olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

tag: jericoacoara

fazendo as contas: gastos em Jeri (viajar barato é possível)

não vou falar da nossa estadia em Fortaleza na casa do meu pai, onde já estamos instalados mais uma vez, nem dos dias que passamos hospedados na casa da Esther no Guajiru (ainda que a gente tenha dividido despesas), porque aí fica bem óbvio em que se está economizando. mas é que muita gente tem essa ideia de que viajar é um troço caro, que precisa trabalhar muito, que precisa vender o carro.

mas é que tudo depende do tipo de viagem que se quer fazer. uma diária de 100 reais (o mais barato que nos ofereceram foi 90) numa pousada sem dúvida vai pesar bastante nas contas, e as pousadas por ali costumam partir desse patamar.

ficamos mais ou menos dez dias em Jericoacoara. contando com o dia de chegada e saída, foram onze dias.

no total, contando transporte desde o Guajiru e depois de volta para Fortaleza, hospedagem, alimentação e bobagens diversas, gastamos cerca de 1200 reais em duas pessoas. foram 600 reais por pessoa para ficar dez dias em Jeri numa quase-alta temporada. claro que isso não inclui passagem de avião até Fortaleza (que aliás eu comprei com milhas numa promoção de cinco mil milhas cada trecho), mas me pareceu um valor bastante razoável.

ficou um pouquinho acima do nosso orçamento de 100 reais por dia (para os dois). o que pesou foi o transporte, que deu 148,40 reais no total (64 na ida desde o Guajiru e 84,40 na volta para Fortaleza), e os dois passeios de buggy, que saíram 170 reais (80 um e 90 o outro).

com hospedagem gastamos 250 reais. o restante foi basicamente mercado e comida, com algumas exceções (cerveja, caipirinha, duas pulseirinhas dum casal simpático de hippies, protetor solar e off, lavanderia, um corte de cabelo). restaurante era o PF do almoço. na última noite ainda experimentamos um lugar que vendia pizza por pedaço (o dono era italiano mas a pizza era horrível) e depois mais tarde dividimos uma batata rostie num outro restaurante ali na rua do Forró.

2013-08-30 08.01.16

café da manhã com iogurte, pão integral, presunto e cream cheese. coisa fina.

enfim. bom mesmo é que para o pôr do sol não precisa pagar entrada e o mar é de graça.

mais sobre Jeri

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os últimos cinco dias em Jericoacoara foram tranquilos. ficamos pela vila e aproveitamos para ver o sol se pôr quase todos os dias. também à noite o céu todo estrelado, porque era lua nova e dava para ver o rastro da via Láctea. numa das noites saímos para a praia: vimos estrelas e tomamos uma caipiroska de cajá sentados na areia.muito menos

em uma caminhada matinal atrás de uma sombra para passar o tempo, descobrimos entre a Praia Principal e a Praia da Malhada, no meio das pedras na maré baixa, uma piscina natural muito boa para ficar a manhã toda.

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aquele pedaço fica cheio de piscinas quando a maré está baixa, mas aquela era a única com profundidade suficiente para nadar. também vários peixinhos que se escondiam nas pedras quando a gente entrava.

não sei se concordo com essa história de Jericoacoara ser uma das praias mais bonitas do mundo: a praia em si não tem nenhuma sombra, não dá muito para nadar no mar nem quando a maré está alta porque é raso demais, o mar tem algas por todos os lados, a areia é cinzenta. mas não há dúvida de que o lugar é bonito. se o sol está alto a água fica azulzinha esverdeada. o difícil é você aguentar ali por muito tempo debaixo do sol sem correr de volta para a vila atrás de uma sombra.

maré baixa e sol.

maré baixa e sol.

a vila em si é um grande shopping center com uma área de alimentação gigantesca. meu deus quanto restaurante quanta loja quanta pousada. quase tudo na mão dos estrangeiros, a maioria italianos, alguns ingleses e espanhóis. tinha até (juro) pelo menos duas joalherias, uma delas logo na saída da praia. porque claro que você sai da praia e pensa puxa, preciso comprar um brinco de prata. encontramos também uma loja de roupas e acessórios que emprestava livros, além de um restaurante árabe com um sebo.

