olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

tag: goiás

voltas em Pirenópolis e quedas em Goiânia

aí que na terça-feira fui com um guia amigo do dono do hostel até a cachoeira Bonsucesso, que na verdade são seis cachoeiras na fazenda Bonsucesso. a água estava meio suja por causa da chuva (quer dizer, suja de barro, que não é bem sujeira). foi uma caminhada tranquila de cinco quilômetros e mais uns metros dentro da fazenda. deu para mergulhar. saiu até sol!

img_8217

na volta rolou uma carona com o povo da fazenda até o carro do guia e depois seguimos para o IPEC.

estava fechado para visitação, mas o portão estava aberto e fomos entrando (ops). lá dentro o guia conversou com um rapaz que disse que a gente podia dar uma volta pela área aberta e tudo bem. as bioconstruções são muito legais e sempre coloridas. pena que não deu pra fazer um tour de verdade, com explicações e aquela coisa toda.

img_8256

img_8259

ói aqui o álbum de fotos.

Pirenópolis é uma cidade boa de visitar, mais bonita do que Alto Paraíso, mas não sei se mais simpática. fiquei pouco tempo e acho que precisaria pelo menos uma semana pra ter uma opinião mais precisa. saí na quarta-feira de manhã num ônibus mei sem vergonha da viação Goianésia rumo à Goiânia.

a rodoviária de Goiânia é um shopping e grande demais pros meus 15kg nas costas. descendo as escadas da praça de alimentação perdi o degrau e torci o pé; só não rolei escada abaixo porque já estava nos últimos degraus mesmo. levei foi um tombão mei torto. duas pessoas me arrumaram gelo e troquei meu tempo de almoço por vinte minutos segurando gelo no tornozelo. capow.

aí os 15kg viraram uns 30 mas devagar consegui chegar no embarque. comprei um lanche sem vergonha e um pão de mel para comer no caminho. 13h30 saí num ônibus todo moderninho da Nacional Expresso com destino a Uberaba, onde mora minha prima querida. (a ironia foi o médico recém-formado fazendo residência em ortopedia que foi conversando comigo boa parte do caminho.)

e eu que tenho muita bagagem.

e eu que tenho muita bagagem.

aí estava praticamente em casa, com direito a prima me buscando de carro na rodoviária. tanto que agora estou me sentindo até mei resfriada. domingo vamos conhecer os dinossauros de Uberaba (aguardem fotos) e segunda-feira pegamos estrada rumo a São Paulo, com uma parada estratégica em Atibaia para deixar os animais (uma pitbull, uma salsicha e dois gatos insanos) na casa da minha tia.

coisas estranhas acontecem na casa da minha prima.

coisas estranhas acontecem na casa da minha prima.

Olivia em Pirenópolis

ônibus saiu de Brasília às 14h30 no domingo. parou em Águas Lindas num posto de gasolina porque não-sei-que estava vazando. o cobrador ficou um tempo no telefone mas depois tudo certo nada resolvido e seguimos caminho. não demorou começar a serra e as curvas e as placas anunciando cachoeiras. chuva.

cheguei em Pirenópolis ainda uma chuva fina e chata. passava de 17h. tomei um táxi com um senhorzinho mei rabugento chamado Valdivino que ia a vinte por hora pelas ruas de pedra entre as casinhas coloridas. o hostel é perto, quilômetro e meio da rodoviária, mas com 12kg (ou 15) nas costas tudo fica mais ou menos perto da eternidade.

Hostel Casamatta; atendimento para a gente se sentir em casa e muitas redes.

Hostel Casamatta; os donos são muito gente boa e tem muitas redes.

na segunda-feira também amanheceu chovendo. esperei uma trégua para caminhar quase a cidade toda, um pouco ainda debaixo de garoa. saiu um pouco de sol mas logo o céu voltou a ficar todo branco. estava bom para andar.

Igreja do Bonfim.

Igreja do Bonfim.

Igreja Matriz.

