olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

tag: montevideu

lugares para visitar em Montevidéu

o que eu mais gostava de fazer em Montevidéu era ir atrás de uma praça ou parque (e tem bastante) pra ficar à toa lendo. a cidade é boa pra isso: tem o parque Rodó, que é bom pra ver o pôr do sol, e o parque del Prado, que fica mais longe do centro mas nada que um ônibus não resolva, que é uma lindezinha. sem contar o Jardim Botânico, do lado do parque do Prado. dá pra passar toda uma tarde ali à toa ou caminhando ou lendo ou desenhando ou escrevendo. fui durante a semana e imagino que fim de semana deve encher de gente.

no ônibus pro parque del Prado

no ônibus pro parque del Prado

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em volta do estádio do centenário também tem um parque grande e bom de passear, ainda que também um pouco mais afastado do centro (fui caminhando e cansei).

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depois disso caminhar, que era o que eu mais fazia. caminhar pela rambla toda é ótimo, mas te prepara que a rambla cobre toda a parte sul da cidade e é enorme. às vezes rola um vento violento. aliás, Montevidéu venta. o bairro sul que é antigo vale a pena recorrer, subir a rua Durazno, por exemplo, e todos os arredores. umas casinhas hermosas. parar em qualquer kiosko e comprar um alfajor.

perto_do_porto

feira de rua tem todos os dias, como tem em São Paulo, mas como a cidade é mais curta você sempre encontra uma feira em algum lugar. e tem verdura e frutas mas também tem queijo e outras coisinhas. a maior é a feira de Tristam Narvaja, perto da avenida 18 de Julio, que dá voltas e voltas por outras ruas e tem antiquidades, mate, artesanato e todo tipo de coisa. essa rua Tristam Narvaja, aliás, é uma rua cheia de sebos, de livrarias, uma coisa assustadora. nem entrem em nenhuma que era pra não ficar tentada, já que minha mochila vai nas minhas costas e minhas costas pobrezinhas não querem saber de livro.

o centro velho na verdade não achei grande coisa; tem uma feirinha de artesanato no sábado, um monte de restaurante pra turista e o mercado do porto, que basicamente é um monte de restaurante pra turista. quem vai pra cidade no espírito restaurante pra turista tem que ir lá, sem dúvida. eu fiquei com um lugar na ponta do mercado que vende empanadas (fritas) mui baratas e ricas. aí sim recomendo.

artigas num dia de névoa

artigas num dia de névoa

dia chuvoso no centro velho.

dia chuvoso no centro velho.

outra que vale a pena é subir o prédio da intendência. você retira o ingresso numa casinha de informação turística ali em frente e sobe o elevador panorâmico. é de graça; ali em cima se vê toda a cidade, e tem toda a informação das construções e da história.

vista do prédio da intendência

vista do prédio da intendência

do turismo brasileiro típico, que é comer e comprar, não posso dizer muito para além das feiras e da busca por empanadas boas e baratas. posso dizer que o tal do chivito é um sanduba de carne e grande coisa um sanduba de carne. no meu caso a boa era procurar as rotisserias que vendem comida semipronta, e tem umas tortas de verdura baratinhas e teoricamente saudáveis.

dias frios em Montevidéu

fiquei pouco mais de duas semanas em Montevidéu por querer conhecer a cidade com calma. cheguei de Punta del Este e fui direto de ônibus urbano desde a rodoviária (terminal em espanhol, que é palavra feminina, ao contrário de terminal de computador que é masculina) até a altura da praça da intendência (tipo a prefeitura), na avenida 18 de julho (que seria a avenida principal da cidade). de lá fui caminhando até o hostel Dolce Vita. e naquele momento o mais importante era que o hostel tivesse televisão pra ver os jogos da copa.

e feito: fora um colombiano meio mala que estava sempre assistindo aos jogos, missão cumprida.

