olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

blog

textos esporádicos aqui e no medium.

o cinismo dos emoji

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porque tão mais fácil responder com um sorriso quando na verdade você está fazendo uma careta de desgosto e na verdade não está com vontade de entrar no mérito da discussão.

ou: não ter o que dizer em resposta a uma mensagem sentimental de parente e devolver um beijinho no coração.

e só posso concluir que emojis foram inventados por um de nós, seres socialmente incompetentes que nunca sabem o que dizer quando alguém diz que vá com deus ou manda lembranças pra tua mãe ou que seu ano seja cheio de luz etc.

vero, ello e mais do mesmo

agora todo mundo está irritado com as bizarrices de algoritmo do instagram e facebook, o que me parece bastante coerente; mas daí a correr pra outro aplicativo tão fechado quanto me parece um pouco tiro no pé.

ah, porque esse tal de vero não tem algoritmo (seja lá o que eles querem dizer com isso) e você é dono do seu material etc. mais ou menos. vá ler a política de privacidade do aplicativo. a ladainha é a mesma. informações são coletadas o tempo todo: além de pedir seu número de telefone, eles coletam informações sobre o que você posta, sobre quem você é e o que você faz na internet. não respeitam pedidos de "do not track". informações são compartilhadas com terceiros e nada impede que a empresa seja vendida, que os planos mudem e que, enfim, eles compartilhem também todas essas informações com quem quer que seja que compre a empresa.

etc etc etc.

o ello, uma mistura de pinterest e instagram pra artistas, por exemplo, já está por aí há mais tempo do que o tal do vero, e tem uma política de privacidade um pouquinho menos cretina. mais ainda é mais do mesmo e, na real, o site é um desastre de usabilidade e o aplicativo pro celular é um pesadelo. é empresa, e por mais que não estejam eles diretamente vendendo seus usuários à empresas de propaganda, ainda assim eles vão coletar informações e, talvez, compartilhar com tudo isso com um possível futuro associado.

não: não é o fim do mundo. facebook e instagram fazem coisas piores, e a gente continua lá. mas também não é nenhuma novidade imperdível.

o que me deixa mei passada é que já existem opções sem algoritmo e livres que realmente não coletam coisa nenhuma. redes sociais em que, aí sim, seu conteúdo é seu. redes sociais que inclusive não te amarram num único servidor, numa única empresa. já imaginou se pra usar e-mail ou ter um blog a gente tivesse que se cadastrar com uma única empresa? pois é. mas a gente não acha estranho quando precisa estar cadastrado numa só empresa pra poder entrar em contato com os amigos e a família ou mesmo pra usar um sistema de microblogging e ficar escrevendo bobagem o dia todo.

opções abertas e livres como diaspora* e friendica, por exemplo, já estão por aí faz tempo. tem também o mastodon, que é como o twitter, mas livre e descentralizado. todos eles funcionam de uma maneira parecida: você escolhe um servidor pra criar uma conta (ou monta o seu próprio servidor), mas pode se conectar com pessoas de qualquer outro servidor. é como com o e-mail: você pode ter uma conta no gmail e mandar mensagem pra alguém que tenha conta no yahoo. nada de estranho nisso.

a questão, logicamente, é que uma REDE SOCIAL só serve se você tem com quem se conectar. por isso a gente continua no facebook e no twitter e no instagram. mas quando um monte de gente começa de repente a dizer que vai migrar pra outro lugar, eu me pergunto por que a gente não pode todo mundo migrar pra uma rede melhor, com mais controle, mais segurança e mais liberdade?

nerdices do momento

minha grande piração do momento é isso aqui, que resume um pouco o tipo de lógica que tem ocupado minha cabeça nas últimas semanas. e de carona também tudo que é privacidade na internet, e essa loucura de entregar a vida pra meia dúzia de empresas cujo objetivo maior é te fazer CLICAR EM PROPAGANDA.

