olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

tag: arte

uma semana de rabiscologia ou: enfim encontrar-se consigo

uma semana rabiscando.

uma semana pra lembrar o que eu sou e o que eu posso fazer. pra lembrar que eu sou escritora, claro; mas não é só isso. que eu posso fazer arte, a minha arte. e que existe uma arte que é minha.

uma semana.

o retorno é bom, sim, dá uma alegria; saber que eu posso fazer algo que tem sentido pra mim e que isso tem sentido também pra outras pessoas. inspirar. mas a alegria maior está em fazer: em rabiscar. em permitir-me rabiscar. de repente todas as ideias mirabolantes de ilustração, texto e artes diversas (etc etc etc) voltam na minha cabeça, ficam rondando minha mesa e as canetinhas. todas as ideias que sempre estiveram aí mas que.

nada. não tinha motivo pra deixar as ideias todas assim, abandonadas.

fiquei mais de dois anos viajando nessa pilha de “me encontrar” e descobrir o que eu queria fazer, mas só fui descobrir mesmo dois anos depois da viagem terminada, quando comecei a reencontrar a rotina.

pior (ou melhor?): nenhuma resposta mirabolante. uma resposta que esteve sempre presente, todo tempo; eu que não estava prestando atenção. era tão óbvio.

o projeto rabiscologia, no apoia.se, já tem mais de 10 apoiadores. se você tem vontade de participar, colaborar, rabiscar: dá uma espiada na página, veja se alguma das opções de assinatura/apoio te parece interessante. tem um zine mensal e artes digitais ou impressas. o zine começa a ser enviado em novembro, mas pra receber essa primeira edição tem que confirmar o apoio até o final de setembro!

se ficar com vontade de rabiscar também, me avisa. compartilha no instagram com a tag #rabiscologia.

essa coisa de autopromoção continua meio esquisito pra mim. se puder me ajudar com divulgação, eu agradeço demais! avisa os amigos, os colegas de trabalho… vai ser bem massa.

novo projeto: RABISCOLOGIA

quem assina a newsletter já sabe; agora, chegou o momento de contar pro mundo.

acabei de lançar um novo projeto:
rabiscologia é a ciência do rabisco. é um espaço de estudo, experiências, testes e, principalmente, um espaço de liberdade. um espaço onde manda a louca da casa, aquela, a imaginação.

é também o novo nome da newsletter e de um zine mensal, que começa a existir a partir de novembro.

epa epa epa como assim?

pois: a Olivia escritora agora assumiu que é também um pouco Olivia artista, desenhista, rabiscadora. e pra poder compartilhar meus novos rabiscos, resolvi criar uma página na plataforma apoia.se. lá, você vai poder assinar o zine impresso por 15 reais mensais, e ele vai até você por correios a partir de novembro

além disso, pode ainda assinar um pacote extra pra receber, além do zine, um rabisco assinado, impresso, todo bonitão.

e pra não deixar ninguém de fora, criei ainda outras faixas de apoio, pra quem não quer mais papel nessa vida ou está precisando economizar. todas elas garantem uns presentinhos eventuais e participação em sorteios pra ganhar rabiscos e outras artes que eu inventar por aqui.

RABISCOLOGIA, o zine

o zine é um espaço de experimentação. é texto, ilustração, fotografia, rabiscos. uma mistura de tudo isso. rabiscologia vai ser principalmente uma surpresa, mas uma surpresa sincera. um pedaço de mim, como artista, na sua caixa de correios. o formato é A6 e o papel pode variar, assim como as cores na impressão.

a primeira edição vai ser especial: vou participar este ano do inktober, e produzir uma ilustração por dia durante o mês de outubro (bora participar também?). em novembro, vou montar a edição ZERO de rabiscologia com uma coleção das minhas ilustrações favoritas.

mas olha só: pra receber a edição zero, tem que confirmar o apoio até dia 30 de setembro. isso por causa da forma como o apoia.se repassa as contribuições (demora um pouquinho). mas só demora o primeiro, prometo. dali em diante, é só manter a assinatura em dia que você recebe um por mês mesmo.

sorteio extraordinário inktober

pra comemorar minha alegria em compartilhar esse projeto, resolvi também fazer um sorteio ultra mega master especial pra quem apoiar até o final de setembro: um sorteio dos originais produzidos durante o inktober. TODOS ELES. e também não importa o valor de contribuição: todos os apoiadores vão concorrer. o sorteio vai rolar em novembro, mas só participa pra quem assinar até 30 de setembro.

