olivia maia - escritora desterrada. meio artista.

tag: crises

dia de semana

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um dia como qualquer outro; de olhar na agenda e organizar as obrigações. olhar a lista com as pendências e decidir em que dia vai cada coisa — porque essa sensação de que há muito a se fazer, e o tempo. saber que tudo isso e organizar e fazer e saber mas a vontade é buscar um pedaço de sol e ler mais um pouco esse livro que já vai pela metade. botar o andu na panela com uns temperos e deixar cozinhar. perceber que não: não há nada urgente e a semana está nos trilhos e já é quase meio-dia. perceber que o dia está livre adiante e então sentar num pedaço de sol e avançar pela outra metade do livro começado enquanto o andu continua dançando dentro d’água na panela até a hora de almoçar.

capow

aqui em Lençóis está frio.

frio: calça e blusa e meia pra dormir. ventanias. chuveiro nunca esquenta o suficiente.

estou com livro começado e pilha pra escrever porém o cérebro não para de dar voltas.

estava lendo Herbert Read e ele tem ideias tão interessantes porém às vezes tão chato.

voltei a ler Robert Walser.

cuido da ansiedade trabalhando com caneta nanquim num caderno de desenho.

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também planto sementinhas e elas nascem e crescem e não tem mais nem espaço pra todas elas.

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o suíço que cuida de mim quando a cabeça parece desses pacotes de pipoca de micro-ondas.

encontrei um plugin do calibre (o programa que cuida da minha coleção de e-books) que conta a quantidade aproximada de páginas de um livro digital.

a ansiedade pede leituras mais curtas.

outra vez

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escreve 13 páginas, apaga 6, escreve mais 15, apaga 9.

solução: renomear o arquivo, guardar o que pode ser útil, recomeçar.

conclusão: não comece a escrever enquanto não souber muito bem que cazzo você está escrevendo.

nota mental

calma, olivia, fica tranquila, olivia. vai dar tempo, sempre dá tempo, o tempo nunca te falhou. para um pouco de olhar adiante: pro que está acontecendo do outro lado da rua, pro trânsito no quarteirão da frente, pra semana que vem e tudo o que você ainda não fez e precisa estar feito até quarta-feira. para de olhar pra prova bimestral que só vai acontecer no meio de junho e claro que ainda não está pronta, por que estaria?

não precisa fatiar o tempo feito fosse um bolo de festa com mais convidados do que comida. chega de fatiar o tempo, olivia. as coisas acontecem uma depois da outra, as coisas não são fatias de bolo. será que você não entende? porque o bolo da festa acaba em meia hora e o tempo leva ainda alguns anos. sabe o que são anos, olivia? sabe que não tem problema passar um dia sem fazer nada, que não tem problema ficar acordada até mais tarde, que não tem problema caminhar sem rumo, que isso não significa comer um pedaço grande demais e ficar com fome no dia seguinte.

que metáfora estúpida. de onde você tirou isso?

calma, olivia. pode abrir essa porta que está fechada; ela não está trancada, está vendo? por que alguém trancaria essa porta? o tempo é seu. ela sempre esteve destrancada. não seja tonta.

não é tão difícil.

não pode ser tão difícil. não deveria ser tão difícil.

(repetir dez vezes. espiar pela janela. respirar fundo. recomeçar.)