olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

tag: chapada diamantina

recapitulação de dias de trilha

estamos de volta a Lençóis desde o começo da semana. o Fabio na segunda, eu na terça.

as fotos vêm depois, eu juro. logo postamos os álbuns aqui no blog e fazemos um post de melhores momentos. por ora, as trilhas. foi mais ou menos assim:

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saímos de Lençóis na terça de manhã rumo a Guiné, por onde subimos para o Gerais do Rio Preto, rumo ao Vale do Pati. nosso guia era Zói e como companhia tínhamos também o Daniel, um belga com nome de brasileiro e cara de carioca. os dias:

1º: subida pelo Guiné e caminhada pelo Gerais do Rio Preto até o mirante do Pati, de onde se vê todo o vale. aí descer a rampa (um paredão do mal), seguir para a Igrejinha e depois Funis, uma cachoeira de água gelada (toda água no Pati é gelada); mergulho e um pouco de descanso. então rumo à casa de Seu Wilson, onde fizemos pouso todos esses dias de vale. comida delícia e água do chuveiro mais gelada do que qualquer riacho. cama às 19h. capoft.

2º: dia de subir de volta aos Gerais do Rio Preto, dessa vez pelo caminho menos íngreme das mulas, e dessa vez rumo ao Cachoeirão. tinha pouca água mas a vista é linda mesmo assim. voltamos por outro lado, por mais uma piramba de pedras no meio da floresta descida sem fim para matar qualquer resto de joelho que podia ter sobrevivido à rampa no dia anterior. paramos na Prefeitura para um banho de rio antes de voltar ao Seu Wilson.

3º: caminhada mais curta e mais intensa. subimos ao morro do Castelo para apreciar a vista do vale lá de cima. Zói nos levou pela gruta (ou caverna?) até um monte de mirantes do outro lado do morro. teve pedra para escalar e saltar e sofrer um pouco também, que o Fabio estava com o pé cheio de bolhas. descemos o morro para um banho no riacho perto da casa de Seu Wilson.

4º: acordar bem cedo com Zói cantando na janela para sair antes do sol. sete da manhã estávamos todos prontos nos despedindo da turma da casa de Seu Wilson. ainda a neblina, bom para caminhar. fomos pela Igrejinha direto para os Gerais do Vieira, sem subir de volta a rampa porque os dias anteriores foram todos muito puxados. o sol foi sair quando já estávamos quase no Rancho, ponto de parada para o almoço. depois mais e mais caminhada. 22 km até o Vale do Capão. alcançada a vila, ainda mais caminhada para chegar ao centro. a sorte foi que no meio do caminho um camarada de Zói numa caminhonete nos deu uma carona. então comemorar com umas cervejas e ufas ufas.

ficamos na Pousada Tatu Feliz. no domingo fomos de carro até o Riachinho e passamos a tarde jiboiando. o plano inicial era começar a segunda jornada na segunda-feira, mas o belga topou ir junto e precisava estar em Salvador na quarta-feira para uma festa. Fabio já estava todo estropiado: quase uma bolha em cada pé e um machucado enorme no calcanhar. não deu para continuar. ficou no Vale do Capão e tomou o ônibus para Lençóis na segunda-feira.

eu, Zói e o belga saímos no domingo de manhã rumo aos três dias de jornada:

1º: começamos na subida da Fumaça, que fica a uma distância curta de carro (mais uma carona de Zói) do centro da vila. aí subir por mais ou menos duas horas, que sempre acaba sendo menos no ritmo alucinado do belga instrutor de academia e do guia. depois um grande platô até alcançar os mirantes: como há pouca água, espiamos de onde a cachoeira cai antes do mirante principal, além de outros dois mirantes. de lá dá para deitar na pedra e olhar o poço lá embaixo, 420 metros lá embaixo. almoçamos do lado do riacho junto dos pernilongos e seguimos para a descida do Macaco. joelho sofrendo sofrido. a descida era mui íngreme e não acabava nunca (ainda mais porque no meio dela tinha um monte de subidas). quando finalmente avistamos o rio Fumaça lá no vale, foi um alívio. passamos pela toca em que o pessoal costuma acampar e nos acomodamos no encontro do rio Fumaça com o rio Capivara. aí tomar banho no rio, lavar as roupas e esperar o rango master que Zói preparou. terminamos de comer já escurecia, então o jeito era montar o saco de dormir e ficar olhando as estrelas (segundo Zói, o hotel não era 5 estrelas, e sim 5 mil estrelas) até vir o sono.

