olivia maia - escritora desterrada.

tag: personagens

um personagem chamado Janderson

não sei como isso aconteceu.

mas agora tem um tal de Janderson nas páginas do livro que estou escrevendo.

e olha: capaz esse nem seja seu nome verdadeiro. parece que ele tem muitos nomes.

mas se ficamos nesses nomes de classe média 1990 Eduardo e Mônica chega uma hora os personagens parecem todos a mesma pessoa.

mas Janderson, será? precisamos mesmo de um Janderson?

14 coisas sobre o livro que comecei a escrever

por um ponto de partida:

  1. é o primeiro livro de uma trilogia (ou sabe-se lá quantos livros mais vou emendar nessa brincadeira) que gira de alguma forma em torno do futebol (quer dizer, se for pensar no TRÉGUA, esse vai ser o segundo de uma quadrilogia, então enfim);
  2. não tenho título (nunca tenho título);
  3. são dois amigos jogadores de futebol: um goleiro e um zagueiro, do mesmo time, ambos convocados para jogar na seleção brasileira na copa de 2014;
  4. o goleiro tem mais de dois metros de altura (a vida é meu tanque de areia);
  5. o goleiro queria enlouquecer, de uma vez;
  6. o goleiro se chama Tarciso;
  7. o zagueiro é um tipo meio cínico meio agressivo que toma o tempo todo uma mistura de uísque (acho) e codeína (acho) desde que precisou ficar afastado por causa de uma lesão no tornozelo, e meio metido a literato por causa de uma irmã professora de literatura;
  8. o zagueiro é o narrador;
  9. o zagueiro se chama Bernardo;
  10. junto deles está Emília, trainee de marketing na empresa que é a principal patrocinadora do time;
  11. Emília pensa em largar o emprego e o marketing e desaparecer;
  12. a história começa quando os três viajam para Fortaleza para filmar um comercial de uma promoção para a copa do mundo, greves nos aeroportos os obrigam a ficar mais um tempo e resolvem alugar um carro para conhecer as praias no entorno da capital;
  13. nunca enlouquecer pareceu tão tentador e nunca desaparecer pareceu tão fácil;
  14. claro que o Bernardo vai fazer alguma merda.

claro que eu ainda não descobri o que o Bernardo vai fazer de merda, mas enfim. já estou descobrindo que ele é bem capaz de fazer muita merda. acho que não preciso me preocupar.

detalhes.

pensando agora no TRÉGUA e no fato de que o último livro planejado para essa série de livros vai ter como título GUIA (olha, já tenho um título!), talvez eu deva procurar títulos de uma palavra só. não sei se é mais fácil ou mais difícil ou impossível.

mais uma vez um começo

comecei a escrever meu próximo livro e de repente me saíram quase duas páginas. não sei se presta, ainda mais porque o narrador me veio com

Juro que não queria começar a contar essa história desse jeito.

e se eu achava que ainda sabia muito pouco sobre esses personagens, descobri logo que esse Bernardo é um tipo muito enrolado. se não tomar cuidado vão dez páginas sem que a história tenha começado de fato. isso que dá jogador de futebol metido a literato que com certeza leu mais Machado do que deveria.

eu e meus narradores verborrágicos.

os outros dois Tarciso e Emília por enquanto estão discutindo na distância e não se sabe muito bem por quê.

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constatação sobre personagens

que todo personagem precise de algo de obsessão, ou medo, ou neurose extrema e desespero, que coincida ou não com a motivação para narrativa, mas que de qualquer forma participe dela ou a modifique, a dificulte, a impeça até o ponto em que se é impossível voltar atrás ou desistir.