olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

tag: literatura policial

essas voltas policialescas

vai indo tudo muito bem esse meu afastar-se da ficção policial, lentamente, gradativamente, levando o que dela me interessa e deixando de lado as burocracias da verossimilhança, que tão mais me incomodavam quanto mais eu aprendia sobre a polícia brasileira. mas é que basta assistir a um episódio de qualquer seriado policial (desses americanos, porque foda-se a verossimilhança) e me volta essa gana que começou tudo e me fez trabalhar com o gênero desde o começo, sem que eu nunca soubesse muito bem por quê.

ou porque criminosos homicidas moram em mim, e é preciso se livrar deles de alguma forma?

castle não entendeu a piada.

hein?

única ordenação possível

César o desespero a lhe tomar todos os músculos do corpo, fazendo acelerar o ritmo cardíaco. Suas mãos um tremor; quis metê-las nos bolsos, mas o calor. Ocupou-se em atualizar a ficha de exercícios do senhor que ainda na esteira assistia distraído à televisão, esperou passar os minutos mas eram ainda as anilhas fora de lugar esparramadas pelo chão, o sujeito que se movia de um aparelho a outro como se flutuando em outra dimensão de espaço.

conto policial que escrevi no começo do ano e foi publicado na revista Carta Fundamental, nº 25, em fevereiro de 2011. clica nas imagens pra ver maior.

Uop1
Uop2

literatura policial costumava ser engraçada

You could argue that crime is crime, and shouldn’t be funny – but didn’t it start out with a good and smart sense of humour? Holmes and Watson were a double act, Agatha Christie’s Miss Marple and Dorothy L Sayers’s Lord Peter Wimsey always played it for subtle laughs, and on the other side of the pond when “hardboiled” or “noir” fiction kicked in with Chandler and Hammett in the 20s and 30s, the one-liners flew faster than the bullets.

artigo interessante no Guardian [em inglês] sobre o que diabos aconteceu com a literatura policial que de repente perdeu toda a graça.

ainda bem que ainda temos Andrea Camilleri com o seu comissário mais rabugento da Sicília.