olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

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de volta a córdoba: san marcos sierra

não bastassem as 24 horas de viagem me restavam ainda umas quatro até alcançar Capilla del Monte. comprei passagem pras duas da tarde. Fernando conseguiu também passagem pro mesmo horário, com destino a Tucumán. já era uma e meia então não precisamos esperar muito. já era hora da despedida.

porque muito estranho ter se acostumado com uma companhia de viagem e de repente vai cada um pra um lado. fato é que se não fosse pela companhia jamais teria ido até o refúgio Las Grutas, e muito menos seguido ao Chile em caminhão. então valeram os dias.

adiante.

me meti no ônibus e acomodei-me ao lado de um senhor que roncaria toda a viagem.

puf.

fui meio dormida, meio conversando no whatsapp, meio vendo um filme mais ou menos na televisão do ônibus; a paisagem não é grande coisa e se repete infinitamente: uma grande planície e nada mais. um pouco mais adiantadas as horas se começa a ver algo das serras de Córdoba adiante.

pois que meu plano era ir a Capilla del Monte porque de lá tomaria um ônibus a San Marcos Sierra. também saem ônibus desde Cruz del Eje, mas esse é um povoado feiozinho e sem graça e eu preferia passar uma noite em Capilla do que correr o risco de ter de procurar alojamento em Cruz del Eje.

mas a sorte, essa maluca: quando o ônibus fez a parada na rodoviária de Cruz del Eje, vi ali esperando um ônibus de linha que ia a San Marcos. desci e pedi ao motorista que esperasse um pouco, fui até o outro ônibus e perguntei. sim, ia a San Marcos, sai em dez minutos. voltei, agarrei minhas mochilas e aproveitei a coincidência.

cheguei em San Marcos Sierra no finalzinho da tarde, ainda com luz. no posto de informação turística a mocinha me deu várias indicações de hostel e saí caçando preços até parar no mais barato, um pouco afastado do centro (o que nesse lugar significa a 5 quadras da praça), chamado Viejo Molino. estava cansada mas o dono me disse que comprasse frios e pão que me fazia uns sanduíches.

feito.

aí não sei mais nada: dormi.

no dia seguinte saí do hostel só pra comer e fiquei bem à toa nerdeando um pouco, selecionando fotos e fazendo nada no computador. era muita informação muito lugar muita paisagem pra processar das três semanas anteriores e eu nem sabia bem por onde começar.

aventuras em la rioja, parte 3 (versão light): banda florida

claro que depois da travessia até Laguna Brava a gente queria era descansar um pouco. gastamos a manhã conversando com o pessoal do hostel e não fazendo nada, e deixamos a tarde pra caminhar ali por perto, num bairro afastado chamado Banda Florida, que tem também uma pequena quebrada com um cânion do mesmo tipo de formação do Talampaya.

caminhadinha de uns dois quilômetros até cruzar o bairro e chegar no pé do morro, pra depois se meter pela quebrada seguindo a marcação das fitas de saco plástico que indicam o caminho. depois de cada subida tinha ainda mais montanha adiante, e paramos quando cruzamos todo o cânion e avistamos a montanha que se ergue atrás dele, depois de um vale estreito.

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passeio tranquilo depois da tormenta de neve do dia anterior, mas deu pra cansar; o dia que começou nublado abriu num sol forte no meio da tarde e definitivamente impossível entender o clima nessa região.

aventuras em la rioja, parte 2: laguna brava

todos diziam que tem que conhecer Laguna Brava. eu estava achando muito divertido que a laguna fica a mais de quatro mil metros de altitude e, enfim, quem sabe a gente via neve. o guia Mariano, também dono do hostel Refúgio del Condor, onde nos hospedamos, já tinha dito que no dia anterior tinha nevado e a chance de neve era grande. oba oba.

nos metemos numa travessia de 4×4 que já vinha sendo programada há meses. saiu um pouco mais caro do que a excursão normal mas a travessia se metia por outros caminhos pela cordilheira.

nove caminhonetas, cinco motos e umas dezenas de homens crescidos e não tanto, mais eu, Andressa e um senhor portenho muito formal que de turistas se meteram na brincadeira. saímos mei atrasados e tocamos pela estrada, com duas paradas em povoados vizinhos pra juntar mais caminhonetas, fazer lanchinho, conversar com político e fazer doações pra uma igrejinha. buena.

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o percurso da “ida” foi: travessia por um rio seco (interminável, mil pedras, mil buracos, o guia mesmo dizia que não aguentava mais lugar chato dos infernos), quebrada del yeso (onde aquele monte de marmanjo se divertiu horrores fazendo 4×4, ou seja, se metendo em lugares estreitos ou íngremes ou impossíveis com aquele jeepão enorme), um tanto de estrada asfaltada e enfim a subida pela cordilheira rumo à Laguna Brava.

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já no começo quando descemos do carro antes de começar a subida vinham caindo uns floquinhos de neve que deixavam pontinhos brancos na roupa, um frio gelado e um vento furioso. pela subida tudo um chão marrom de pedras e terra e uns pontos mais claros que era onde o caminho tinha congelado. adiante a gente via uma nuvem branca que era viento blanco ou, mais diretamente, uma tormenta de neve. o guia estava feliz da vida que a gente ia ter neve e céu azul e qué hermoso! dizia, quase saltitando no assento do motorista.

