, alguém?)

(ou do velho que entrou na minha rua pela contramão, procurando a Alameda Barros, e entrou num dos prédios de carro e tudo, pela portaria. muito bem sóbrio, por sinal).

mas tem que inventar um sonômetro, pra medir o sono, porque o estado de uns tipos logo cedo às sete horas da manhã também é para se desconfiar.

e nem estou dizendo que o álcool não diminui reflexos e toda aquela ladainha yada yada. certos, devem estar muito certos. mas não tem uns motoristas por aí que já são naturalmente todos desreflexados?

(não há como concordar assim como não há como discordar dessa lei. o problema mesmo é o contexto estúpido em que ela surgiu. ninguém estaria reclamando se tivessem certeza que as coisas nesse país de merda costumam funcionar como manda a lei, ou mesmo que a grana que se paga de multa iria para qualquer lugar mais certo do que o bolso de algum político metido a esperto.)

(a não ser que eu vendesse cerveja. aí eu estaria bem brava.)

ao que poderia existir como verdade

parece certo que o problema de termos como “real” ou “verdade” (e afins) está no próprio termo. que é essa insistência humana em inventar nome para conceitos abstratos ou essencialmente subjetivos, quase sempre inexistentes.