2º: a noite foi um acordar e voltar a dormir o tempo todo. uma vez acordei com chuva na cara, mas virei para o lado e dormi outra vez. acordei umas cinco com Zói arrumando o saco de dormir e preparando o café. esperei cinco e meia para levantar, porque né. depois de comer deixamos as coisas penduradas no acampamento e seguimos pelo leito do rio Fumaça até o poço embaixo da cachoeira. a água muito gelada para entrar, e um vento que vinha do paredão… 420 metros de paredão. um troço assustador. lá em cima os mirantes do dia anterior. ficamos um bom tempo por lá antes de voltar pelo caminho de pedras e raízes. pegamos as coisas no acampamento e seguimos pelo rio Capivara para o próximo acampamento, num ponto em que o rio forma duas cachoeiras. o banho então teve até chuveiro. chegamos cedo e ficamos descansando a tarde toda. então jantar e mais uma vez estrelas… pelo menos até chegarem as nuvens e eu tirar os óculos.

3º: no meio da noite acordei mais uma vez com chuvisco na cara e Zói dizendo que olha a garoa da madrugada. ia virar e voltar a dormir, mas ele levantou e levou suas coisas para dentro da toca e a chuva apertou… meia-noite e a gente levando as coisas para onde tinha teto. capow. acordei cinco outra vez. café da manhã, arrumar as coisas e partir morro acima, rumo a Lençóis. paramos num ponto para conhecer um lugar chamado Palmital que parece um santuário de fadas. depois mais subida e mais descida e ver o resto do caminho do topo da toca da onça. era por volta de meio dia e trinta quando chegamos no Ribeirão do Meio. ufas. faltava pouco. dei um bom mergulho e desci no escorregador (hip hip) duas vezes antes de retomar a mochila nas costas e fazer a reta (que não era nada reta) final para a cidade de Lençóis, reencontrar o Fabio com as bolhas quase desaparecidas de vez.

paf.

ontem que era para descansar ainda me meti a volta ao Ribeirão do Meio com Hury e outra paulistana que tinha acabado de chegar. hoje começa o festival de música e passamos o dia fazendo faxina com a Roberta para receber a horda de gente que vai se hospedar na casa dela durante esses dias.

mas as fotos, sim sim. calma aí que logo elas estão no ar.

mais Lençóis e enfim o Vale do Pati

couchsurfing é uma coisa incrível: principalmente em cidade pequena, conhecer uma pessoa é logo conhecer mais outras, e se sentir um pouco em casa é sempre bom quando se está nesse ritmo de viagem longa. e também porque o melhor de viajar é conhecer pessoas.

aprendi a fazer tapioca direto com polvilho, sem precisar de massa pronta de nada. alguém do couchsurfing ensinou a Roberta, e a Roberta me ensinou. a batata rostie não funcionou porque a frigideira não era tão antiaderente quanto deveria ser, mas a receita de pão e pizza que a argentina de Jeri me ensinou tem servido muito bem para os cafés da manhã. ainda vamos fazer uma pizza qualquer noite dessas. ontem juntamos laptops e HDs e fizemos troca de filmes e música com a Hury (a menina mais nerd de Lençóis).

fechamos o Vale do Pati com um guia que eu já conhecia; Zói manja muito de Chapada Diamantina. vamos junto de um belga que também conheci via couchsurfing e parece que um inglês vai também. outro paulista que estava para fechar com a agência quando chegamos capaz se una ao grupo, mas é mais improvável. fato é que a partir de amanhã nos metemos Chapada adentro, e aí quatro dias no Vale do Pati, dois dias de descanso no Vale do Capão (onde não pega sinal de celular) e depois três dias de trilha da cachoeira da Fumaça por baixo (se não com Zói, com alguém que ele vai indicar), acampando, terminando em Lençóis na quarta-feira, dia 9 de outubro.