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fizemos uma última parada antes do topo e eu desci pra ver a vista, e tinha um vento de milhões de quilômetros por ora e era difícil ficar em pé. tirei ali a selfie mais difícil do universo.

selfie mais difícil do universo

selfie mais difícil do universo

mas aí que a tormenta foi se aproximando e nos metemos bem no meio dela, e o guia parou um pouco de ficar se empolgando pra dar instruções pelo rádio, enquanto os outros perguntavam se a gente ia voltar pelo mesmo caminho, se faltava muito, quem tinha sido o último carro a ver a cherokee verde etc. no começo ainda dava pra ver a neve se acumulando na lateral do caminho, mas chegou um momento que não dava pra ver absolutamente nada.

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mais ou menos pelo topo o guia dizia que ali à esquerda estava a laguna, mas nada, só um branco infinito. comecei a decepcionar.

o céu azul surgiria tímido, por trás da ventania de branco, e de repente a tormenta tinha ficado pra trás. à esquerda, sim, a Laguna Brava. o céu azul, o sol, e atrás aquele branco furioso que seguia adiante com seus propósitos vingativos. o chão branquinho de neve.

saindo da tormenta

saindo da tormenta

neve!

neve!

olivia no limite da tormenta

olivia no limite da tormenta

a laguna ao fundo céu azul e sem tormenta

a laguna ao fundo céu azul e sem tormenta

claro que eu desci e fiquei feito criança feliz pisando a neve, metendo a mão na neve e congelando os dedinhos apesar das luvas. depois quando voltei pro carro senti a falta de fôlego da altitude. ops ops. era muita alegria pra pouco oxigênio.

a descida foi tranquila com paisagens monumentais, e vicuñas, guanacos, frio e vento. as caminhonetas começaram a dar problema de pneu murchando, freio estourando etc etc; as motos dando problemas de motorista cansado (as motos obviamente não se meteram na tormenta, fizeram uma volta e nos esperaram na estrada adiante). descemos por uma estrada que ainda estão construindo com direito a mil paradas. quando alcançamos a rodovia o sol já ia embora.

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o guia acabaria ficando por último pra acompanhar as motos que iam devagar, porque os rapazes quase esgotados e problemas de motor e porque era na caminhoneta dele que ia o combustível extra. chegamos noutro povoado vizinho de Villa Unión pra uma janta com a turma com direito aos tios tocando e cantando música folclórica juanina, tucumana e riojana, e daí ao hostel era já quase meia-noite. restava capotar na cama.

aventuras em la rioja, parte 1: talampaya

com o primeiro dia inteiro em Villa Unión tomamos um transfer até o parque nacional Talampaya, que fica uns bons quilômetros de distância do povoado.

no parque, sem carro, não temos muita opção senão tomar uma excursão para conhecer o cânion. fomos numa em um caminhão adaptado com uma parte descoberta em cima. de lá dá pra ir tirando fotos sem brigar com janela suja.

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na verdade foi massa porque milhões de bichinhos: guanacos, ñandus e uns tipos de lebres e roedores cujo nome eu já esqueci. o esquema excursão é mei chato porque aquele monte de gente se jogando na sua frente pra tirar uma selfie e desde do ônibus sobe no ônibus ronc.

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e claro que o cânion: enorme enorme; nas fotos a gente perde essa noção da grandeza da coisa. e na verdade mesmo quando estamos lá, ao vivo. quando calha de aparecer um humanozinho no pé do paredão a gente tem a perspectiva do tamanho.

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a excursão incluiu uma parada com vinho branco e suco e snacks no meio do cânion, o que me pareceu bem desnecessário, mas enfim.

lá tem também um tal sendero del triasico com uns dinos bem safados, mas com um cenário de quase deserto que faz o percurso interessante.

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um dino fazendo photobomb.

aí que terminada a excursão ficamos ali matando tempo e se escondendo do sol pra pegar carona com uns guias que voltavam de carro pra Villa Unión. de manhã fazia um frio terrível e ali passado meio-dia um calor de mais de 30 graus.

o guia depois na volta me esclareceu o estranho sotaque riojano (e eu descobriria depois que está presente praticamente em todo o norte e também em San Juan) que não pronuncia o R de, por exemplo, sierra. eles dizem algo entre sieja e sieza (no caso z e j da pronúncia do português). incrível como a gente logo se acostuma e volta a entender tudo. também altos papos sobre política e educação e as diferenças entre Brasil e Argentina.

aventuras em la rioja

aí que em Villa Unión, na província de La Rioja, rolaram altas aventuras incluindo tormenta de neve na cordilheira, e tem um monte de foto, e eu quero contar tudo como foi, mas eu demoro horas e horas respondendo e-mails divertidos e de repente são oito da noite e o moço do hostel aqui em Tucumán acabou de nos indicar um restaurante vegetariano a quatro quadras com HAMBURGUESAS.

então uma foto do último sábado a mais de 4 mil metros de altitude na cordilheira dos Andes:

eu brincado na neve e ao fundo a tormenta passada.

que sou eu brincado na neve e ao fundo a tormenta (sim, passamos no meio daquilo). do outro lado da foto o céu estava azul.

e depois eu conto tudo.