os preços são coisa de São Paulo, com a desculpa da dificuldade do abastecimento nessa vila perdida entre dunas. a gente almoçava quase todos os dias no PF (era sete reais; eu pedia para pôr menos arroz e feijão e um bife menor e me cobravam cinco), mas às vezes um sorvetinho e uma tapioca, uma cerveja (2,50 a latinha de Skol, Brahma ou Antártica no depósito onde a cerveja era mais barata). à noite a gente cozinhava no camping.

a maioria das pessoas que trabalha na vila mora em outro lugar: na vila de Preá, no Camocim, em Jijoca. morar em Jeri ficou caro demais para o nativo.

encontramos também um argentino de Buenos Aires torcedor do Racing, que queria me comprar meu boné e depois pediu para tirar uma foto comigo. na segunda vez que nos vimos, quem pediu para tirar foto fui eu. senão ninguém ia acreditar (principalmente meus amigos argentinos torcedores do Boca).

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eu e Marcelo, el hincha de Racing.

dá para ficar muito tempo por Jeri, curtindo a praia, as dunas e o pôr do sol. mas a verdade é que boa parte das atrações são as mordomias oferecidas aos turistas: os restaurantes e pousadas e as caipirinhas na saída da praia. também começa a cansar um pouco os bugueiros todos os dias oferecendo passeios (os mesmos dois passeios). na quinta-feira compramos a passagem para Fortaleza na agência da Fretcar: 42,20 reais por pessoa com o transporte na jardineira até Jijoca incluso.

último pôr do sol em Jericoacoara.

último pôr do sol em Jericoacoara.

a jardineira saiu sexta-feira às sete e meia da manhã (acordamos às seis, desmontamos a barraca, arrumamos as coisas e comemos bolacha com iogurte) com o mesmo céu nublado que tinha nos recebido quando chegamos. valeram a pena os dez dias que ficamos por lá.

para quem ainda não viu: tem mais fotos no álbum de Jericoacoara, no álbum do camping e no álbum dos passeios de buggy.

camping do Natureza em Jeri

quando chegamos em Jericoacoara, rodamos um pouco e acabamos escolhendo o camping Jeri, no começo da rua São Francisco. o lugar pareceu legal, ainda que um pouco abandonado, mas tinha um quartinho decente por um preço bom. também estávamos um tanto cansados da viagem. no fim do dia percebemos que o lugar era péssimo. o dono passava o dia enchendo a cara e depois vinha com uns papos de bêbado na nossa janela. o espaço estava era MUITO abandonado.

achamos melhor fugir de lá o mais rápido possível e tentar o camping do Natureza, com quem eu havia conversado antes pelo telefone.

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só mais um pouquinho, é logo ali.

o camping fica meio longe do agito, na rua da Igreja, mais ao norte, pertinho da praia da Malhada. mas o espaço pareceu bem mais simpático. também o Natureza (ele é paisagista) nos recebeu muito bem e fez a diária com um preço camarada para ficarmos num dos quartos: 15 reais por pessoa. só teríamos que sair no dia 2 de manhã porque o quarto já estava reservado.

nossa casinha nos primeiros dias de Jeri (a porta da direita).

nossa casinha nos primeiros dias de Jeri (a porta da direita).

Natureza quebrou a perna andando de moto.

Natureza quebrou a perna andando de moto.

a turma também era bem legal: muitos argentinos, um colombiano, um mineiro mochileiro trabalhando pelos litorais, uma paulistana que morava na Chapada Diamantina, um de Pedrinhas Paulista que estava na pilha de morar e trabalhar um tempo por ali, um piauense que trabalhava com vídeos numa pilha de revolucionar o marketing em Jeri (entre outras coisas), um guia dos Lençóis Maranhenses que estava ali meio por engano. o clima estava tão bom que quando o Natureza nos ofereceu um desconto para continuar no camping em barraca depois do dia 2, só precisamos fazer as contas para ver se o dinheiro ia ser suficiente para aceitar.

barracas e redes: muita gente não tem barraca, deixa as mochilas num espaço comum que o Natureza disponibiliza e dorme em rede mesmo (nunca chove).

barracas e redes: muita gente não tem barraca, deixa as mochilas num espaço comum que o Natureza disponibiliza e dorme em rede mesmo (nunca chove e naquele pedaço também quase não tem mosquito).

tarde no camping.

tarde no camping.

