olivia maia - escritora desterrada. meio artista.

suíça

relatos de viagem e anotações diversas sobre o percurso.

verão + neve

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a 3200m de altitude, no Titlis, centro-suíça. quatro graus e acima das nuvens.

também havia muitos indianos e chineses. acho que nunca vi tanta neve, tanto indiano e tanto chinês num só lugar.

interagindo com suíços no centro de escalada

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porque aprender um idioma novo, completamente novo, é um troço terrivelmente divertido e terrivelmente cansativo. sempre palavras novas, construções novas e aprender mais a cada dia e errar mais a cada dia e essa incapacidade de expressar o que você quer dizer sem olhar no dicionário ou ficar meia hora com o olhar perdido montando uma frase na cabeça enquanto a outra pessoa espera uma resposta.

capow.

aí que hoje fui escalar sem o oliver que tinha suas burocracias pra resolver e veio um senhorzinho puxar papo quando eu estava fazendo boulder, perguntar se ele estava me atrapalhando. “bininweg?”, ele perguntou, e eu obviamente não entendi nada. pedi desculpas e disse no meu melhor hochdeutsch que meu alemão era schlecht (ruim). ele repetiu “bin ich im Weg?” (algo como “estou no caminho?”) e eu disse que não, não.

nein nein.

(alemão obviamente avançadíssimo.)

depois ele veio ainda muito paciente me dar umas dicas e dizer que sim, aquela rota que eu estava tentando fazer era mesmo muito difícil, mão direita ali, mão esquerda ali etc. não vou dizer que entendia tudo mas acho que entendia o suficiente e arrisquei umas respostas enquanto ele me contava que estava voltando depois de muito tempo parado e que tinha feito uma cirurgia no ombro.

mais tarde um dos seus companheiros deve ter ouvido meu sotaque sofrível porque perguntou se eu falava espanhol e aproveitou pra praticar comigo um pouquinho do idioma.

(ckeckpoint, pause etc.)

acho que, entre aulas, ajuda do oliver, fiscal de ticket no trem perguntando de onde e pra onde eu estou indo, e dicas de escalada por velhinhos atletas, estou avançando.

mas, fooo. tem horas que o cérebro dá uns nós que nem o inglês salva.

mais um domingo

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acordar dez da manhã depois de ir dormir passado meia-noite — que é pra compensar as horas de sono perdido por ter acordado cinco da manhã no sábado pra visitar a parte italiana da Suíça –; café da manhã reforçado e de bicicleta até o centro de escalada do outro lado do morro a umas duas ou três vilas de distância parando pra tirar foto dum campode girassois; uma hora e meia de escalada e tomar o rumo do lago, encontrar um ponto cheio de argentinos e portugueses e a água quentinha; um pão recheado com chocolate e um mergulho com os patos e os cisnes enormes que te olham desconfiados; a volta que uma subida interminável e enfim a ladeira final cruzar o trilho de trem e estar de volta, e o marcador de temperatura gritando 40° ali antes da curva, e ainda são cinco da tarde e vai ter hambúrguer vegetariano pra fechar a tarde.

lembrete

nessa onda de calor que tem feito sofrer os suíços mais sensíveis, antes que a gente pudesse reclamar da temperatura: uns minutos de papo com a baiana numa das banquinhas de bebida do festival latino “caliente!” que tá rolando aqui em zurique, e já lembramos por que a gente quer voltar logo e encontrar um lugarzinho pela costa do nordeste pra viver.

grüezi desde a Suíça

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hoi.

dia 17 de junho pousei em Amsterdã, me deram um carimbo no passaporte e tomei outro avião rumo ao flughafen de Zurique, na Suíça.

2015-06-28 11.08.10

aqui é tudo muito bonitinho e organizado, como era de se esperar, e as casinhas são todas iguais nos arredores da cidade, com os telhados da mesma cor e janelas no mesmo estilo, as árvores e plantas muito verdes nesse começo de verão etc. as pessoas também são muito suíças, com seu suíço-alemão incompreensível, seus relógios e trens que partem pontualmente às 16h43.

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dá muito fácil pra se acostumar a viver por aqui, se você nunca mais pensar no que era a vida em outros lugares, em como é a vida no terceiro mundo, em como tudo isso só pode existir porque existe o tal do terceiro mundo produzindo seus aparelhos eletrônicos comprados com 50% de desconto.