olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

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San Ignacio, Misiones

de Puerto Iguazu até San Ignacio sai ônibus a cada uma ou duas horas. são mais ou menos quatro horas de viagem; é sempre um mesmo ônibus que vai para Posadas.

o terminal de San Ignacio que fica mei longe de tudo, ali no lado esquerdo da pista enquanto a cidade toda está do lado direito, e mais ainda depois de uns seis quarteirões adentro; antes disso você ou entra pela avenida Sarmiento, a principal, ou por alguma das ruas de terra vermelha paralelas. o asfalto vai começar na altura do centro, depois desses seis quarteirões adentro.

eu caminhei até o Hostel El Jesuíta: umas dez quadras com uma leve subida e 12 quilos nas costas. não foi o fim do mundo, mas cheguei mei morta. o albergue é simples, pequeno e simpático. tem um café da manhã bem bonzinho e sai 82 pesos, que hoje em dia está como 20,50 reais. não tá mal.

cheguei umas quatro da tarde e achei melhor ficar quieta e descansando. caminhei um pouco, comi empanadas de queijo com cebola, comprei comida, conversei sobre futebol e a copa do mundo com a moça da recepção, tentei entender o espanhol da francesa da cama ao lado.

no dia seguinte, que eu teria inteiro, fui de manhã visitar as ruínas de San Ignacio Mini, das missões jesuítas. no museu uma moça veio dizer que sairia um tour guiado em inglês, e se eu entendesse inglês podia acompanhar. acompanhei. ela explicou sobre o funcionamento da missão e sobre o tipo de coisa de que os índios tinham que abrir mão, e o que enfim ganhavam se submetendo aos jesuítas. o lugar em si é gigantesco, e o que sobrou da igreja dá uma noção da megalomania daqueles padres.

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depois do almoço fui caminhar até uma tal Playa del Sol, distante uns três quilômetros do centro. cheguei junto de um grupo de três francesas e uma cachorra que estava antes passeando pelas ruínas. a praia é demais tranquila e resolvi ficar por ali lendo um pouco depois de uma meia hora de conversa com o cara que toma conta do lugar — claro que falamos sobre futebol e a copa do mundo.

o rio Paraná passa ali distribuindo umas ondinhas pela areia e enquanto batia o sol a brisa era fresca. eu era a única pessoa ali, à parte um suíço e um norueguês que estavam acampando mais pra cima.

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voltei antes que o sol começasse a ir embora e peguei uma carona com um agente de viagens de Puerto Iguazu até a casa do Horácio Quiroga, no caminho de volta. a casa em si não tem nada demais e não vale os 30 pesos cobrados pela entrada. me diverti mais com as duas meninas de uns 9 ou 8 anos que me levaram pra fazer o tour.

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no dia seguinte saí depois do café da manhã e tomei de volta o caminho de terra até o terminal. de lá saem ônibus pra Posadas de hora em hora, praticamente; aqueles mesmos que vêm de Puerto Iguazu.

álbum de fotos vem com atraso quando eu tiver internet de verdade.

Cataratas do Iguaçu: lado argentino x lado brasileiro

agora que já vi os dois lados vou deixar aqui meus pitacos sobre essa complexa discussão patriótica.

essa história de que o lado argentino é melhor porque de lá se vê o lado brasileiro é mor papo furado. do lado argentino a gente vê mesmo, e muito mais, o lado argentino mesmo. do lado brasileiro a gente vê também o lado argentino, bastante dele, em panorâmica; também se vê um meio que eu não sei de que lado está, então vamos deixar por isso mesmo.

os dois lados têm quatis.

2014-05-09 11.22.00

quatis brasileiros.

um quati argentino.

um quati argentino.

no lado argentino se tem uma ótima visão da Garganta do Diabo, que é a primeira das quedas, e aparentemente das mais altas e potentes. isso porque, claro, é uma garganta e um monte de água se concentra ali. do mirante não se consegue ver o ponto de contato da queda d’água com a base, tanta a água em gotículas que sobem loucamente, inclusive te molhando todo.