aí, enfim, até lá.

dia de ribeirão

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hoje depois do almoço a Roberta, nossa anfitriã, nos levou por uma trilha curta até o Ribeirão do Meio, nos limites do parque. a gente ia mais cedo mas o sol demorou para aparecer.

no ribeirão a água estava bem gelada como convém às águas aqui da região, embora bem mais quente do que a maioria dos rios que cruzam o parque. vai vendo. aí tomar coragem e mergulhar (e eu demoro para tomar coragem; nisso o Fabio é bem mais prático). o sol quente serve de incentivo.

deu para subir na pedra ali ao fundo e descer escorregando.

deu para subir na pedra ali ao fundo e descer escorregando. MUITO legal.

Roberta e eu.

Roberta e eu.

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o escorregador ao fundo.

tem mais fotos de Lençóis e do Ribeirão do meio no álbum.

chegada em Lençóis

o ônibus de Petrolina atrasou duas horas: saímos da rodoviária era duas da manhã. o ônibus vinha de Fortaleza e seguiria até Goiânia, passando por Brasília. nosso destino era a cidade de Seabra.

mas nessa de atraso a previsão do motorista era chegar em Seabra por volta de meio-dia. o ônibus que sai de lá para Lençóis sai 11h45. depois disso só à noite. claro que chegamos em Seabra exatamente às 11h45. o problema era que a droga do ônibus da Guanabara, em que estávamos, não parava na rodoviária, e sim num restaurante sem vergonha a uns 400 m de distância da rodoviária. aí brigar com motorista até ele achar as mochilas que tinham sido postas num dos bagageiros e depois estavam no outro, um taxista que queria cobrar dez reais para cruzar a rodovia e andar uma quadra, vestir mochila e já passava do horário mas bora 15 quilos (eu, o Fabio tinha mais) nas costas atravessar a pista (pistinha) e subir na direção indicada.

foi dobrar a esquina onde uma mulher apontou que ficava a rodoviária e já vinha um ônibus enorme e azul da Rápido Federal pela rua estreita. o destino era Salvador, saída 11h45 de Seabra. fiz sinal (na verdade levantei os braços e fiz a louca) e o motorista parou. sim, ele parava em Lençóis, era nosso ônibus. “a gente pode subir?” “entra aí e depois no ponto ali na frente eu guardo as mochilas no bagageiro”. ufas. subimos e ainda ficamos com os bancos da frente. logo uns cem metros adiante ele parou num ponto e o motorista guardou nossas mochilas.

o motorista se chamava Gonçalves, mas obviamente era Sgt. Peppers disfarçado.

o motorista se chamava Gonçalves, mas obviamente era Sgt. Peppers disfarçado.

ufas ufas. dali a Lençóis foi rapidinho. a paisagem mudando a cada cem metros; a caatinga ficando cada vez mais verdinha, cada vez mais um riacho passando ao lado da pista, cada vez menos caatinga em setembro. foi o ônibus entrar à direita na estrada para Lençóis que o cenário mudou de vez. as árvores mais altas e mais verdes, muito mato, riachos. vai dando quase um alívio (quase porque afinal a caatinga continha onde estava, toda seca). nuns pontos já dava para ver os paredões, o morro do Pai Inácio, o Morrão.

chegamos por volta de uma hora. Lençóis é uma cidadezinha muito simpática (ainda não deu para tirar fotos) e o que matou foi caminhar de volta para a entrada da cidade com peso nas costas, debaixo do sol (que depois do Piauí parecia um solzinho bem simpático também), até alcançar a casa da nossa anfitriã de couchsurfing.

(o ônibus ainda passou por nós para sair da cidade e o motorista deu uma buzinadinha.)

preparamos um almoço e conversamos para depois descansar da correria. daqui a pouco vamos passear um pouco pela cidade. até domingo acontece aqui o Festival de Arte e Cultura Popular de Lençóis, então tem alguns eventos gratuitos acontecendo lá pelo centro. aí começar a caçar um grupo para fazer as trilhas com a gente.