olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

tag: bahia

a vida na pequena cidade turística

um pouco é como se ainda não estivesse parada vivendo em um só lugar.

acordar cedo por hábito, a manhã livre. o fim de semana ocupado. ir trabalhar e resolver problemas e encontrar guias e fazer reservas em pousadas. voltar tarde. o dia livre e ficar em casa no sofá lendo qualquer coisa. não saber se melhor a chuva que enche as nascentes e os rios ou o céu azul o sol forte que seca finalmente a roupa que passou dias úmida esperando uma brecha pra estar no varal. a chuva que deixa a alma úmida, o sol forte que um calor terrível e o rio seco.

o quintal de escalada a vinte minutos, o rio a vinte minutos, a vontade de ficar um pouco mais em casa porque tanta coisa acontecendo e às vezes a gente se sente meio tartaruga.

2016-01-11a

vista do morro do Pai Inácio.

custa ainda acreditar que estou aqui e posso continuar aqui, e tenho uma mesa de trabalho pra apoiar o computador e organizar minhas manhãs de semana. mas também deixar umas manhãs pra ir escalar, pra dar um mergulho no rio. acostumar-se.

lembrete

nessa onda de calor que tem feito sofrer os suíços mais sensíveis, antes que a gente pudesse reclamar da temperatura: uns minutos de papo com a baiana numa das banquinhas de bebida do festival latino “caliente!” que tá rolando aqui em zurique, e já lembramos por que a gente quer voltar logo e encontrar um lugarzinho pela costa do nordeste pra viver.

esses dias de arraial d’ajuda

porque de Arraial do Cabo e Barra de São João (onde nos escondemos pra páscoa) fugimos direto pra Bahia.

foi uma viagem loooonga de Unamar (ali do outro lado do rio São João) a Vitória e de Vitória a Porto Seguro. quase 24 horas de ônibus e espera. chegamos mei muertos. mas ok. hotel e pousada mais ou menos barato tem aos montes em Porto Seguro e já paramos num com piscina e tudo.

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mas hotel não é muito nossa praia e passamos dois dias caçando uma quitinete ou algo próximo a isso pras três semanas seguintes. TRÊS SEMANAS num só lugar estamos aqui dando saltos de alegria.

porque logo desistimos de Porto Seguro e resolvemos fuçar uns hostels em Arraial porque o importante é ter cozinha e um ambiente simpático. acontece que Arraial é muito gracinha e foi tipo amor à primeira vista.

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meio sem querer encontramos o hostel-pousada Alto Mar ali passando a igreja escondido no fim da rua e um papo com os donos, Denise e Douglas, mais o preço que era o que a gente queria, bastou pra saber que era ali mesmo nossa próxima casinha. paf. dia seguinte (essa última segunda-feira) cruzamos o rio outra vez e voltamos ca’s mochila tudo.

agora a alegria de viajante cansado: brincar de rotina. e rotina é estudar de manhã (eu alemão, Oliver português), almoçar e ir pra praia (ou talvez almoçar na praia). depois um café, comprar a janta, cozinhar, curtir um tempo livre, dormir.

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a língua alemã é um bicho que me faz pensar em aulas de física mas acho que estou aprendendo, aos poucos.

amanhã a gente vai no parque aquático ecológico que tem aqui. hip hip. ou seja: já bagunçando a rotina. mas aproveitar e ir antes do feriado. e estou terminando a newsletter pra mandar antes do fim da semana. e meter nessa rotina o tempo pra escrever mas é que estudar idioma é tão divertidinho.

um dia em Barreiras

o ônibus deveria sair de Lençóis às dez da segunda-feira, mas saiu foi depois da meia-noite porque todos os ônibus que saem de Salvador atrasam um mundo. nove horas de viagem até Barreiras. então chegar na manhã de terça-feira e perguntar em todos os guichês para descobrir que não, não tem como ir direto dali para Alto Paraíso, apesar de a cidade estar logo ali passando a divisa. também nenhum jeito de ir dali até outra cidade mais perto e então Alto Paraíso.

resumindo: não teria nenhum jeito inteligente de ir de Barreiras até Alto Paraíso. a não ser que você fosse para Palmas ou Brasília.

Fabio esperando na rodoviária de Lençóis.

Fabio esperando (nerdeando) na rodoviária de Lençóis.

tomamos um táxi para um hotel sugerido por um pessoal da rodoviária de Lençóis, mas aí chegamos lá e achamos melhor procurar outro lugar. voltamos de ônibus no rumo da rodoviária para um outro hotel, mais decente, com wifi e tudo, pelo mesmo preço.

então ir atrás de uma CAIXA e dar com a cara numa fila gigantesca que estava ali desde antes de a agência abrir e não era nem meio dia já estava encerrado o atendimento para quem já não estivesse naquela fila. voltar e pegar o ônibus errado e andar um tanto nesse sol do sertão até o hotel, e o quarto um forno de tomar um banho a cada hora. não tinha muito para fazer em Barreiras não. ao menos não assim em um dia, sem carro, num hotel afastado do centro.

ficamos foi tentando descobrir como chegar em Alto Paraíso, negando para nós mesmos que a única possibilidade seria ir até Brasília. não era possível que a gente ia ter que descer para depois subir. que troço mais estúpido.

pois era. não teve jeito. aí que saía um ônibus ainda à noite, chegaria cedo em Brasília e dava para pegar logo um ônibus para Alto Paraíso. mais uma noite dormida em poltrona apertada, e dessa vez não era nem a fileira da frente. deixamos para trás o hotel e seguimos para a rodoviária outra vez. capoft.