Igreja Matriz.

vielas.

vielas.

ponte pênsil Dona Benta.

ponte pênsil Dona Benta.

muitos fuscas.

muitos fuscas por todos os lados.

cidade na serra.

cidade na serra.

rio das almas.

rio das almas.

vi passarem um monte de papagaios quando comecei a caminhar. perto da igreja matriz tinha também um monte de papagaio fazendo escândalo. voltei no hostel para almoçar e aproveitei para passar o começo da tarde lendo na rede. fiquei ouvindo os papagaios e araras gritando enlouquecidamente pelos ares. só as cigarras conseguem ser mais histéricas.

esse tempo todo que fiquei na roça faz qualquer cidade parecer estranha. parece que está faltando alguma coisa. tudo parece meio sujo e meio triste. e Pirenópolis é uma cidadezinha tão lindinha.

pensei em visitar a cachoeira mais próximas mas deu uma preguiça do tamanho do mundo. achei melhor torcer para a terça-feira não amanhecer com chuva e deixar para fazer essas coisas difíceis depois. saí no final do dia para ver os pássaros e tentar encontrar a livraria que tem na cidade. não encontrei a livraria mas fui tomar sorvete. fiquei conversando com a moça da sorveteria e um rapaz amigo dela que sentou ali para usar o wifi do restaurante vizinho. a chuva já ia apertando de novo.

à noite fizemos pizza no albergue: eu, o dono e duas mineiras de Patos de Minas (pede para um mineiro dizer “Patos de Minas”; é sensacional). com cerveja. muita pizza. claro sobrou para o café da manhã.

2013-12-16 21.19.48

Rubens e a pizza de abobrinha e berinjela.

pizza!

tucanos de Alto Paraíso

todo mundo via os tucanos de Alto Paraíso de Goiás, menos eu. mas aí último dia na cidade antes de tomar o rumo de Brasília e a Elena, uma italiana sensacional que também nos ensinou como se faz a verdadeira pasta italiana, me levou para caminhar no fim do dia pelos lugares em que costumam aparecer os tucanos.

andamos pelas bordas da cidade mas nada, nem mesmo olhando ali do alto. perto do Vale Azul ouvimos algumas araras distantes e fomos ameaçadas por uns insetos voadores quando paramos para assistir ao pôr do sol.

img_8125

img_8131

seguimos para a rua em que ficam os eucaliptos e estavam lá os turistas ansiosos. chegavam os primeiros papagaios.

eles iam chegando em pares conversando e gritando e fazendo barulho e às vezes iam embora porque certo a vizinhança era muito fofoqueira. num momento pousou do outro lado da rua um gavião com ares de agente secreto e ficou observando insuspeitamente. mas tucanos mesmo… eu estava já um pouco desistida.

img_8133

fomos descendo a rua dos eucaliptos e de repente quase dei um pulo. “olha um tucano!!” e a Elena com a mão na boca e todo o exagero paspalhão de italiana “shhh!!”. ops. por sorte o tucano não se assustou.

o primeiro tucano.

o primeiro tucano.

já estava quase escuro e eles são muito silenciosos. mas estavam por todos os lados. uns tucanos pequenos escondidos entre os galhos. vez ou outra um deles mudava de árvore e dava para ouvir bem claro o ruído das asas até que pousasse noutro canto.

mais um!

mais um!

a luz não colaborou para as fotos mas finalmente vi os tucanos que todo mundo sempre vê todos os dias. só não vi as naves espaciais e luzes no céu que também todos na cidade costumam ver com certa frequência.

dia de folga: cachoeiras Loquinhas

na quarta-feira fiquei com o dia de folga (primeiro de uma folga dupla depois de trabalhar dobrado na terça-feira) e aproveitei para conhecer as cachoeiras das Loquinhas, que são mais perto da cidade de Alto Paraíso: uma caminhada de 5 km e segundo diziam quase sempre debaixo do sol. pensei que de qualquer forma seria bom chegar com o sol alto, porque geralmente cachoeira se esconde na sombra quando o sol vai baixando.

saí umas 10 horas, passei para ver o Fabio trabalhador na Eco Nois e segui pelo caminho que me indicaram. logo topei com uma placa que indicava mais 3 km de caminhada. não tinha caminhado nem dez minutos.

mais perto do que anunciavam.

mais perto do que anunciavam.

vai saber a partir de onde fizeram a medição para os 5 km, mas ok. eram umas 10h15 quando comecei a caminhar. depois de um terço do caminho passou um carro e pensei em pedir carona, mas depois pensei que mais 2 km, eu posso ir andando, não vai ser o fim do mundo. claro que pensei isso antes de começar a subida. capoft.

fato é que cheguei em menos de uma hora na Fazenda Loquinhas. o acesso à trilha e aos poços custa 15 reais.

proibido nudismo.

proibido nudismo.