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também dia de jogo do Uruguai na praça da intendência.

o bairro ali é antigo, mui simpático, mais ou menos perto da rambla (a costaneira), mais ou menos perto do centro e do centro antigo. Montevidéu é uma cidade grande pequena, que se jogar em cima do mapa de São Paulo cai com periferia e tudo mais ou menos em cima da zona oeste contida do lado a leste do rio. e poucas ladeiras, senão que há uma parte um pouco mais alta da cidade e outra mais baixa que beira o Rio da Prata (é rio, não é mar, mas dizem que sim a água é mei salgada).

caminhando pelo bairro.

caminhando pelo bairro.

depois veio amiga de São Paulo e nos instalamos noutro hostel, o Contraluz, que fica pertinho da rambla e do parque Rodó. ali não tinha televisão mas a gente ia em qualquer bar pra ver os jogos, e inclusive foi num desses bares que vimos a fatídica vitória alemã sobre o Brasil.

“ya pasaran cosas peores” disse o chileno depois do jogo.
“que cosas?!” eu, indignada.
“ah, sí… la verdad que no.”

em Montevidéu que comprei minha garrafinha térmica e meu mate, e só não saía todos os dias pela rua com o mate e a garrafa debaixo do braço porque muito mate dá vontade de fazer xixi e não sei como esses uruguaios lidam com essa questão. ainda assim o frio às vezes convidava a sair com o mate e ficar no gramado de algum parque.

a turma nos dois hostels era muito simpática, e um monte de brasileiro e chileno organizando papelada pra morar no Uruguai. parece que a coisa é muito simples: o chileno me disse que era preencher um formulário, levar foto 3×4 e o documento. pode ser exagero, mas a coisa é mais ou menos assim com algum enrosco de burocracia que sempre há. um rapaz e uma moça brasileiros que estavam buscando casa pra alugar (e que conseguiram uns dias antes de eu ir embora).

enfim Montevidéu como cidade grande mui simpática, com seus recantos verdes e a orla pra te fazer esquecer a correria urbana. sem dúvida cidade mais tranquila que Buenos Aires, a vizinha-irmã argentina do outro lado do rio.

notas de um passeio por Montevidéu

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:: o tamanho das casas que constroem esses periquitos meu deos.

:: os uruguaios de boina e colete e el termo debaixo do braço, o mesmo braço cuja mão leva o mate (procurar comercial indicado pelo Pepe sobre as coisas que o uruguaio sabe fazer só com uma das mãos), que é porque são uns bichos muito práticos e sempre têm livre a outra mão (senão para despejar mais água no mate, meter a garrafa debaixo do braço e passar o mate ao amigo que caminha ao lado). a pergunta que não cala como encontram esse encaixa ideal que a garrafa não escorrega por esse tecido grosso e liso da jaqueta sintética, as muitas camadas de roupa que impedem a sensibilidade da força necessária para manter el termo no lugar.

:: passarinho gordo que se aproxima insuspeitamente e não se incomoda que eu me mova para vê-lo melhor inclusive passa por baixo das minhas pernas com se um portal na direção do sol. desajeitado ainda as patas que grudam nas folhas secas a palha das palmeiras feito esses adolescentes com pouca desenvoltura corporal que aos tropeços morrem de vergonha de passar na frente dos grupos de colegas (mas esse o passarinho gordo rei de seu território solitário inspecionando o gramado).

:: esse frio gelado que substitui instantaneamente o calor do sol quando uma nuvem cirrostratus metida a altostratus inconveniente bloqueia sutilmente a luz.

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:: o problema da cirrostratus é esse potencial para a dispersão e domínio dos céus.

:: a pomba é que não é um bicho nada sutil.

:: essas árvores desfolhadas como se esquecidas abandonadas há séculos, tão imóveis, tão estáticas (de onde essa ideia de que a imobilidade pode ser mais gritando, mais imóvel, mais eterna, quanto mais tempo o esquecimento e o abandono daquele que não pode se mover sozinho).

:: um passarinho (aquele o passarinho gordo) que sobe na mesa do parque, solta um piu a menos de meio metro da minha cara e vira-se para caminhar até o outro lado, disfarçando e te encarando meio de lado, meio desconfiado. na ponta da mesa outro piu e ele salta de volta ao chão para retornar sua busca pelas sementes que o vento trouxe.