olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

uruguai

relatos de viagem e anotações diversas sobre o percurso.

dia e meio em Colonia del Sacramento

entre Montevidéu e Buenos Aires uma noite em Colonia del Sacramento, pra conhecer a cidade portuguesa-espanhola com calma. e porque portuguesa aquela familiaridade das cidades históricas brasileiras. é uma cidade pequerrucha, com um centro histórico mui lindinho e que vale a pena ficar mais de um dia, mais de uma noite. não tanto pra conhecer, que conhecer sim se conhece em um dia sem pressa, mas por curtir o lugar, sentar à beira do rio e ficar lendo.

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comer por lá é caro, mas mais uma vez eu comprava legumes no mercado e fazia qualquer coisa no hostel (que também é mais caro que Montevidéu) ou ia atrás de rotisseria.

pelo centro histórico tem um monte de museu, e se pode pagar uma taxa única e visitar (quase) todos eles. também se pode subir no farol por algo como cinco reais e sim, vale a pena, é uma vista gracinha.

as fotos estão publicadas no álbum!

pelas ruas um turbilhão de turistas brasileiros seguindo guias em um portunhol engraçado; e eu parava quando encontrava um grupo desses, me fazia de desentendida e ficava escutando as histórias.

de lá a Buenos Aires o porto tem uma pinta de aeroporto, mas é só a pinta porque para embarcar você vai percorrer um monte de corredor externo em fila até entrar no barco. compramos passagem um dia antes porque fica mais barato com antecedência, e compramos no Colonia Express porque a mocinha peruana das vendas era mais simpática. os preços das três empresas são mais ou menos os mesmos (710 pesos uruguaios; pouco mais de 71 reais pra passagem normal, que não é a mais turística e mais longa) e essa era um barco menor, um catamarã.

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pensar em ficar uma hora cruzando o rio mais largo do mundo me deu uma certa agonia porque essa coisa de barco não é comigo, mas enfim alguns dramins e vamos lá.

lugares para visitar em Montevidéu

o que eu mais gostava de fazer em Montevidéu era ir atrás de uma praça ou parque (e tem bastante) pra ficar à toa lendo. a cidade é boa pra isso: tem o parque Rodó, que é bom pra ver o pôr do sol, e o parque del Prado, que fica mais longe do centro mas nada que um ônibus não resolva, que é uma lindezinha. sem contar o Jardim Botânico, do lado do parque do Prado. dá pra passar toda uma tarde ali à toa ou caminhando ou lendo ou desenhando ou escrevendo. fui durante a semana e imagino que fim de semana deve encher de gente.

no ônibus pro parque del Prado

no ônibus pro parque del Prado

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em volta do estádio do centenário também tem um parque grande e bom de passear, ainda que também um pouco mais afastado do centro (fui caminhando e cansei).

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depois disso caminhar, que era o que eu mais fazia. caminhar pela rambla toda é ótimo, mas te prepara que a rambla cobre toda a parte sul da cidade e é enorme. às vezes rola um vento violento. aliás, Montevidéu venta. o bairro sul que é antigo vale a pena recorrer, subir a rua Durazno, por exemplo, e todos os arredores. umas casinhas hermosas. parar em qualquer kiosko e comprar um alfajor.

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feira de rua tem todos os dias, como tem em São Paulo, mas como a cidade é mais curta você sempre encontra uma feira em algum lugar. e tem verdura e frutas mas também tem queijo e outras coisinhas. a maior é a feira de Tristam Narvaja, perto da avenida 18 de Julio, que dá voltas e voltas por outras ruas e tem antiquidades, mate, artesanato e todo tipo de coisa. essa rua Tristam Narvaja, aliás, é uma rua cheia de sebos, de livrarias, uma coisa assustadora. nem entrem em nenhuma que era pra não ficar tentada, já que minha mochila vai nas minhas costas e minhas costas pobrezinhas não querem saber de livro.

o centro velho na verdade não achei grande coisa; tem uma feirinha de artesanato no sábado, um monte de restaurante pra turista e o mercado do porto, que basicamente é um monte de restaurante pra turista. quem vai pra cidade no espírito restaurante pra turista tem que ir lá, sem dúvida. eu fiquei com um lugar na ponta do mercado que vende empanadas (fritas) mui baratas e ricas. aí sim recomendo.

artigas num dia de névoa

artigas num dia de névoa

dia chuvoso no centro velho.

dia chuvoso no centro velho.

