olivia maia - escritora desterrada.

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mais do que um leitor

El oficio literario es de lo más paradójico: es verdad que escribes en primer lugar para ti mismo, para el lector que llevas dentro, o porque no lo puedes remediar, porque eres incapaz de soportar la vida sin entretenerla con fantasías; pero, al mismo tiempo, necesitas de manera indispensable que te lean; y no un solo lector, por muy exquisito e inteligente que éste sea, por mucho que confíes en su criterio, sino más personas, muchas más, a decir verdad muchísimas más, una nutrida horda, porque nuestra hambruna de lectores es una avidez profunda que nunca se sacia, una exigencia sin límites que roza la locura y que siempre me ha parecido de lo más curiosa.

Rosa Montero, La loca de la casa

contra o próprio preconceito

Para mí el famoso compromiso del escritor no consiste en poner sus obras a favor de una causa (el utilitarismo panfletario es la máxima traición del oficio; la literatura es un camino de conocimiento que uno debe emprender cargado de preguntas, no de respuestas), sino en mantenerse siempre alerta contra el tópico general, contra el prejuicio propio, contra todas esas ideas heredadas y no contrastadas que se nos meten insidiosamente en la cabeza, venenosas como el cianuro, inertes como el plomo, malas ideas malas que inducen a la pereza intelectual. Para mí, escribir es una manera de pensar; y ha de ser un pensamiento lo más limpio, lo más libre, lo más riguroso posible.

Rosa Montero, La loca de la casa

escrever também é um ato físico

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Virginia Woolf afirmou que pra escrever é necessário um quarto próprio e uma renda fixa. Stephen King insistiu que antes de mais nada é preciso uma porta fechada (a parte da instabilidade financeira estava implícita no discurso) e um ambiente livre de distrações. uma vez li também de alguma escritora contemporânea que é importante uma boa cadeira — ninguém consegue escrever com dor nas costas.

sobre renda fixa: escrever (e a arte de modo geral) exige contemplação. não deve ser à toa que escritores são sempre vistos como vagabundos, gente que não gosta de trabalhar. que difícil entender que escrever é trabalho interno, silencioso, invisível.

e ainda assim, escrever é um ato físico. é sentar-se na cadeira e postar-se frente ao computador, apoiar um caderno nas pernas, segurar deste ou daquele jeito a caneta entre os dedos. um teclado com ou sem ç. é mover os dedos sobre o teclado.

eu: não consigo escrever de portas fechadas. ou consigo (anos morando em apartamento) mas sinto que parte de mim atrofia lentamente com o imaginado isolamento. nada que não se resolva com a porta (da casa, do quintal) aberta. ou escrever em lugares públicos.

seria talvez uma espécie de claustrofobia criativa: a criatividade que exige uma rota de escape mapeavel.

escuto os ruídos da rua, a música alta dos vizinhos, a gente evangélica que passa conversando sobre deus e o diabo ladeira acima, os velhos que reclamam sobre a cansativa geografia desta cidade, as crianças que passam correndo e provavelmente quebrando coisas pelo caminho, Paulinho da venda discutindo as dores de ser palmeirense com algum flamenguista.

os passarinhos gritam e às vezes um beija-flor entra pela janela do quarto interessado nas bandeirinhas coloridas penduradas na porta.

mas é que a porta do quintal está fechada porque a gata está proibida de subir no telhado nesses dias pós-cirurgia de castração. e um pouco é como se o mundo todo não existisse para além das paredes, e tudo que me chega é um eco distante de algo que talvez tenha existido, um dia. vê: não quero interação; quero apenas essa conexão com o real, que é pra não esquecer que também eu existo e faço parte e o tempo continua correndo normalmente como também corre quando estou na rua e preciso chegar aos correios antes que feche.

tantos outros personagens para escolher

enquanto não publico a newsletter já obviamente atrasada, deixo com vocês (e principalmente aos amigos e amigas escritores) um artigo longo e interessante pra pensar um pouco em nosso terrível ofício (enquanto vou lendo On Writing, do Stephen King, que tenta me empurrar num estado de ânimos contrários ao da leitura deste artigo).

Between advertising and the novel, the lines of influence are blurry because the new marketplace was blending the forms together, forcing them to change their practices to survive. Every advertiser was a novelist, every novelist, at least for a sentence, an advertiser. Or, as a critic for Life in 1913 describes the work of one first sentence, a street “barker.” (…)

As Marchand writes, America was now for the first time a majority urban population. For the first time in human history, the majority of people the average person encountered in a given day were strangers. Others had no inner lives; they were just the external characteristics visible during a first impression. For advertisers, this meant cajoling people about every detail of their appearance, littering advertisements with scrutinizing eyeballs. And there’s something of this too for the novel-reading public. Adrift in what the era’s writers continually described as a “flood” of fiction, there was no time to create a character ab ovo; he or she must come fully formed, must offer quick and memorable impressions. There are so many other characters to choose from.

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