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garganta del diablo!

os outros circuitos também dão uma visão sensacional das outras quedas, menores, e não por isso menos interessantes. em alguns lugares a visão parece coisa de filme feito no computador. com sol, tem arco-íris pra todo lado. no circuito inferior, um dos pontos de mirante fica bem próximo à base de uma das quedas, e é hora de tirar a capa de chuva da mochila e se meter ali pra ficar pertinho da água (e todo molhado).

parece de mentira.

parece de mentira.

de braços erguidos tem uma Olivia.

de braços erguidos tem uma Olivia.

o lado brasileiro começa com uma panorâmica do que se vê mais de perto no lado argentino (nos circuitos superior e inferior). é incrível, claro, mas a sensação inicial é de que tudo está longe demais: o impacto inicial, sem dúvida, é menor. aos poucos, isso vai mudando: a trilha do parque no lado brasileiros vai fazendo crescer a proximidade com as quedas. desde o começo, uma “garoa” fina se faz onipresente. não é chuva não: são as cataratas.

primeira visão no circuito do parque brasileiro.

primeira visão no circuito do parque brasileiro.

em seguida se tem uma visão boa do rio depois das primeiras quedas, e de umas quedas laterais que não se podem ver no lado argentino. não estamos tão próximos, é verdade, mas já mais próximos do que no primeiro mirante, e um pouco mais molhados. com sol, arco-íris pra todos os lados!

vai ficando mais interessante.

logo vai ficando mais interessante.

aí chega a vez do mirante da Garganta do Diabo. ao contrário do lado argentino, ele se faz mais por baixo, e não se chega tão perto: ainda assim, tem-se uma visão mais completa da garganta. e dá pra se molhar com a água que vem das quedas mais próximas, numa ventania sem fim.

o mirante lá na ponta. claro que ali fica impossível tirar foto sem uma câmera à prova d'água.

o mirante lá na ponta: a garganta do diabo está metida ali pra esquerda. claro que ali fica impossível tirar foto sem uma câmera à prova d’água.

dito isso:

  • não sei qual foi MELHOR. o lado argentino é mais IMPACTANTE, e no brasileiro você vê mais coisa, mas mais de longe (por isso também o circuito é bem mais curto).
  • o preço (pra brasileiros) é praticamente o mesmo nos dois lados.
  • se quer levar de vez o CHOQUE das cataratas, vá primeiro ao lado argentino, direto à Garganta del Diablo; se quer fazer crescer a empolgação aos poucos até praticamente dar um abraço nas quedas d’água, melhor é começar pelo lado brasileiro.
  • vale ir nos dois lados e decidir por você mesmo qual lado é mais legal.
  • o parque argentino é maior, e você caminha bem mais; tem mais coisa pra ver, talvez porque a maior parte das quedas propriamente ditas estão do lado de lá. considerando o transporte de Foz até Puerto Iguazu, é passeio pra um dia inteiro e é melhor sair cedo (eu fui com um monte de gringo e por isso a gente teve que parar na imigração brasileira, o que fez demorar mais).
  • o parque brasileiro se faz em uma manhã; dá tempo de sair de lá e ir visitar o parque das aves do outro lado da rodovia.
  • não faça como eu que esqueci de levar o cartão de memória da câmera fotográfica (tirei e não devolvi) e só pude tirar fotos com o celular no lado brasileiro. ops.

turistando com os gringos (gringando em Foz do Iguaçu)

aqui no hostel em Foz do Iguaçu conheci uma turma legal: um casal de holandeses, um australiano e uma japonesa que cresceu na venezuela. fomos juntos visitar a usina de Itaipu (a Kanna, a japonesa, ainda não tinha chegado nesse dia) e as cataratas do lado argentino, em Puerto Iguazu.

decidimos fazer a visita técnica à usina, que é um pouco (bastante) mais cara, mas vale muito a pena. tomamos um ônibus do TTU e descemos na porta da binacional. tínhamos ligado do hostel pra fazer uma pré-reserva do horário da visita. aí era chegar e pagar: 64 reais por pessoa.