outra que vale a pena é subir o prédio da intendência. você retira o ingresso numa casinha de informação turística ali em frente e sobe o elevador panorâmico. é de graça; ali em cima se vê toda a cidade, e tem toda a informação das construções e da história.

vista do prédio da intendência

vista do prédio da intendência

do turismo brasileiro típico, que é comer e comprar, não posso dizer muito para além das feiras e da busca por empanadas boas e baratas. posso dizer que o tal do chivito é um sanduba de carne e grande coisa um sanduba de carne. no meu caso a boa era procurar as rotisserias que vendem comida semipronta, e tem umas tortas de verdura baratinhas e teoricamente saudáveis.

dias frios em Montevidéu

fiquei pouco mais de duas semanas em Montevidéu por querer conhecer a cidade com calma. cheguei de Punta del Este e fui direto de ônibus urbano desde a rodoviária (terminal em espanhol, que é palavra feminina, ao contrário de terminal de computador que é masculina) até a altura da praça da intendência (tipo a prefeitura), na avenida 18 de julho (que seria a avenida principal da cidade). de lá fui caminhando até o hostel Dolce Vita. e naquele momento o mais importante era que o hostel tivesse televisão pra ver os jogos da copa.

e feito: fora um colombiano meio mala que estava sempre assistindo aos jogos, missão cumprida.

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também dia de jogo do Uruguai na praça da intendência.

o bairro ali é antigo, mui simpático, mais ou menos perto da rambla (a costaneira), mais ou menos perto do centro e do centro antigo. Montevidéu é uma cidade grande pequena, que se jogar em cima do mapa de São Paulo cai com periferia e tudo mais ou menos em cima da zona oeste contida do lado a leste do rio. e poucas ladeiras, senão que há uma parte um pouco mais alta da cidade e outra mais baixa que beira o Rio da Prata (é rio, não é mar, mas dizem que sim a água é mei salgada).

caminhando pelo bairro.

caminhando pelo bairro.

depois veio amiga de São Paulo e nos instalamos noutro hostel, o Contraluz, que fica pertinho da rambla e do parque Rodó. ali não tinha televisão mas a gente ia em qualquer bar pra ver os jogos, e inclusive foi num desses bares que vimos a fatídica vitória alemã sobre o Brasil.

“ya pasaran cosas peores” disse o chileno depois do jogo.
“que cosas?!” eu, indignada.
“ah, sí… la verdad que no.”

em Montevidéu que comprei minha garrafinha térmica e meu mate, e só não saía todos os dias pela rua com o mate e a garrafa debaixo do braço porque muito mate dá vontade de fazer xixi e não sei como esses uruguaios lidam com essa questão. ainda assim o frio às vezes convidava a sair com o mate e ficar no gramado de algum parque.

a turma nos dois hostels era muito simpática, e um monte de brasileiro e chileno organizando papelada pra morar no Uruguai. parece que a coisa é muito simples: o chileno me disse que era preencher um formulário, levar foto 3×4 e o documento. pode ser exagero, mas a coisa é mais ou menos assim com algum enrosco de burocracia que sempre há. um rapaz e uma moça brasileiros que estavam buscando casa pra alugar (e que conseguiram uns dias antes de eu ir embora).

enfim Montevidéu como cidade grande mui simpática, com seus recantos verdes e a orla pra te fazer esquecer a correria urbana. sem dúvida cidade mais tranquila que Buenos Aires, a vizinha-irmã argentina do outro lado do rio.

conhecendo Punta del Este no inverno

cheguei em Punta del Este no final do dia 21 de junho, sábado. vinha de Cerro Colorado, no interior do Uruguai, e precisei tomar um ônibus até Montevidéu e depois outro pra Punta. existe uma combinação que eu pegaria em San Ramón pra não ter que ir até a capital, mas isso se tomássemos o ônibus das 17h e aí chegaria em Punta à noite. buena. eu e Jaime saímos de Cerro Colorado no ônibus do meio-dia.

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chegando em Punta del Este.

fiquei no hostel El Viajero, a algumas poucas quadras da rodoviária, então foi fácil chegar, com mochila e tudo, caminhando. barato não é, mas também não é o absurdo de caro que anunciam as pessoas mais apocalípticas. Uruguai é tão caro quanto Brasil: ponto final. não é mais caro, mas também não é Argentina. simples assim.

e claro: era inverno. Punta del Este é uma cidade de veraneio. no verão são uns 300 mil habitantes e no inverno são 10 mil. vai vendo.

no inverno é uma cidade pequena com estrutura de cidade grande.

aproveitei a tranquilidade pra caminhar: de um lado tem a praia mansa, do outro a praia brava. na brava tem os tais dos dedos, que de perto são meio feios, mas sempre tem uma galera tirando foto (eu, por exemplo).

