olivia maia - escritora desterrada. meio artista.

tag: praia

primeira semana de novembro, Costa dos Corais, Alagoas

aí que Maragogi não era grande coisa, embora a praia e as piscinas naturais e toda a publicidade etc. a cidade em si era bem feiosinha.

um paraibano em Gaibu tinha mencionado uma tal Japaratinga. depois em Maragogi ouvimos outra vez o nome da boca de um tipo que queria vender passeio de barco.

o francês sugeriu seguir até Japaratinga, já que eram só mais dez quilômetros.

aí, paf: cidadezinha tranquila, ruas de paralelepípedo, praia de água verdinha, gente simpática. caminhamos por sondar preços de hospedagem e 100 reais, 160 reais… sabe onde fica a pousada do seu Manuel?, pergunto ao dono de um restaurante, lembrando o nome indicado pelo paraibano. Manuel? será que não é Marcílio? ele indica o caminho. quando chegamos, topamos com mais um dono de hospedagem ex-mochileiro. o preço do quarto, em pousadinha simpática com cozinha comunitária: quarenta e cinco reais.

vá lá que seu Marcílio não é exatamente um primor no quesito ordem da área comum da pousada, mas quarto e banheiro estão limpinhos e já estamos bem contentes.

voltamos no dia seguinte com mochilas em uma viagem de 100km que levou aproximadamente quatro horas e quatro ônibus.

ufa.

à tarde ainda conhecemos os donos de uma das agência de mergulho: um uruguaio casado com uma brasileira (Alejandro e Alexsandra). passamos bom tempo conversando com eles, e quando dissemos que estamos pensando em parar em algum lugar como aquele, os dois já têm mil sugestões de coisas que podemos fazer naquela cidade, inclusive indicando a gente pra não sei quem e não sei quem mais e posso imprimir aqui pra você um cartão de visitas etc.

não sei se o lugar pra parar é esse. não importa. tenho uma vontade terrível de ficar alguns meses em Lençóis, na Chapada Diamantina, e ver se aparece alguma coisa e me diz pra ficar. mas são esses pequenos detalhes indicando que há um caminho, e você está nele.

ou:

que aconteçam as coincidências não me surpreende.

o incrível é traçar em retrospecto o caminho que nos levou até ali, que é talvez uma forma de valorizar cada micro-passo que a gente dá, cada pequena decisão, cada mudança de ideia. o peso enorme de tudo isso no momento atual, único momento possível. que as coisas ruins são parte do caminho pras coisas boas, e vice-versa, sem parar.

e que você tenha nascido afinal é uma tremenda coincidência.

vinte e três de outubro, praia de Gaibu, Pernambuco

topamos com a praia de Gaibu porque não conseguíamos encontrar nenhum outro lugar pra parar pelo caminho entre a Paraíba e a Bahia. tudo caro, tudo turismo-veraneio de fim de semana, tudo longe do nosso alcance. Oliver estava olhando cidade a cidade no mapa e chegou em Gaibu: “aqui em hostel, deve ser um lugar pra mochileiros também”. no final das contas nem ficamos em hostel, mas sim nesse lugarzinho que tinha cozinha e era o mais barato de todos.

fomos conversando com a dona do lugar por whatsapp pra acertar a hora da chegada, avisar a hora que subíamos no ônibus, dizer que o ônibus de Recife a Cabo de Santo Agostinho ia sair atrasado etc. nessa você já saca uma boa vontade de comunicação que cresce quando enfim chegamos, umas cinco horas depois de sair de João Pessoa, com o sol já enviesando no horizonte.

