olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

blog

textos esporádicos aqui e no medium.

o que deveria ser sempre o muito óbvio

tudo que é dito em coro por mais de meia dúzia de pessoas é mentira;

o que foi dito em conjunto e concordado por mais de uma pessoa é mentira;

duas cabeças em concordância produzem melhor uma mentira;

duas cabeças em concordância estão mentindo;

etc.

découragez!

you’re an author? me too! pra ler, do NY Times. em inglês (bã). que devemos desencorajar novos escritores, sempre quando possível. sim?

‘Découragez! Découragez!’

não duvido. ninguém jamais conseguiria me desencorajar (se nem mesmo uma faculdade de letras), mas isso talvez não queira dizer nada.

dos medos

na verdade quanto mais convivo com professores e ouço de professores que há muitos anos dão aulas — e veja que estou falando de escolas particulares — mais me parece assustador dedicar a vida a esses projetos-de-gente que são os adolescentes (e as crianças), e deixar-se despedaçar por esse eterno reencontrar-se com o passado, o eterno reinventar-se para ser percebido, e o choque das gerações que passam a viver juntas ao mesmo tempo dentro de você.

mas então, eu…?

desses posts que eu certamente não postaria

não há mais o que de novo se possa fazer com a palavra que se possa fazer sem pretencionismos. não há quem chocar (e pra que chocar?). a palavra perde, aos poucos, seu poder de dizer o oculto e alardear as consciências. não há o que ser descoberto e não há (há?) o que ser inventado. e a palavra…? que força resta à palavra, agora? que malabarismos se fazem? o que se pode dobrar, retorcer, virar do avesso, como última alternativa para conseguir do mundo algum resto de reflexão? por onde se pega um leitor que não se move (comove) ao belo ou ao feio e recebe tudo filtrado pelo que já foi, que achata, comprime, equaliza…?