olivia maia - escritora desterrada. meio artista.

tag: projetos

bolívia!

passagens compradas, seguro-viagem, roupa pra frio de menos vinte graus, meias, mochila, coragem.

dia 15 fujo pra Bolívia e volto dia 30 depois de percorrer o altiplano: Sucre, Potosí, Uyuni e Salar de Uyuni, depois Oruro, La Paz e Copacabana.

ufas.

ansiedade pouca.

atendente da vivo mui camarada me sugeriu comprar um chip pré-pago de uma operadora de celular local pra usar plano de dados. aí não precisa caçar lanhouse só pra dizer pro meu pai e pra minha mãe que estou viva. pareceu ideia razoável. e ainda dá pra fazer uns postzinhos por aqui antes de dormir.

vou atrás dos personagens desse meu novo livro que comecei a escrever e ainda revisões de primeira versão do primeiro capítulo que escrevi um pouco às pressas pra enviar ao edital do Programa Petrobras Cultural. pretendo, quando começar a escrever pra valer, fazer outra vez aquele página a página no twitter, porque me diverti um monte; dá uma sensaçãozinha de dever cumprido e produtividade. por ora, é conhecer o cenário do livro e ver se topo com o médico desaparecido que sumiu no deserto de sal boliviano. ou, enfim, personagens. nunca se sabe. que a única coisa realmente fixa do meu roteiro é estar no aeroporto de La Paz às 20h do dia 29.

ae ae.

do fim do livro

, ,
Dell_screenshot027

283 páginas (na imagem 284 porque eu adicionei uma folha de rosto).

(e as epígrafes).

terminei de escrever o livro. em três meses. ficou lindinho.

preciso agora dar um título pro filho, mas sou péssima pra título e ainda não me veio nenhum que me agradasse de verdade. pensei em DE ESPELHOS E ECOS (e variações possíveis) ou ARQUIBANCADA (horrível). seria bom se conseguisse de algum jeito misturar a ideia de que os personagens trabalham numa agência de investigação particular com o futebol que está por todos os lados. waaah!

das pesquisas para o livro

porque claro que ficção e eu podia inventar as coisas do jeito que bem entendesse mas eu tenho assim uma certa mania com coisas que têm lógica e fazem sentido, e às vezes é mais fácil se apoiar na realidade do que numa invenção que pode escapar da memória. aí que pra certas partes do livro fui à caça internet afora de certas informações que vez ou outra consulto ali na minha pastinha de temp, porque o Téo também sabe ser um tipo mei obsessivo e decora as coisas mais absurdas.

algumas das páginas:

sobre a final da segunda divisão [link indisponível] do campeonato argentino em 1985 (poooo, mor trabalho achar isso aqui).
tabelas e resultados de todos os jogos da segunda divisão do campeonato argentino de 1985 (esse site é um troço incrível).
informações sobre fuvest de 1987, com manual e tudo.
imagens de camisas do Racing desde 1961 (exagero, mas o Téo é um exagerado).

melhor mesmo é quando as datas dessas pesquisas batem direitinho com o meu planejamento, quando ficção e realidade se encontram, e saber que capaz estar andando por aí dia desses na avenida Paulista e topar com um desses meus personagens saindo de algum cinema.

aí tem também meu consultor jurídico-policial e minha leitora-beta #1 pra fazer os brainstorms quando o cérebro sozinho fica com preguiça.

e o livro continua sem título.

capoft.

algumas anotações soltas sobre o livro que estou escrevendo

agora 170 páginas. mezzo encaminhado para o final. quer dizer, hora de parar de causar problema e começar a pensar em resolver o que pode ser resolvido.

é que já sei o final. mais ou menos. não sei ainda como é que vai tudo se dar até chegar nesse final.

tem um personagem que ficou rondando o livro inteiro e ainda não apareceu, e está querendo aparecer de qualquer jeito. vai aparecer, sim, daqui dois capítulo e até já sei qual a primeira coisa que ele vai dizer, que vai ser como se já estivesse no livro o tempo todo (calma, meu filho), mas de qualquer forma ele já está fazendo uma barulheira danada na minha cabeça.

as melhores ideias são as que não anoto. as menos burocráticas; quando as coisas se encaixam e aí anotar pra que, se já tudo caminha para isso.

penso às vezes que estou escrevendo esse livro só pra mim. que na verdade ele não vai interessar a mais ninguém. pode até ser.

preciso começar a pensar num título. por ora a pasta onde guardo o arquivo de texto se chama agência (porque os personagens trabalham numa agência de investigações) e o arquivo de texto se chama téo (porque o personagem principal se chama Juan Teodoro e, sim, ele me odeia por isso).

epígrafes

, , ,

as duas epígrafes para o livro que estou escrevendo:

Tudo seria como uma inquietação, uma falta de sossego, um desarranjo contínuo, um território onde a causalidade psicológica cederia, desconcertada, e esses fantoches se destruiriam ou se amariam ou se reconheceriam sem suspeitar demasiado de que a vida procura trocar a clave deles e através deles e por eles, de que uma tentativa ainda pouco concebível nasce no homem da mesma forma como outrora foram nascendo a clave-razão, a clave-sentimento, a clave-pragmatismo. Que a cada sucessiva derrota há uma aproximação da mutação final, e que o homem não é, mas procura ser, projeta ser, algemado entre palavras e comportamento e alegria salpicada de sangue e outras retóricas como esta.

Julio Cortázar
Jogo da amarelinha, capítulo 62

Assim, profissionalmente, assim em todos os planos; aquela que teme a violação profunda de sua vida, a invasão na ordem obstinada de seu abecedário, Hélène que só entregou seu corpo quando tinha a certeza de que não a amavam, e só por isso, para deslindar o presente e o futuro, para que ninguém subisse depois para bater à sua porta em nome dos sentimentos.

Julio Cortázar
62 Modelo para armar