é um casal: ela pernambucana, ele francês. ele se oferece pra levar minha mochila pra lembrar do tempo em que era mochileiro. já começamos aí falando a mesma língua. eles caminham com a gente até a pousada, na verdade um espaço com algumas suítes-chalés e uma área de cozinha ao fundo. tudo gramado, colorido.

eles nos deixam no nosso quarto e dizem que podemos passar depois na casa deles pra acertar o que falta pagar e conversar sobre a possibilidade de ficar mais (a ideia era ver se rolava um bom preço pro feriado). a cozinha não tem fogão mas ele nos empresta um fogãozinho elétrico e diz que podemos usar.

depois passamos na casa deles, entramos e ficamos ali batendo papo sobre viagens e a dificuldade de ser mochileiro naqueles lados do nordeste, em que as pessoas do turismo só têm interesse no tipo classe média ou alta que quer as paradas muito bem organizadas com piscina e serviço de quarto. o francês diz: vou quebrar teu galho. e diz que nos aluga a suíte em cima da cozinha por um preço que dava pouco mais da metade do valor da diária nas suítes normais — o quarto é um que ele ainda não terminou de arrumar pra transformar em dormitório coletivo. a gente põe o colchão no chão, mas tem mosqueteiro e de resto vai estar tudo arrumadinho.

ele também foi equipando a cozinha, que só tinha aparelho pra fazer sanduíche: botou fogãozinho, liquidificador, panelas. só pra gente. no domingo saímos juntos pra caminhar e os dois nos mostraram as trilhas pra ir caminhando às praias vizinhas. na volta, almoçamos na casa deles. ele propôs que a gente dividisse o combustível e visitasse num dia de semana a praia de Maragogi, no Alagoas, a 80 km dali — era uma das praias que a gente tinha desistido de visitar porque não encontrou hospedagem por preço aceitável. acho que Maragogi pode ser um bom lugar pra vocês.

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esse texto foi originalmente publicado como parte de uma das edições da minha newsletter. se ainda não assina, é só inscrever seu e-mail aqui no blog.

vinte e dois de outubro, praia de Tambaba, Paraíba

garganta ruim desde Pipa, deixamos de ir a Tambaba nos primeiros dias de João Pessoa porque eu queria me recuperar um pouco. o plano inicial ainda teria sido passar alguns dias naquela região, mas era tudo muito caro ou muito isolado, e sem carro era melhor mesmo conseguir transporte pra curtir um dia.

fizemos o percurso completo: ônibus até o terminal e “alternativo” (táxis coletivos que fazem o mesmo caminho do ônibus e cobram o mesmo preço por pessoa) até a praia de Jacumã. esse mesmo taxista ainda disse que nos levava até Tambaba por um preço camarada (de Jacumã a Tambaba não tem transporte). topamos. quando chegamos ele quis sugerir um preço pra nos buscar, mas a coisa começou a ficar cara demais. resolvemos que a volta a gente via como fazer depois.

a praia de Tambaba fica num meio de nada. tem um camping, umas banquinhas de artesanatos, dois restaurantes na praia, que é curtinha. ao final dela uma entrada avisando que ali começava a parte naturista da praia. se quisesse entrar, tinha que tirar a roupa.

cruzamos a passagem até o outro lado de Tambaba e seguimos o script. essa parte da praia é um pouco maior, com ondas mais agressivas. bem no meio, uma pousada naturista, uns guarda-sois e um belo punhado de gente — só entram casais, mulheres desacompanhadas e homens que tenham um tal de passaporte naturista — andando pela praia ou tomando sol sem roupa.

encontramos uma sombra de árvore e passamos a manhã por lá.

em um momento que estávamos tirando fotos (pode tirar foto de si próprio e da paisagem, só não pode tirar foto dos outros, obviamente) o Oliver pediu a dois homens — um casal — que tirassem nossa foto. eles foram mui simpáticos, tiraram a foto, seguiram seu caminho, voltamos a nossa sombra.

quando decidimos ir embora, paramos ali pelo estacionamento e fomos sondando as pessoas que iam sair de carro se tinha lugar pra mais dois, se nos levavam até Jacumã ou João Pessoa. uns dois primeiros tinham o carro lotado, e o Oliver estava conversando com um tipo que queria cobrar alguma coisa quando vi o tal do casal simpático — dessa vez com roupa — saindo da praia e seguindo ao estacionamento.