Javier explicando rotas para Andres.

Javier explicando rotas para Andres.

Fabio pintando meu dedo de iodo depois que pisei num inseto misterioso que me picou doído.

Fabio pintando meu dedo de iodo: pisei num inseto misterioso que me picou doído.

tem mais fotos no álbum do camping.

gostei de lá e recomendo. o Fabio vivia batendo a cabeça nos galhos dos cajueiros que fazem sombra na maior parte do espaço, mas até aí eu também foi atacada pelos galhos algumas vezes. pelo menos tem sombra. sombra no Ceará é um troço muito importante.

o preço normal do camping é 20 reais por pessoa nos quartos e 10 reais por pessoa em barraca. para os quatro dias do ano novo, quando Jeri fica toda lotada, o Natureza cobra 400 reais por pessoa. e o camping fica cheio. vai vendo.

primeiros dias de Jericoacoara

chegamos em Jericoacoara no meio da tarde da terça-feira retrasada mas só começamos a curtir mesmo a vila no dia seguinte. passamos a primeira noite num camping muito ruim e fugimos de lá assim que nasceu o sol. estabelecidos enfim no camping do Natureza, num quartinho com banheiro, saímos para caminhar pela praia.

nossa casinha em Jeri, com banheiro, varal e geladeira.

nossa casinha em Jeri, com banheiro, varal, ventilador e geladeira.

o dia amanheceu meio nublado. seguimos para o lado esquerdo pela praia principal, passando pela frente da famosa Duna do Pôr do Sol, e caminhamos até começar a sentir fome. voltamos para a vila para almoçar um PF, indicação de um mineiro que conhecemos no camping. à tarde aproveitamos a maré baixa para andar até a Pedra Furada.

areia cinzenta de Jeri.

areia cinzenta de Jeri.

passando a duna do pôr do sol.

passando a duna do pôr do sol.

vista do caminho para a Pedra Furada.

vista do caminho para a Pedra Furada por cima.

Pedra Furada na maré baixa.

Pedra Furada na maré baixa.

foto tirada pelo guia Tatuzinho, que conhecemos por ali.

foto do guia Tatuzinho, que conhecemos por ali. a pergunta é se o apelido se deve à sua pouca altura ou ao fato de ele gostar de deitar na areia para tirar fotos.

não deu tempo de voltar para o pôr do sol na duna: o Fabio topou o pé numa pedra e ficamos na praia mesmo, com um saquinho de gelo. no final das contas o sol se escondeu atrás das nuvens antes mesmo de se aproximar do horizonte.

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ops.

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fim de tarde nebuloso.

logo no dia seguinte acordamos cedo para fazer um dos passeios de buggy. fomos direto para a Jumentur, agência do guia Tatuzinho, que tínhamos conhecido na Pedra Furada no dia anterior. os preços são os mesmos sempre (200 reais o buggy para dividir em até quatro pessoas, que na verdade são 160 se você insistir um pouquinho mais). fomos com uma dupla de pai e filho de Brasília para o percurso da parte Leste de Jericoacoara: Lagoa do Paraíso e Lagoa Azul. levamos uns sanduíches para o almoço porque a comida nas barracas é tudo muito caro.

mais uma vez um dia nublado e meio frio, considerando o vento que nunca para.

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Lagoa do Paraíso ainda com nuvens.

vida difícil.

vida difícil.

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o sol aparecia e fazia iluminar toda a lagoa.

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Fabio torrando na Lagoa Azul depois que o sol saiu de vez.

