olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

tag: minhas vidas

murphy e seus amigos

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eu tenho aqui umas coisas pra publicar no blog e um monte de coisa pra próxima edição da newsletter e esse remedinho novo até que me está dando uma boa pilha pra existir mas nas últimas semanas a coelba (os caras da eletricidade) andaram trocando postes e cortando a luz e quando não era a luz era a internet porque a coelba arrebentava os cabos e os caras da internet tinham que ficar correndo atrás deles pra todo lado pra remendar os estragos; antes disso o blog passou pela migração de servidor e enfim enfim. eu vou organizar essas coisas todas que eu tenho pra publicar e escrever a newsletter mas hoje eu dei aula de inglês pra cinco turmas de crianças de seis a dez anos e não tenho forças nem pra responder e-mail.

capow

aqui em Lençóis está frio.

frio: calça e blusa e meia pra dormir. ventanias. chuveiro nunca esquenta o suficiente.

estou com livro começado e pilha pra escrever porém o cérebro não para de dar voltas.

estava lendo Herbert Read e ele tem ideias tão interessantes porém às vezes tão chato.

voltei a ler Robert Walser.

cuido da ansiedade trabalhando com caneta nanquim num caderno de desenho.

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também planto sementinhas e elas nascem e crescem e não tem mais nem espaço pra todas elas.

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o suíço que cuida de mim quando a cabeça parece desses pacotes de pipoca de micro-ondas.

encontrei um plugin do calibre (o programa que cuida da minha coleção de e-books) que conta a quantidade aproximada de páginas de um livro digital.

a ansiedade pede leituras mais curtas.

coisas que você aprende trabalhando com crianças, parte II

— pró, hoje tem prova?
— não, hoje tem desafio!
— OBA!

(era prova.)

nunca peça para ajudar a limpar a sujeira que eles deixaram no chão depois do lanche (mas não fui eu!), diga: atenção! vou cronometrar aqui pra ver em quanto tempo vocês limpam o gramado sem deixar nem uma bolinha cheetos, nem um plástico de bala, nada! semana que vem vou cronometrar de novo pra ver se vocês conseguem quebrar o recorde!

o peso das coisas

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chegamos em Lençóis com duas mochilas grandes, três mochilas pequenas e uma barraca. as mochilas tinham roupas, equipamento de camping com isolante e saco de dormir, os computadores, câmeras fotográficas, equipamento de escalada com corda de 70 metros, documentos e miudezas mais essenciais.

alugamos uma casa, passamos uma tarde na cidade de Seabra e compramos duas sacolas grandes de coisas práticas: filtro de barro, frigideira, tábua de cortar, travesseiros, uma almofada, liquidificador, balde, bacia, pano de prato, alguns utensílios de cozinha. uma amiga nos deu de presente um conjunto de roupa de cama.

fomos a São Paulo com duas mochilas pequenas e voltamos com mais outra pequena e duas grandes cheias de roupas, uns livros, eletrônicos, pastas de documentos, miudezas decorativas, material de escritório e de desenho, ferramentas, utensílios de cozinha, toalhas, roupa de cama.

pelo correio, minha mãe e meu editor enviaram alguns exemplares dos meus livros.

adotamos uma gatinha. a veterinária deu a ela uma bolinha com guizo de presente.

compramos em Lençóis um roteador, uma estante baixa de aço, uma mesa de madeira comprida pra trabalhar e dois banquinhos, uma caixa de pintura pra usar como caixa de areia de gato, um estabilizador, uma raquete elétrica pra matar moscas e muriçocas, um chapéu de palha com aba larga. ganhamos camisetas do trabalho. com dois pedaços longos de cano pvc, o suíço confeccionou uma engenhoca para prender a primeira costura antes de começar a escalada.

compramos um terreninho cheio de pedras e uma jabuticabeira, luvas pra limpar o mato com facão e enxada emprestados, arame farpado e mão de obra pra montar a cerca.

pela empresa de ônibus, minha mãe enviou uma encomenda com a casinha de transporte de gatos, uma caixa de areia de verdade, coleira, um cobertor, três pares de sapato, alguns livros, uma prancheta.

para quem se acostumou a fechar a mochila em menos de quinze minutos e sair caminhando rumo ao próximo ônibus, temos coisa demais.

você se acostuma a medir suas coisas pelo tempo que leva mudar de um lugar a outro; o peso nas costas e nos braços.

são quatro mochilas grandes, quatro mochilas pequenas, algumas caixas, a mesa, os banquinhos, a estante de aço, o filtro de água.

a mudança de casa não pode mais ser feita de uma vez; precisa um carro ou algumas viagens morro abaixo e morro acima. ou: duas viagens de carro e uma viagem com a mesa na pickup do seu Arlindo dono da loja de móveis que mui camarada quebrou esse galho pra gente.

coisas que você aprende trabalhando com crianças

você jamais diz “vamos fazer uma roda”. você diz “todo mundo dá as mãos, vamos ver se vocês conseguem fazer uma roda bem redondinha”.

você não diz “vamos agora até o pátio sem correr nem empurrar o colega”. você diz “todo mundo faz uma fila aqui na minha frente e dá as mãos”.

você tampouco diz “formem aqui duas fileiras”. você bota dois alunos um do lado do outro e manda o resto ficar atrás com a mão no ombro do coleguinha da frente.