olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

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Icho Cruz, Tala Huasi e o rio San Antonio

no domingo (24 de agosto) depois da excursão fui conhecer o povoado de Icho Cruz e o rio que passa por ali. fica tudo meio colado indo mais ou menos pra sudoeste de Carlos Paz: San Antonio de Aredondo, Mayu Sumaj, Villa Icho Cruz, Cuesta Blanca. pro norte do rio por Icho Cruz tem ainda outra comuna (comuna são as localidades que nem povoados são e por isso não têm intendencia), mas ainda assim são independentes), chamada Tala Huasi.

fui com uma moça que conheci pelo Couchsurfing, numa postagem perguntando por companhias pra caminhadas pela região. ela é de Buenos Aires mas está há alguns meses morando em Villa Allende, ao norte da cidade de Córdoba.

tomamos o ônibus na rodoviária de Carlos Paz e descemos no que devia ser a parada principal de Icho Cruz. seguimos em direção ao rio e cruzamos pra Tala Huasi.

tr_nsito_em_icho_cruz

ali um monte de casinhas de veraneio e chalés. e ninguém nas ruas. ninguém nas casas, também. o vento frio depois daquela inesperada chuva na sexta-feira anterior. mas o lugar uma lindezinha. o rio, como todos parecem ser aqui pela região, de uma água transparente. nos seguia sempre algum cachorro.

dia_de_rio_em_icho_cruz

fizemos uma parada à beira do rio para um mate e depois de rodar bastante (sobe morro desce morro passando por o que deve ser um bairro novo em construção) fizemos uma segunda parada para almoçar, também em outro ponto de balneário.

tem mais fotos no álbum dos arredores de Carlos Paz.

o Pablo tinha me dito que Icho Cruz era desses pueblos de ruta, mas a verdade é que gostei demais do lugar. foi pra minha lista de lugares pra morar. a lista está crescendo.

recepção uruguaia

depois de uma viagem que incluiu uma parada pra trocar um pneu furado do ônibus, fui recepcionada ainda na rodoviária do Chuí pelo Juan, do couchsurfing.

(tinha perguntado pro cobrador do ônibus pra que lado era o Uruguai e ele: duas quadras pra lá.)

Juan me levou pra comprar pesos e um chip pré-pago da Antel. seguimos pra Barra del Chuy, passando pela aduana pra que eu entrasse oficialmente no país. dia de sol, céu azul, mar azul, vento gelado. bah.

na casa do amigo rolou um asado uruguayo. melhor recepção. depois ainda vimos na tv (globo com Galvão Bueno) o jogo do Brasil.

logo vou com o Juan e a Fran pra casa deles em San Luis al Medio, a 30km daqui. vou matando um tempo numa padaria enquanto eles estão na aula de ioga.

 

de São Lourenço do Sul ao Rio Grande

fiquei mais tempo do que o previsto em São Lourenço do Sul porque tomei uma mordida de cachorro (longa história resumida: cão da dona da pousada foi atropelado, já está bem apesar de uns ossos quebrados; minha mão também se recupera) e fui acolhida pela dona da pousada e do cachorro até encaminhar a recuperação (curativo, duas doses de antirrábica etc). cinco dias depois, minha mão está praticamente boa:

quase_bom_

no sábado peguei carona com a dona da pousada até Pelotas. ela ia ver o cãozinho na clínica e me deixou na rodoviária. peguei o ônibus pra Rio Grande que saía em menos de dez minutos (tem ônibus a cada meia hora) e rapidinho estava no aparentemente famoso Bar do Beto, onde minha anfitriã de couchsurfing (que mora no Cassino, uma espécie de bairro/distrito de Rio Grande que fica na praia) me buscou.

demos uma volta pelo centro, almoçamos e voltamos pela praia, passando pela região portuária e o estaleiro; a partir do começo do que é a maior praia do mundo (e também uma estrada):

maior_praia_do_mundo

couchsurfing_rio_grande__cassino__renata_e_eu

Renata e eu.

encontro couchsurfing em Santa Rosa e cipestres de Victor Graeff

aí mais uma vez couchsurfing e mais uma vez aquela sensação de ai meu deus será que vai dar certo. e claro que deu.