ô povo pra gostar de uma ponte tensa.

ô povo pra gostar de uma ponte tensa.

trilha suspensa.

trilha suspensa.

a trilha é uma passarela de madeira suspensa no meio do mato. à esquerda vão surgindo as entradas para os poços. logo no segundo encontrei a moça que tinha passado de carro. ela também pensou em me oferecer uma carona. conclusão: duas lentas.

primeiro poço.

primeiro poço.

poço curumins.

poço curumins.

poço da vovó.

poço da vovó.

a água é assim mesmo azulzinha-verdinha transparente. mesmo quando o sol se esconde atrás das copas das árvores ou de alguma nuvem; só vira um verde mais escuro. um troço fora do comum. a água bem gelada como convém. e como falta chuva, os poços estão todos bem rasos. não dá para entrar de uma vez com um mergulho. não sei entrar em água gelada se não for para entrar de uma vez. urf.

o tempo passa num ritmo diferente num lugar desses.

lanche-almoço com energia da Chapada.

lanche-almoço com energia da Chapada.

poço da xamã.

poço da xamã.

depois encontrei outra vez noutro poço a moça do carro. ela era de Brasília e ficamos um tempão conversando sobre literatura enquanto eu comia um salgadinho porcaria. visitamos ainda os últimos dois poços, que estavam com a água muito parada e barrenta por causa da falta de chuva. não devia ser cinco horas quando começamos a voltar. aí ganhei uma carona para Alto Paraíso.

quase uma semana depois de chegar pareceu que estava finalmente começando a conhecer alguma coisa da Chapada dos Veadeiros.

finalmente Alto Paraíso de Goiás

continuando a saga dos ônibus, algumas imagens do caminho no ônibus “convencional” que nos levou ontem de Brasília a Alto Paraíso de Goiás:

tecnologia é tudo.

tecnologia é tudo.

gambiarra para ouvir música junto.

gambiarra para ouvir música junto.

estrada sem fim.

estrada sem fim.

paisagem.

paisagem.

um belo porta-óculos.

um belo porta-óculos.

não foi de todo mal viajar um pouco num ônibus que não fosse com ar condicionado congelando a alma (ainda mais agora que estou sem minha blusa quentinha). numa das paradas em rodoviária (claro que ele parava em todas as cidades do caminho), o motorista comprou uma fatia gorda de queijo e mui gentilmente nos ofereceu um pedaço. foi comendo alegremente estrada acima (na verdade a impressão é que a viagem foi feita 70% do tempo em primeira marcha ladeira acima).

cinco horas de viagem.

chegamos por volta de oito da noite. a dona do Hostel Catavento mui solícita nos buscou na rodoviária. o albergue fica meio afastado do centro mas é caminhada de 15 minutos (com uma ladeira). descansamos numa cama grande e quentinha depois de duas noites dormindo mei torto em poltrona de ônibus. ufas.

hoje amanheceu frio e chovendo e ficou frio e chovendo praticamente todo o dia. bom para ficar à toa, ainda mais aqui no albergue que tem gatos, internet e vários cantinhos aconchegantes.

logo de manhã o Fabio se acomodou no camping Eco Nóis para fazer alguns dias de semi-wwoofing.

casinha do Fabio montada.

casinha do Fabio montada.

quintal do Fabio.

quintal do Fabio.

Fabio tem a barraca só para ele.

eu fiquei no albergue e vou trocar uma ajuda de três horas diárias por um descontão na hospedagem. aproveitar as tardes para escrever.

meu vizinho.

um dos meus vizinhos.

outro vizinho.

outro vizinho.

vista nublada. área comum do albergue.
minha casinha por fora.

minha casinha.

minha casinha por dentro.

minha casinha por dentro.

tem ainda as trilhas para as cachoeiras ainda que a maioria precise carro (duas delas só precisa boa vontade). a verdade é que meus joelhos ainda não estão de todo recuperados das trilhas da Chapada Diamantina e o Fabio ainda sofre um pouco para vestir as botas (hoje ele testou uma tática ninja multimeias e parece que ficou melhor).

mas uma coisa de cada vez. bom é conhecer os lugares com calma. (menos Brasília. Brasília é bom de conhecer em duas horas e depois sair correndo de lá.)