olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

tag: livros

o gato de dentro

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não sei nada de beatniks ou o que seja, mas li agora um livro de “memórias” do William Burroughs chamado The cat inside, e achei uma delicinha. é um livro curtinho, caro demais pro seu tamanho, mas comprei* nessa última promoção de livros importados da Livraria da Vila, então OK.

*e porque trabalhei loucamente no mês passado, me parece justo gastar uma parte das correções com livros delicinha.

Purring in his sleep, Fletch stretches out his little black paws to touch my hands, the claws withdrawn, just a gentle touch to assure him that I am there beside him as he sleeps. He must have a dream image of me. Cats are said to be color-blind: grainy black-and-white, a flickering silver film full of rents as I leave the room, come back, go out, pick him up, put him down. Who could harm such a creature? Train his dog to kill him! Cat hate reflects an ugly, stupid, loutish, bigoted spirit. There can be no compromise with this Ugly Spirit.

que se pode fazer? gatos são uma dessas coisas encantadas que existem no mundo. o que há de felino nos gatos nos faz mais humanos. the cat inside é também um pouco dessa nossa humanidade perdida.

através dos séculos.

we are the cats inside. we are the cats that cannot walk alone, and for us there is only one place.

policiais

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terminei de ler Candyland, do Evan Hunter com o Ed McBain. que na verdade são a mesma pessoa; Ed McBain é o pseudônimo que escreve policiais. depois de algumas semanas sem ler nada, uma preguiça de férias e a revisão do meu livro, etc. gostei bastante. ainda acho que policiais americanos se arrastam um pouco em detalhismos de gênero que enchem um pouco o saco. ou eu que já li demais policial americano, e já estou sacando todos os truques. antes eu levava uns dois ou três livros pra sacar os truques de cada autor. agora já começo a sacar os truques que são os mesmos para todos os autores.

e de qualquer forma, toda literatura policial em terceira pessoa perde alguns pontos comigo.

também comecei a ler o Céu de origamis, do Garcia-Roza, em livrarias. estava com vontade de uma literaturazinha policial, e já li tudo que tem aqui em casa do gênero. o livro começa bem, embora depois se desenrole para uma investigação meio óbvia. achei que ele perdeu uma chance de dar espaço pra uma reviravolta no final. quer dizer, ainda mal cheguei no meio da leitura, mas foi uma impressão. o problema maior é que a droga do livro custa 30-40 reais, tem dó. vou continuar lendo quando tiver tempo pra matar em livraria, e a Cia. das Letras que vá pro inferno.

ontem não te vi em Babilónia

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do Antonio Lobo Antunes, que ganhei do marido no último natal e que até então tinha lido um primeiro capítulo, porque livros grandes me atraem mas me impedem de ler em qualquer posição esdrúxula e requerem sempre alguma classe e postura pra não se ter dores nos punhos já cheios de tendinite

            (sinal dos tempos)
mesmo com a academia diária; mas enfim, o livro, ontem não te vi em Babilónia, um dos últimos do portuga louco, agora engatei leitura e ainda que não se possa levá-lo em qualquer lugar
                      (senão a dor nas costas, além das tendinites)
por causa do peso e tamanho pouco conveniente, devo dizer que o livro é bom demais, que Antonio Lobo Antunes é um chato mas é bom demais, e que o formato todo do post é também minha modesta homenagem a esse portuga que sabe fazer uso das possibilidades de formatação do texto ao seu favor, ao contrário de outro portuga, também chato mas nunca tão bom;

estive também lendo alguns poemas do Herberto Helder, em ou o poema contínuo; e como disse o amigo Testa, esse livro bota em desespero, essa batalha com o hermético contra o hermético do mundo, poemas que se escapam, se desviam, por uma compreensão maior que está logo ali mais ou menos à esquerda ou à direita no campo de visão, mas que foge ao foco, escapa sempre ao foco.

the beautiful and damned

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“the beauty of her body was the essence of her soul.”

Fitzgerald gênio.

nem dá vontade de terminar logo de ler o livro porque aí só vai ficar faltando um.