bora participar?

e outra: o maior apoio que você pode me dar nesse momento é a sua ajuda com divulgação! corre na página do projeto e manda o link pros amigos e pro vizinho e pro chefe e pra quem mais puder se interessar. está tudo explicadinho por lá.

e vai se preparando pra começar a rabiscar também.

folhas

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quando escrever se torna impossível, testo a paciência com um caderno de desenho e caneta nanquim.

se você fosse a última pessoa na terra

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Do you work solely for your own pleasure? Or are you chasing the confirmation and likes of others, altering your photos towards what you think people will like? Do you take pictures just because you love the sound of the shutter or do you do it because you can’t wait to hear the notification sound on your phone, saying that someone ”liked” your shot?

em If you were the last person on earth, would you still take a photo?

a premissa do texto é interessante: se você fosse a última pessoa na Terra, você ainda tiraria uma foto?

o desenvolvimento e a conclusão, óbvios: porque importante é fazer a arte que queremos fazer; não faz sentido escrever, fotografar, pintar etc apenas pra ganhar corações no instagram ou no medium. que hoje em dia a internet nos empurra nessa direção graças ao feedback instantâneo etc. estamos todos viciados em coraçõezinhos virtuais.

e afinal devemos fazer a arte que amamos e inevitavelmente nos conectaremos com pessoas que estão interessadas nessa arte. fazer o que se ama é o único caminho possível para ganhar dinheiro com o que se ama.

mas a resposta à pergunta fica incompleta.

se você fosse, de fato, a última pessoa na Terra, você ainda tiraria uma foto?

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praia de Japaratinga, Alagoas.

pra quem fotografamos?

pra nós mesmos?

será?

afinal se você fosse a última pessoa na Terra, e não há mais sequer aqueles que possam se interessar pelo que você faz por amor, e não pra agradar ou ganhar coraçõezinhos, ainda assim você tiraria a foto? dinheiro obviamente já não seria uma questão.

sua arte seria tudo que te resta?

quer dizer, ainda é possível fazer o que se ama, e provavelmente muito importante, já que você é a última pessoa na Terra e não há muito mais a fazer senão cuidar da sua sobrevivência e preencher o tempo livre.

mas a pergunta continua ali:

você ainda tiraria uma foto?

você continuaria fazendo arte?

a arte é mera expressão necessária do eu? a quem estaria direcionado esse esforço de expressão? por que sentimos essa estranha necessidade de expressar-se? ou a gente, no fim das contas, faz arte, até (e principalmente) a arte que realmente faz sentido para nós mesmos, pra se conectar, de alguma forma, com o outro?

a impossibilidade do relato

… it is impossible to convey the life-sensation of any given epoch of one’s existence, — that which makes its truth, its meaning – its subtle and penetrating essence. It is impossible. We live, as we dream — alone…

Heart of Darkness, Joseph Conrad

que também é a dificuldade de Riobaldo em Grande sertão: veredas; a mesma impossibilidade do relato, da precisão dos detalhes que realmente importam quando o que realmente importa sequer se parece assim no momento do acontecer:

Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que se já passaram. Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas — de fazer balancê, de se remexerem dos lugares.

ou porque não existe o passado senão como percepção de passado, ilusão de memória, e essa constatação da impossibilidade do relato nada mais é do que a constatação do óbvio.

Aquele encontro nosso se deu sem o razoável comum, sobrefalseado, como do que só em jornal e livro é que se lê. Mesmo o que estou contando, depois é que eu pude reunir relembrado e verdadeiramente entendido — porque, enquanto coisa assim se ata, a gente sente mais é o que o corpo a próprio é: coração bem batendo.

“coração bem batendo” seria a “life-sensation”, “its subtle and penetrating essence” na linguagem do Conrad (na fala do Marlow). o “razoável comum” seria esse retomar de fatos, aparar as bordas, limpas as partes sujas (como diria aquele vídeo do filtro solar que por uns anos circulava pela internet feito gripe no metrô de Buenos Aires no inverno) e remendar as partes quebradas para apresentar ao público: contar em jornal ou livro.

ou porque a insistência em compartilhar a experiência é uma das coisas que nos faz humanos. e a impossibilidade de compartilhar a experiência o que reforça essa humanidade, porque frustrados buscamos a arte, a literatura, a música e mais tantas quantas alternativas de compartilhar pelas bordas isso que não pode ser compartilhado por inteiro.