olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

tag: ideias

um conto com eternas duas páginas

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o conto se chama Mancha de café e já tem duas páginas.

era um conto que teria talvez 20 ou 40 páginas.

mas vou escrevendo parágrafo por dia, ou menos, e ele continua com duas páginas.

começo a desconfiar que ele vai terminar com seis páginas.

o que não é um problema em si, na verdade, mas também que me ocorreu na última vez que abri o arquivo que o conto não era grande coisa, e que a ideia grandiosa que tive quando comecei a escrever se reduziu a uma banalidade mais ou menos policialesca com um catch final pro leitor fazer a-ha!

ou seja: começo a desconfiar que não quero terminar de escrever esse conto.

e como a ideia era pelo menos terminar esse conto pra voltar ao ritmo de escrita e então retomar a escrita de um dos romances iniciados, parece que tenho um problema.

ou: hora de mudar os planos.

reflexões necessárias sobre o futebol

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porque um dia talvez eu vá escrever um ensaio chamado “o futebol e a nossa humanidade”, embora me pareça que tudo o que poderia ser dito sobre esse assunto já está muito bem dito no próprio título, nas entrelinhas (entreletrinhas).

e escrever

quem assina a newsletter sabe do andamento do meu livro novo O DIABO NÃO HÁ, e sabe que recentemente me deu uma pilha nova porque tive uma ideia pra resolver alguns enroscos, e porque me vieram ainda outras ideias pra complementar a narrativa etc etc. quem assina a newsletter sabe também que escrever tem algo de inconstância, de amor e ódio, de se achar foda e se achar uma fraude; e no pico da inconstância me veio uma constatação: se escrever tem me parecido um pouco CHATO, que dirá LER a tranqueira que estou escrevendo.

claro que pode ser uma FASE. mas também junto isso com o comentário de um amigo, que me disse que essa história é boa e bem escrita mas talvez falte um pouco de ação, e que talvez pareça que ainda não chegamos de uma vez ao ponto que interessa.

pensar na grande falha (porque essa pra mim é a grande falha, entre outras falhas menores) do meu último livro A ÚLTIMA EXPEDIÇÃO, que é a história custar a começar, e o quanto isso está relacionado, obviamente, com eu custar a gostar do que estava escrevendo e só achar que a história começou e agora vai lá pela página 77.

fato é que a ideia desse livro de agora foi protagonista de um momento importante da minha vida (sair de uma crise de depressão, remédio começar a fazer efeito, sentir que nem tudo é uma merda e existem motivos pra seguir adiante etc) e por isso talvez eu tenha me agarrado a ela com tanta força. fato também que eu GOSTO da ideia e não vou abandoná-la de vez, mas decidi que não quero me arrastar num campo infértil.

me parece momento pra diversificar as experiências e tentar encontrar algo que eu esteja com VONTADE de escrever. se calhar de ser esse livro, melhor ainda, mas também tem mil outras ideias (sério) esperando a vez.

não duvido que escrever seja um processo trabalhoso e tudo mais que dizem por aí os escritores mais dinossauros e alguns admiradores. mas cada vez mais acredito que se escrever for um processo CHATO, jamais que a leitura vai poder ser prazerosa. há uma diferença entre trabalhar com vontade e trabalhar arrastado, ainda que ambos sejam trabalho. bora continuar trabalhando.

diário de um romance iniciado

uma ideia na madrugada, fruto de uma insônia eufórica.

título, epígrafes.

as primeiras linhas. seis parágrafos curtos. meia página.

súbito a sensação de familiaridade. uma citação num livro de Javier Marías. uma peça de Shakespeare?

conheço Shakespeare por osmose, com essa sina de estudante de letras que já conhece o destino de Riobaldo e Diadorim antes de começar a ler o romance de Guimarães Rosa. por leituras transversais, tangentes.

mas a familiaridade está lá.

uma pesquisa e concluir que sim, Shakespeare já contou aquela história, com mais sangue do que eu pretendia contar (como convém).

então a pausa na escrita para ler a peça, porque, enfim. voltas.

macbeth

reincidências.