vinte e três de outubro, praia de Gaibu, Pernambuco

topamos com a praia de Gaibu porque não conseguíamos encontrar nenhum outro lugar pra parar pelo caminho entre a Paraíba e a Bahia. tudo caro, tudo turismo-veraneio de fim de semana, tudo longe do nosso alcance. Oliver estava olhando cidade a cidade no mapa e chegou em Gaibu: “aqui em hostel, deve ser um lugar pra mochileiros também”. no final das contas nem ficamos em hostel, mas sim nesse lugarzinho que tinha cozinha e era o mais barato de todos.

fomos conversando com a dona do lugar por whatsapp pra acertar a hora da chegada, avisar a hora que subíamos no ônibus, dizer que o ônibus de Recife a Cabo de Santo Agostinho ia sair atrasado etc. nessa você já saca uma boa vontade de comunicação que cresce quando enfim chegamos, umas cinco horas depois de sair de João Pessoa, com o sol já enviesando no horizonte.

é um casal: ela pernambucana, ele francês. ele se oferece pra levar minha mochila pra lembrar do tempo em que era mochileiro. já começamos aí falando a mesma língua. eles caminham com a gente até a pousada, na verdade um espaço com algumas suítes-chalés e uma área de cozinha ao fundo. tudo gramado, colorido.

eles nos deixam no nosso quarto e dizem que podemos passar depois na casa deles pra acertar o que falta pagar e conversar sobre a possibilidade de ficar mais (a ideia era ver se rolava um bom preço pro feriado). a cozinha não tem fogão mas ele nos empresta um fogãozinho elétrico e diz que podemos usar.

depois passamos na casa deles, entramos e ficamos ali batendo papo sobre viagens e a dificuldade de ser mochileiro naqueles lados do nordeste, em que as pessoas do turismo só têm interesse no tipo classe média ou alta que quer as paradas muito bem organizadas com piscina e serviço de quarto. o francês diz: vou quebrar teu galho. e diz que nos aluga a suíte em cima da cozinha por um preço que dava pouco mais da metade do valor da diária nas suítes normais — o quarto é um que ele ainda não terminou de arrumar pra transformar em dormitório coletivo. a gente põe o colchão no chão, mas tem mosqueteiro e de resto vai estar tudo arrumadinho.

ele também foi equipando a cozinha, que só tinha aparelho pra fazer sanduíche: botou fogãozinho, liquidificador, panelas. só pra gente. no domingo saímos juntos pra caminhar e os dois nos mostraram as trilhas pra ir caminhando às praias vizinhas. na volta, almoçamos na casa deles. ele propôs que a gente dividisse o combustível e visitasse num dia de semana a praia de Maragogi, no Alagoas, a 80 km dali — era uma das praias que a gente tinha desistido de visitar porque não encontrou hospedagem por preço aceitável. acho que Maragogi pode ser um bom lugar pra vocês.

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