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primeiro assistimos a um vídeo que conta a história da usina e explica que cazzo quer dizer esse lance de binacional etc. aí entramos no ônibus com a guia pra seguir pra visita. primero as partes externas, as panorânicas. o tamanho daquele lugaré um troço monstruoso.

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a gente sobe pra ter também uma visão da represa e depois desce pra ficar ao lado daqueles tubos brancos que você vê na foto aí em cima. cada tubo desses recebe a água numa força que é metade da força das cataratas. pouco, né.aí entramos na usina pra conhecer o centro de controle, o corredor gigantesco em que ficam as turbina. o sala de controle fica bem na divisa “simbólica” (já que lá é território dos dois países) entre Brasil e Paraguai, e uma linha no meio marca a fronteira:

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e por último uma parte de uma das turbinas: um troço gigante girando numa velocidade absurda dentro de um buraco com um calor infernal:

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tem mais fotos da visita no álbum de Foz.

no dia seguinte tentamos acordar cedo pra ir pra Puerto Iguazu. no final das contas saímos já passava de nove da manhã. fomos trocar reais por pesos e fomor ao lado do TTU tomar o ônibus que cruza a fronteira. como estava com quatro estrangeiros, precisamos parar na aduana brasileira pra eles declararem saída. aí o motorista nos dá um vale-passagem e vai embora. temos que esperar o próximo ônibus depois das burocracias necessárias.

na aduana argentina o próprio ônibus para, todo mundo desce, passa pela imigração etc. o ônibus fica esperando. o cara que me atendeu me olhou meio desconfiado e perguntou — em mal português — quantos anos eu tinha. depois que respondi ele virou pro cara do lado: parece más pequeña, parece quince.

enfim.

de Puerto Iguazu pegamos no terminal um ônibus pro parque das cataratas. ufa ufa. chegamos era meio-dia.

à primeira vista o parque parece um labirinto.

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chegando.

perdemos o trem pra Garganta del Diablo mas um funcionário nos disse pra pegar um atalho pra estação seguinte. chegamos bem na hora e entramos no trem. chegando na estação, um caminho de mais ou menos um quilômetro construído por cima do rio leva, em meio a borboletas de todos os tipos e cores, até a principal atração do parque das cataratas argentinas: a visão da Garganta del Diablo.

caminhando sobre o rio.

caminhando sobre o rio.

chegando na garganta... expectativa!

chegando na garganta… expectativa!

água!

água!

não dá pra explicar a sensação que é ver aquela água subindo ao longe, o barulho das quedas aumentando, aquele monstro a alguns metros adiante e enfim a visão da garganta aos seus pés. nem sei quanto tempo ficamos ali.

MUITA água.

MUITA água.

enfim nos arrastamos de volta, bestas. tomamos o trem de volta até a estação do meio para conhecer as outras duas trilhas: a superior e a inferior. seguindo a indicação do dono do hostel, fomos primeiro na trilha superior. quando você pensava que nada seria tão incrível quando a Garganta del Diablo, você descobre que existem mais umas trocentas quedas d’águas, por todos os lados; não acaba nunca.

o paraíso devia ser mais ou menos assim.

o paraíso devia ser mais ou menos assim.

a trilha inferior tem uma visão menos grandiosa das quedas, mas ao final se chega num ponto de mirante que fica bem embaixo de uma delas, que é pra se molhar mesmo:

a turma se molhando.

a turma se molhando.

mais fotos no álbum das cataratas de Puerto Iguazu.

depois de tanto sobe e desce a gente já estava mesmo muito cansado. voltamos pra entrada do parque, e voltamos pro terminal de Puerto Iguazu. de lá já havia um ônibus de volta pra Foz esperando. o motorista ainda fez a gentileza de parar na aduana brasileira e nos esperar pra voltar. chegamos em Foz com o sol se pondo. mais um espetáculo pra fechar um dia sensacional:

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