olivia maia - escritora desterrada. meio artista.

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seis de outubro, Quixadá, interior do Ceará

a cidade tem uns cem mil habitantes. um paraíso de escalada. ninguém sabe dizer nada sobre as pedras pra escalar, sobre onde estão, como chegar. como a cidade foi sede do último encontro dos escaladores do nordeste, ainda dá pra encontrar umas placas aqui e ali. no mais, um mistério.

fomos pela manhã procurar uma área de escalada perto do açude, um dos cartões postais da cidade, aos pés da Pedra da Galinha Choca. nos metemos entre as árvores secas e cactos e só encontramos uma via onde deveriam haver pelo menos cinco.

perguntamos à gente que estava por ali.

nada.

voltamos e decidimos seguir ao outro ponto de escalada com vias dentro das nossas capacidades. o taxista nos deixou no centro: queria cobrar caro demais pra andar outros cinco quilômetros. ele explicou como chegar na Pedra de Eurípedes, nosso próximo destino, e seguimos a pé pela avenida.

chegando perto do segundo semáforo, referência pra entrar à esquerda, paramos em frente a uma oficina mecânica e digo ao Oliver que talvez seria melhor perguntar pra ter certeza. na oficina, um tipo baixinho está meio encostado no balcão. pergunto: pra ir pra Pedra de Eurípedes é aqui à esquerda mesmo?

ele diz que sim. depois nos olha de cima a baixo e pergunta: vocês são escaladores, é?

dizemos que sim. ele completa: eu escalo também. e em seguida: eu levo vocês lá.

aí a paulistana desconfia, faz cara de surpresa, pergunta se tem certeza. ele diz que não tem problema, deixa só avisar aqui o rapaz e dizer que já volto.

vamos até o carro dele, ele abre o porta-malas pra gente deixar a mochila e lá está todo seu material: cordas, capacete, cordeletes, sapatos. entramos no carro e ele nos leva até o Vale Perdido, atrás da famigerada Pedra de Eurípedes. entra conosco e nos mostra o caminho até as vias. aponta algumas, diz o nome, a dificuldade.

depois de escalar passamos na oficina e fomos tomar algo com ele. a cidade tem uns cem mil habitantes e uns dez escaladores. Jorginho e sua esposa são dois deles. depois de comer ele ainda nos leva até a pedra que não encontramos de manhã; já é noite mas ele vai com a lanterna, aponta as vias, explica as dificuldades. ele escala todo domingo, e nos sábados que consegue fechar a oficina mais cedo. chegou a nos convidar pra ir com ele e a esposa pra escalar no interior do Rio Grande do Norte no feriado de 12 de outubro.

por que eu parei em frente àquela oficina mecânica, e não qualquer outra, ou a loja de eletrodomésticos que vinha antes? por que perguntar o caminho naquele momento, se bastava seguir a indicação do taxista?

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próximos passos

passagem para Teresina comprada. vamos no domingo à noite para chegar na segunda-feira pela manhã e pegar direto um ônibus para São Raimundo Nonato. assim dá também para passar mais um fim de semana com meu pai e ir para a praia.

agora vamos numa padaria aqui perto almoçar tapioca. porque a tapioca daquela padaria é uma senhora REFEIÇÃO. depois mando a prova.