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qualquer lugar que você estiver você vai estar a algumas quadras da praia. e se não estiver é porque provavelmente chegou em Maldonado, que é a cidade que fica ao norte, colada em Punta. é cidade pra caminhar com a câmera no pescoço e imaginar o que seria o nordeste brasileiro num cenário apocalíptico em que o clima se inverte e as pessoas desapareceram.

aqui estão as fotos de minha estadia em Punta del Este.

pra além das caminhadas, recomendo uma visita ao Museo del Mar, que fica num bairro um pouco afastado do que é esse centro entre praias. se pode ir num ônibus que sai de hora em hora. no caminho ainda se passa por uma ponte projetada obviamente por um engenheiro bêbado.

mas enfim, o museu do mar. puf. dá pra perder um dia inteiro naquele lugar. fui com um camarada brasileiro do hostel e na volta tomamos uma SENHORA chuva que caiu na hora exata que nos alertava a previsão do tempo.

foi também esse o dia do jogo do Uruguai contra a Itália na copa do mundo, pela classificação para as oitavas de final. fui com uns brasileiros do hostel assistir ao jogo em um bar. a turma estava animada. uma das meninas fez um vídeo do final do jogo:

que coisa né.

a Punta eu não iria no verão. imagino que muita gente e, aí sim, mais caro. mas assim no inverno foi divertido. cortei o cabelo com um cabelereiro gente boa e conversamos sobre viver no Uruguai e essa coisa toda de brasileiro achar que aquele é o melhor país pra se viver (segundo o cabelereiro, sim, aquele é de fato o país ideal pra se viver). tinha pensado em ficar mais tempo mas achei que queria ter mais dias em Montevidéu pra conhecer a cidade sem correria.

sairia pela manhã num dia de neblina e dessa vez tomei o ônibus que ia direto (ou seja, que não para em Piriapolis). depois de um mês de cidadezinhas, era hora de voltar à cidade grande.

as primeiras semanas de Uruguai

é que quando a gente viaja parece que o tempo corre de um jeito diferente. muita coisa acontece em pouco tempo, e falta tempo para parar e digerir. por isso talvez as pessoas que voltam das férias ficam meses se lembrando do que fizeram naquelas 3 semanas de viagem etc.

enfim.

depois que cheguei no Uruguai pelo Chuy foram 3 noites em San Luis al Medio, povoado de 600 habitantes a 15 km do Chuy, com um casal do couchsurfing. de San Luis tomei um ônibus que ia em direção a Montevidéu mas parava em Minas, que era meu destino seguinte. lá me buscou o Jaime, amigo argentino que eu e o Fabio conhecemos em Alto Paraíso de Goiás quando estivemos por lá fazendo wwoof. de lá seguimos em estrada (de terra) até a estancia da família dele, em Polanco, perto do povoado de Cerro Colorado, a mais ou menos uma hora de Minas.

foram mais ou menos 20 dias no campo, com o frio e o sol (um senhor frio), os cachorros, os cavalos, as ovelhas, as galinhas etc.

fui também pra ajudar o Jaime com a casa que ele está construindo por ali, mas a verdade é que ajudei pouco porque o Jaime é um péssimo chefe, desses que vai e faz tudo sozinho antes que você possa perguntar o que precisa ser feito. plantamos algumas árvores (ele plantou, eu cavei um ou dois buracos e fiquei dando palpite), fomos com os albañiles que estavam nivelando o chão e pondo piso, nos metemos pelo mato cheio de espinhos pra inspecionar lugares secretos.

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também andamos a cavalo, o que sempre é divertido. em algumas sessões noturnas assistimos às duas temporadas da série argentina Los simuladores. cozinhamos coisas no fogão à lenha e fizemos um monte de lista de coisas que íamos fazer e não fizemos. num dos últimos dias fomos até o lago para dar uma volta de canoa e ver os pássaros e capivaras que vivem ali pelo entorno.

as fotos estão todas publicadas aqui no blog.

fui embora porque também o Jaime ia embora, para passar uns dias em Buenos Aires. era sábado, dia 21 de junho. tomei com ele o ônibus pra Montevidéu. meu destino era outro: Punta del Este.