caridosos chilenos

o plano era se meter um pouco no shopping de La Serena e comprar umas botas novas, já que no Chile essas coisas são mais baratas e minhas botas já não têm mais sola. saímos até que cedo do hostel (tipo umas nove e meia) e seguimos o caminho da roça; digo, da praça.

aí que Fernando é o maluco dos mapas e nos metemos no escritório de informação turística (que havia estado fechado no domingo), onde a mocinha nos deu um mapa, nos deu informações de hospedagem no Valle de Elqui (não usamos), nos falou sobre Coquimbo e comentou que sim, é interessante, vale a visita etc.

eu não estava assim tão convencida porque vista da praia de La Serena a cidade de Coquimbo parece um amontoado de casas velhas.

de qualquer forma saímos e… bueno, vamos a Coquimbo?

(que era mais ou menos a forma que aparentemente tínhamos de decidir as coisas.)

caminhamos até a parada de ônibus e Fernando cruzou a rua pra cobiçar qualquer coisa numa padaria.  eu fui atrás e já tá com fome? ou é angústia? no que ele respondeu que era angústia e voltamos à outra calçada pra esperar o ônibus.

aí que não passou muito tempo aparece do nada uma senhora que a alguns passos de distância me chama com um gesto mui suspeito, em voz baixa, como quem quer me contar um segredo. me pareceu um pouco… suspeito. perguntei o que era e ela insistindo pra que eu me aproximasse; dei um passo adiante e ela me pergunta se estamos com fome, que pode nos dar algo de dinheiro pra que compremos comida.

vinha o ônibus.

agradeci (que ia fazer?) e disse que não, não se preocupe, está tudo bem, muchas gracias etc. subimos no ônibus e enquanto Fernando exclamava sobre a caridosa senhora que génia, es una génia! me restou dar risada e pensar que estamos bem, estamos mui bem (e eu nem estava com minhas calças com o bolso descosturando, embora não vou dizer que minhas calças estavam em seu momento mais limpo).

a que ponto chegamos.