falei com eles, perguntei se tinha lugar pra mais dois no carro, se iam a Jacumã ou João Pessoa. “ah, vocês que tinham pedido pra gente tirar foto”; aparentemente de roupa ficou difícil reconhecer. disseram que iam a João Pessoa sim, tinha lugar, mas antes iam passar na praia de Coqueirinho, vocês se importam?

e mais uma vez por acaso encontrar gente com a mesma pilha, a mesma busca, as mesmas ideias. eram de Santa Catarina, moravam em Belo Horizonte e um deles trabalhava com turismo e conhecia mui bem a região de Aparados da Serra (entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul), e se ofereceu pra dar todas as dicas caso a gente resolvesse passar por lá.

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esses dias de arraial d’ajuda

porque de Arraial do Cabo e Barra de São João (onde nos escondemos pra páscoa) fugimos direto pra Bahia.

foi uma viagem loooonga de Unamar (ali do outro lado do rio São João) a Vitória e de Vitória a Porto Seguro. quase 24 horas de ônibus e espera. chegamos mei muertos. mas ok. hotel e pousada mais ou menos barato tem aos montes em Porto Seguro e já paramos num com piscina e tudo.

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mas hotel não é muito nossa praia e passamos dois dias caçando uma quitinete ou algo próximo a isso pras três semanas seguintes. TRÊS SEMANAS num só lugar estamos aqui dando saltos de alegria.

porque logo desistimos de Porto Seguro e resolvemos fuçar uns hostels em Arraial porque o importante é ter cozinha e um ambiente simpático. acontece que Arraial é muito gracinha e foi tipo amor à primeira vista.

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meio sem querer encontramos o hostel-pousada Alto Mar ali passando a igreja escondido no fim da rua e um papo com os donos, Denise e Douglas, mais o preço que era o que a gente queria, bastou pra saber que era ali mesmo nossa próxima casinha. paf. dia seguinte (essa última segunda-feira) cruzamos o rio outra vez e voltamos ca’s mochila tudo.

agora a alegria de viajante cansado: brincar de rotina. e rotina é estudar de manhã (eu alemão, Oliver português), almoçar e ir pra praia (ou talvez almoçar na praia). depois um café, comprar a janta, cozinhar, curtir um tempo livre, dormir.

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a língua alemã é um bicho que me faz pensar em aulas de física mas acho que estou aprendendo, aos poucos.

amanhã a gente vai no parque aquático ecológico que tem aqui. hip hip. ou seja: já bagunçando a rotina. mas aproveitar e ir antes do feriado. e estou terminando a newsletter pra mandar antes do fim da semana. e meter nessa rotina o tempo pra escrever mas é que estudar idioma é tão divertidinho.

correndo atrás do sol

porque foi descer do ônibus em cabo frio às oito da manhã da última quinta-feira e saber que pelo menos parte do que a gente estava procurando a gente já tinha encontrado: o calor.

aí ônibus de linha pra arraial do cabo e parada no camping. um camping caro e bem sem vergonha, mas é o que tinha.

nossa barraca nova é grande e parece uma casa por dentro. tem até espaço sobrando. a guardar a comida e tudo. até compramos um kit de frescobol pra ocupar espaço lá dentro.

pena que durante o dia não dá pra ficar dentro dela porque: calor.

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mas durante o dia a gente vai pra praia mesmo.

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duas noites atrás teve uma chuva na madrugada com vento e violência e eu nem dormi porque parecia que a barraca ia colapsar a qualquer momento. às quatro da manhã a chuva parou, a barraca estava só um pouco molhada por dentro perto da porta e nas bordas, a gente ainda estava seco e finalmente dormi um pouco (até o sol cretinamente sair e fazer a barraca virar um forninho outra vez).

aí que vamos bem por aqui nos preparando pra algo que ainda não sabemos o que é e buscando lugares pro caminho e praticando frescobol que obviamente é muito mais divertido que fazer abdominais (e deixa dolorido igual).