por Aline Valek

Estava aqui pensando numa profissão que cairia bem na Olivia Maia.

Nessa época em que as pessoas anseiam por indicações literárias, não satisfeitas apenas com o que as livrarias colocam nas prateleiras de destaque ou no que o hype do momento exige que se leia para se ter assunto com os outros, há espaço para quem manja de livros e sobretudo para quem sabe como comprá-los mais barato.

Para isso existiria a Guia de Sebos. Uma experiência diferenciada – porque nesses tempos busca-se acima de tudo ter experiências diferenciadas – de consumo de livros.

É muito simples o que faz a Guia de Sebos: organiza expedições (há de se ter um limite de gente, claro) para andar pelos sebos da cidade. Nessas andanças, ela indicaria livros para as pessoas, falaria sobre o que leu, contaria histórias de como aquele outro mexeu com ela, mostraria livros que olha, conheço o autor, ou ainda encontraria os indispensáveis que quase ninguém conhece.

Seria muito mais do que comprar livros. Seria um passeio e sobretudo uma conversa sobre literatura. Um aprendizado também: além de poder aprender muito sobre literatura, conhecer novos autores e gêneros, com a Guia de Sebos se aprenderia os melhores sebos, como encontrar os livros que se procura, como negociar preços e fazer o melhor negócio.

Um serviço de muito valor, que as pessoas pagariam com gosto, até parcelado no cartão. Mas como a Guia se recusaria a cobrar o valor que merece, ou colocar qualquer preço nesse trabalho, as pessoas lhe pagariam com os livros que ela quisesse levar, com lanches e suquinhos nos intervalos das caminhadas, ou ainda com suas próprias histórias, porque histórias também valem muito.

Ainda os próprios donos das lojas poderiam pagar a Guia pelo serviço, com comissão ou com uma cota de livros, porque a Guia de Sebos sempre tem espaço para mais leituras.

Então os livros que as pessoas adquiririam nesta experiência seriam aquela leitura sob medida, uma leitura com história, que a fariam lembrar que alguém, uma pessoa – e não um algoritmo – indicou aquele livro a ela, numa tarde de conversas em que se soube que a filha da dona do sebo sabe falar alemão. Histórias que não estão impressas em lugar algum.

Contrate agora a Guia do Sebo e agende seu horário.


a queridíssima e gênia Aline Valek escreve em seu blog e no medium, e também produz a zine Bobagens Imperdíveis, que você pode assinar e receber em casa, via correios (!). recomendo muito o último livro dela, As águas vivas não sabem de si, disponível em versão impressa e digital, que você encontra por aí na sua livraria favorita.