a Maiara me recebeu toda mãe, perguntando mil coisas que era pra eu me sentir mais em casa. conversamos um pouco com petiscos e cervejas antes de dormir. o plano pro dia seguinte, sábado, era um almoço com o outro host couchsurfing da cidade (são os únicos), o Martin (um irlandês que mora ali há muitos anos, um dos pioneiros na criação de porcos da cidade).

pois: chegamos na chácara do Martin e fomos recebidos pelos quatro cachorros e pelo gatinho preto que não tinha nome. o Martin veio avisando que a lasanha estava no forno e vamos sentar aqui na sala ouvindo uma playlist do youtube na minha smartv nova.

falamos sobre viagens e sobre a história da criação de porcos na cidade. éramos os três um grande encontro couchsurfing de Santa Rosa.

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o almoço teve participação especial da dona Eva, a vizinha, que apareceu na janela pra fazer, segundo o Martin, uma consulta: pergunta um monte de coisa e conta de vidas alheias. depois ela trouxe um pedação de bolo de chocolate e um chimarrão gigante com uma garrafa térmica de dois litros e meio e saia.

gostei demais da cidade e acho que encontrei o tamanho ideal de cidade pra viver: uns 50 mil habitantes, mais ou menos. lá tem um monte de praça e um monte de estátua, de todos os tipos, por todos os lados. sem contar o portal da Xuxa, que nasceu lá, e uma homenagem ao goleiro Taffarel com uma estátua bem feia feita de ferro ou qualquer coisa desse tipo.

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à noite ainda fomos num dos (dois) bares da cidade pra tomar cerveja e comer um lanche com vista pra praça do chimarrão gigante.

no dia seguinte peguei carona com a Maiara pra vir pra Porto Alegre. ela precisava tomar um voo pra São Paulo e eu estava indo naquela direção de qualquer jeito. o ponto alto da viagem foi a surpresa que a Maiara tinha preparado (na verdade ela já tinha me contado o que era, mas a princípio era pra ser uma surpresa): uma parada na cidade de Victor Graeff.

a cidade é minúscula e fica no meio do nada, mas tem uma tal praça dos cipestres com milhares de esculturas em arbustos:

mundo paralelo.

mundo paralelo.

festa em Victor Graeff.

festa em Victor Graeff.

bichos bichos por todos os lados.

bichos bichos por todos os lados.

dançando com meu amigo o tiranossauro.

dançando com meu amigo o tiranossauro.

alegrias de couchsurfing

couchsurfing é um troço muito massa. eu sempre acho meio temeroso, porque você não conhece a pessoa e ela pode não ter nada a ver com você, e você fica lá meio sem jeito numa casa estranha etc. até agora nunca. digo: sempre acaba dando certo.

em Foz por exemplo eu acabei prolongando minha estadia pra passar uns dias com a Eva, uma uruguaia do couchsurfing que me convidou pra ficar na casa dela. a gente se divertiu horrores, mesmo com ela precisando terminar um trabalho pra faculdade e não podendo me acompanhar até Puerto Iguazu pra visitar o marco das três fronteiras e a feirinha.

el hitito!

el hitito!

carlinha, eu e eva; e charles, o gato.

carlinha, eu e eva; e charles, o gato.

claro que teoricamente a gente escolhe pra quem mandar o pedido, e imagina que quem te aceita tem algum interesse em te conhecer. mas albergue é mais fácil: você está lá e não precisa falar com ninguém se não tiver vontade.

mas aí cheguei em Posadas e fui recebida pela Mia, que é quietinha e quase séria mas uma pessoa muito massa. cheguei, almoçamos e conversamos um pouco. depois ela tinha que estudar e eu fiquei desenhando e escrevendo.

à noite a gente caminhou pela costaneira e fez pizza com queijo de verdade (queijo argentino é bom demais). um amigo dela que mora por ali veio pra bater papo e me perguntar mil coisas sobre o português, que ele está aprendendo.

ao fundo o Paraguai.

o rio Paraná e ao fundo o Paraguai.

Mia, eu e a pizza.

Mia, eu e a pizza.

pena que por causa do horário de ônibus pro Brasil, que só sai duas vezes por semana, não deu pra ficar mais um pouco. acordamos cedo e fomos até o rio Paraná: sentamos numas pedras e ficamos tomando sol e mate, até dar a hora de voltar, fechar a mochila e rumar à rodoviária.

rio Paraná pela manhã.

rio Paraná pela manhã.