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ficamos na Lagoa Azul até depois das três da tarde, enquanto o guia Tatuzinho dormia placidamente no buggy.

no final do dia ainda subimos a duna para ver o pôr do sol lá de cima. dizem que é uma das coisas mais bonitas do mundo. a verdade é que não pegamos nenhum pôr do sol com o céu muito limpo. sempre tinha uma nuvenzinha distante e cinzenta para engolir o sol antes que ele encostasse no mar.

subir a duna é fácil. o difícil é ficar lá em cima sem engolir areia. o vento vem, como em qualquer ponto do litoral cearense, do leste, que no caso significa pelas costas. e vem trazendo areia de tudo que é duna que encontra pelo caminho.

pôr do sol na duna.

pôr do sol na duna.

cirrus no pôr do sol.

nuvens cirrus abraçando o pôr do sol.

nos outros dias ficamos um pouco mais à toa. conversamos com o pessoal do camping, lemos (desenhei um tanto também), mergulhamos no mar (tentamos; o mar de Jeri é desses que você anda três quilômetros e a água continua no seu joelho – se a maré estiver cheia).

no domingo 1º de setembro fizemos o outro passeio de buggy, para o lado da vila de Tatajuba, também com o guia Tatuzinho. dessa vez a companhia foi um carioca e uma paulistana.

dia de céu azul e muito sol.

dia de céu azul e muito sol e protetor solar.

guia Tatuzinho.

guia Tatuzinho contando a história de Tatajuba.

travessia de balsa.

travessia de balsa.

mangue seco.

mangue seco.

vila de Tatajuba.

vila de Tatajuba.

cenário das dunas petrificadas. coisa de seriado de ficção científica.

cenário das dunas petrificadas. coisa de seriado de ficção científica.

mais uma foto do guia Tatuzinho deitado na areia. no topo da duna do funil. parada para almoço e mergulho. claro que levamos nosso lanchinho e aproveitamos para dar uma volta de caiaque.

o plano inicial era ficar até o dia 2 de setembro, quando o quarto em que estávamos deveria ser desocupado por causa de uma reserva. mas o dono do camping logo nos ofereceu um desconto camarada para o caso de querermos estender a estadia em barraca. a ideia pareceu bem razoável. tínhamos levado barraca e não custava nada usar um pouquinho. fizemos as contas e concluímos que o dinheiro ainda dava para mais uns cinco dias. na segunda-feira então acordamos, arrumamos as malas e nos mudamos para debaixo de uma sombra dos cajueiros.

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essas primeiras semanas

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mais uma quarta-feira e são quatro semanas desde que saí de são paulo para não voltar mais.

agora escrevo de jericoacoara, enquanto ouço esse vento sem fim que mora aqui pelo litoral do ceará, olhando o camping do seu natureza pela janela desse quartinho anexo em que estamos hospedados. escrevo do celular porque o computador ficou na casa do meu pai, em fortaleza.

hoje, domingo, decidimos ficar em jeri mais uns dias, porque embora o quarto vá estar ocupado, seu natureza nos deu um desconto camarada para ficar em barraca nos próximos dias. o camping aqui é muito tranquilo e não dá muita vontade de ir embora.

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porque afinal nenhuma pressa e depois passar o feriado com meu pai e seguir para o piauí: serra da capivara.

pode dizer que não caiu a ficha, essa coisa de perceber que não precisa mais voltar para são paulo. acho que eu estava já muito preparada, muito certa. ficou sendo uma coisa natural. estar deitada no banco da mesa no lado de fora da cozinha depois de inventar umas pizzas caseiras com uma argentina; sentar no chão pra ler debaixo das árvores; desenhar enquanto o grupo de artesãos trocam materiais e ouvem música. penso que olha aqui onde eu estou mas sim, claro, como poderia ser diferente. conhecer tanta gente que viaja assim e faz disso a vida e por que não? viver com pouco é muito possível (até mesmo estando em jericoacoara), só depende de saber de que se está disposto a abrir mão.

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escrever ainda só umas páginas. encontrei uns cenários e tive umas ideias para um dos romances que comecei a escrever. aos poucos vou voltando a desenhar, que era uma coisa que eu estava bem com vontade de fazer. o estojo é um peso que vale a pena nas costas.

agora é ver o quanto do que está na mochila é mesmo necessário e quem sabe se livrar de algumas mudas extras de roupa pelo caminho.

e descobrir o que vem.