olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

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14 coisas sobre o livro que comecei a escrever

por um ponto de partida:

  1. é o primeiro livro de uma trilogia (ou sabe-se lá quantos livros mais vou emendar nessa brincadeira) que gira de alguma forma em torno do futebol (quer dizer, se for pensar no TRÉGUA, esse vai ser o segundo de uma quadrilogia, então enfim);
  2. não tenho título (nunca tenho título);
  3. são dois amigos jogadores de futebol: um goleiro e um zagueiro, do mesmo time, ambos convocados para jogar na seleção brasileira na copa de 2014;
  4. o goleiro tem mais de dois metros de altura (a vida é meu tanque de areia);
  5. o goleiro queria enlouquecer, de uma vez;
  6. o goleiro se chama Tarciso;
  7. o zagueiro é um tipo meio cínico meio agressivo que toma o tempo todo uma mistura de uísque (acho) e codeína (acho) desde que precisou ficar afastado por causa de uma lesão no tornozelo, e meio metido a literato por causa de uma irmã professora de literatura;
  8. o zagueiro é o narrador;
  9. o zagueiro se chama Bernardo;
  10. junto deles está Emília, trainee de marketing na empresa que é a principal patrocinadora do time;
  11. Emília pensa em largar o emprego e o marketing e desaparecer;
  12. a história começa quando os três viajam para Fortaleza para filmar um comercial de uma promoção para a copa do mundo, greves nos aeroportos os obrigam a ficar mais um tempo e resolvem alugar um carro para conhecer as praias no entorno da capital;
  13. nunca enlouquecer pareceu tão tentador e nunca desaparecer pareceu tão fácil;
  14. claro que o Bernardo vai fazer alguma merda.

claro que eu ainda não descobri o que o Bernardo vai fazer de merda, mas enfim. já estou descobrindo que ele é bem capaz de fazer muita merda. acho que não preciso me preocupar.

detalhes.

pensando agora no TRÉGUA e no fato de que o último livro planejado para essa série de livros vai ter como título GUIA (olha, já tenho um título!), talvez eu deva procurar títulos de uma palavra só. não sei se é mais fácil ou mais difícil ou impossível.

mais uma vez um começo

comecei a escrever meu próximo livro e de repente me saíram quase duas páginas. não sei se presta, ainda mais porque o narrador me veio com

Juro que não queria começar a contar essa história desse jeito.

e se eu achava que ainda sabia muito pouco sobre esses personagens, descobri logo que esse Bernardo é um tipo muito enrolado. se não tomar cuidado vão dez páginas sem que a história tenha começado de fato. isso que dá jogador de futebol metido a literato que com certeza leu mais Machado do que deveria.

eu e meus narradores verborrágicos.

os outros dois Tarciso e Emília por enquanto estão discutindo na distância e não se sabe muito bem por quê.

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escreve escreve escreve

desde mais ou menos agosto de 2011 escrevendo meu próximo livro esse com patrocínio da Petrobras. também trabalhando uma média de 10 horas por dia o que mata um pouco minha capacidade de escrever. reservo os fins de semana loucamente (menos as manhãs de domingo, quando vou jogar tênis).

plano é terminar o livro até agosto deste ano. por ora, 1/3 escrito, mais ou menos, mas os personagens começaram a se mexer sozinhos, o que já me facilita bastante a vida. julho será inteiramente dedicado a esse livro e aí, enfim, capoft.

começo possível para um livro embrião

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Às vezes penso que eu podia enlouquecer. Num ímpeto de desprendimento deixar de me importar com as coisas, com as pessoas, com as tabelas e as matemáticas e deixar o mundo acontecer. Me livrar dessa tensão, essa atenção, todo tempo, desamarrado de um eterno estado de alerta. Sim: que enlouquecer fosse a solução para todos os meus problemas, porque afinal só temos problemas quando nos importamos com eles. Era; isso: enlouquecer. Ensaio alguma coisa de frente para o espelho e imagino-me falando sozinho pelas calçadas. Mas é difícil enlouquecer quando se é uma pessoa pública. Quando qualquer desvio da norma já é motivo de questionamento e especulação e deve ser o estresse da temporada etc. Fica difícil enlouquecer aos poucos quando se é uma pessoa pública; fica fácil acreditar que, sim, é o estresse da temporada, por que não? A única saída é enlouquecer de vez, sem escala, sem alguns dias de falar sozinho e esquecer quem sou onde estou quem é você para depois voltar ao normal depois de algum tempo de afastamento e repouso. Sem dar tempo de ser salvo; não quero ser salvo. Quero enlouquecer de uma vez por todas, sem volta.

tão embrião que só o começo, rabisco.