olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

tag: minhas vidas

joana <3

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uma amiga da minha mãe tinha dito que um casal de velhinhos da vizinhança morreu e deixou uma gata que os filhos não podiam cuidar. fui com minha mãe. uma vizinha abriu a porta dos e Joana entrou pra esperar a comida que sempre vinha. peguei Joana no colo e ela só fez se acomodar e ronronar. disse à minha mãe: então, vamos?

não teve outra alternativa.

diz-se que o nome dela era Nina; mas em casa a cachorra já era Nina, então já no carro ela ficou Joana.

ela tinha cara de Joana.

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muito rápido se fez rainha e brigava com todos os outros animais da casa. com pessoas, não: fazia amizade com o encanador, o eletricista, o funcionário da net, o vizinho, o zelador. Joana provavelmente pensava que era também um pouco humana.

em seu infinito mau humor, no fundo ela gostava da companhia dos bichos: de bater no cachorro, de ficar parada na porta da cozinha pra impedir a cachorra de passar, de reclamar com o gato Teodoro quando ele ousava brincar perto dela. era só ficar um pouco mais sozinha que ela já chamava pra saber se alguém estava por perto. e nas vezes que voltei de viagem passava sempre três dias me ignorando, de costas, pra me fazer entender que ela estava aborrecida com minha ausência; então vinha e subia em cima de mim, ronronando.

nunca soube quantos anos ela tinha. provavelmente muito mais do que pensei.

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que eu posso dizer? nunca precisei dizer muito pra ela.

este post é na verdade só um agradecimento por ter tido a companhia dessa gata rabugenta por tantos anos.

<3 Joana.

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adotados por um gatinho

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numa noite em que eu estava trabalhando ele apareceu pra pedir comida. suíço deu leite e pôs de novo pra fora.

duas noites depois ele apareceu outra vez.

demos leite e botamos pra dentro.

no dia seguinte ele já tinha cama, ração pra filhote, caixa de areia. dei vermífugo e cortei as unhas (ele nem reclamou). já sabe usar a areia e já sabe escalar a cama pra se acomodar entre os travesseiros quando a gente não está olhando.

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falta um nome. estamos aceitando sugestões.

a vida na pequena cidade turística

um pouco é como se ainda não estivesse parada vivendo em um só lugar.

acordar cedo por hábito, a manhã livre. o fim de semana ocupado. ir trabalhar e resolver problemas e encontrar guias e fazer reservas em pousadas. voltar tarde. o dia livre e ficar em casa no sofá lendo qualquer coisa. não saber se melhor a chuva que enche as nascentes e os rios ou o céu azul o sol forte que seca finalmente a roupa que passou dias úmida esperando uma brecha pra estar no varal. a chuva que deixa a alma úmida, o sol forte que um calor terrível e o rio seco.

o quintal de escalada a vinte minutos, o rio a vinte minutos, a vontade de ficar um pouco mais em casa porque tanta coisa acontecendo e às vezes a gente se sente meio tartaruga.

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vista do morro do Pai Inácio.

custa ainda acreditar que estou aqui e posso continuar aqui, e tenho uma mesa de trabalho pra apoiar o computador e organizar minhas manhãs de semana. mas também deixar umas manhãs pra ir escalar, pra dar um mergulho no rio. acostumar-se.