olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

pra que lado manda a sorte

vê: a ideia era voltar pra Fiambalá: simplificar.

o rapaz da aduana nos disse que podíamos esperar do outro lado da barreira onde não tinha vento e quando alguém topasse nos levar ele fazia os trâmites pra gente. ou seja: ainda não havíamos entrado na Argentina.

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chegamos ali um pouco antes das 9h. por volta das 11h o único carro que havia passado era um que ia em direção ao Chile com dois casais (franceses) e um rapaz adolescente (carro cheio). ninguém em direção a Catamarca.

só o vento.

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atrás desse carro (que já estava ali enrolado com trâmites quase uma hora) pararam enfim dois caminhões com placa chilena no rumo ao Chile. mas o plano era voltar, né. não dissemos nada. os dois passaram pra fazer os trâmites e continuamos esperando.

vimos enquanto os dois rapazes da aduana explicavam aos caminhoneiros o procedimento de esconder um tipo de falsa cocaína no caminhão e fazer os cachorros farejadores (dois labradores negros mui simpáticos) encontrarem pra depois buscarem se há alguma outra coisa de droga em algum lugar. um dos caminhoneiros achou tudo mui divertido (depois saberíamos que era a primeira vez que cruzava a fronteira) e filmou a brincadeira.

enquanto isso o outro se aproximou e perguntou pra onde íamos.

“pra onde nos levem,” o Fernando disse.

o caminhoneiro disse que nos levava ao Chile, e depois mui direto perguntou se tínhamos droga ou maconha ou qualquer porcaria que fosse dar problema na aduana chilena. e se não então eu levo, estou indo pra Diego Almagro e depois subo pra Antofagasta e cruzo de novo pra Argentina e aonde vocês querem ir?

nosso plano chileno incluía a praia (na verdade não incluía muito mais além de cruzar a fronteira), e o caminhoneiro disse que nos levava, sem problema, vocês nem tem tanta bagagem. conversamos um pouco (ele disse que o colega ia atrás dele porque era primeira vez dele na Argentina e que iam acabar parando pra tirar fotos das paisagens pelo caminho) enquanto os cachorros encontravam a falsa cocaína e alegres e contentes ganhavam agrados e uma bolinha de tênis pra brincar.

nos despedimos do rapaz da aduana que mas vocês não iam pra Fiambalá? e subimos ao caminhão (que gigante a cabine meu deus tem uma cama atrás dos bancos com televisão e geladeira).

a sorte quis nos mandar ao Chile.

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