é impressionante o quanto a internet pode se tornar um lugar esquisito quando você começa a prestar atenção nessas coisas. mas também é bem interessante descobrir o mundo online que existe pra além do rastreamento de hábitos e perfis de consumo.

a internet dentro do facebook e do instagram e do twitter é tão pequena.

ano novo, loja nova, primeiros passos do zine e muitos rabiscos

o blog ficou mais esporádico mas sigo firme no instagram, publicando novos rabiscos e fotos de gato (porque sim fotos de gato e inclusive a vida fica muito melhor com fotos de gato). quem não tem instagram pode acompanhar no diário fotográfico do blog, ou no facebook, ou mesmo no twitter.

e tem a newsletter, claro, que se você não assina devia assinar.

mas isso é o de sempre, então vamos ao novo:

o site ganhou uma lojinha online, onde você pode comprar alguns de meus livros diretamente comigo, autografados e, principalmente: RABISCOS. isso significa que estarão à venda prints (mini-posteres, em tamanho A5 ou A4) de ilustrações, e em breve também postais (pra mandar pros amigos distantes ou colecionar). isso também significa que minha produção ganhou mais um incentivo. melhor dizendo: pode ganhar. depende obviamente do interesse de vocês. bora comprar uns presentinhos de ano novo? tudo com precinho camarada porque, na real, não estou fazendo nada disso pra ganhar muitos dinheiros, e sim pra continuar produzindo: pra continuar crescendo como artista, ilustradora, escritora.

(eu nem gosto muito de dinheiro; eu gosto de nanquim, canetinha colorida, livros, gatos e chocolate vagabundo. infelizmente, precisa dinheiro pra tudo isso, e esses gatinhos resgatados da rua criados com leite de vaca vivem ficando doentes.)

enfim: agradeço se puder divulgar a loja!

mais: o zine RABISCOLOGIA segue adiante neste 2018. já foram 2 edições + 1 edição especial enviadas aos assinantes nesse finalzinho de 2017. pra receber as próximas, vai na página do projeto no apoia.se e escolhe uma opção de assinatura: com a partir de 15 reais mensais já tem zine no pacote. se preferir, ainda tem outras opções, sem zine ou com zine, com rabisco digital e rabisco impresso. tem tudo lá explicadinho e qualquer dúvida pode me perguntar.

e estou preparando uma seção de ilustração no site. ainda não tem nada lá. mas né, calma.

também vai ter livro novo na área, ESTE ANO. dessa vez, prometo. estou pensando em fazer uma campanha no catarse pra fazer uma produção bonitona. será que alguém se anima?

um Joaquim matutino de 2018 pra finalizar.

onde me canso de enterrar gatos este ano

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Mancha, gato babão, que levou dias pra descer a escada depois da mudança, porque tinha medo da escada. que ontem pela manhã veio comer na varanda. que passou semanas chorando porque todos os gatos conseguiam escalar a cerca e ir passear no terreno do vizinho, menos ele. que aprendeu a sair, mas demorou outra semana pra aprender a voltar. que vinha miando quando eu chamava Faísca à noite, pensando que era com ele. que ficou três dias sem olhar na nossa cara depois de uma tentativa (frustrada) de aplicar nele um antipulgas. que me arranhou todo o braço duas semanas atrás quando fui tentar tirar ele de cima das cenouras na horta. que tinha medo de tudo e todos, mas ficava miando no meu caminho pelo quintal quando queria comida ou cafuné.

que seja essa a consequência de muitos gatos, de dar comida e carinho ou mesmo só comida porque gatos às vezes são assim mesmo. de cuidar desses bichinhos que a gente não pode prender dentro de casa e pra quem não se pode dizer o que fazer, pra onde ir.

seria talvez mais fácil desistir, fechar a porta e ninguém mais entre aqui miando com fome. mas que essa tristeza seja consequência de toda a alegria que esses gatos me trazem, só de olhar pra eles. que vou fazer? desistir dessa alegria?

Mancha (embaixo) e Fred.