olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

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do mestre Marçal Aquino

entrevista que Marçal Aquino deu pro Jornal do Brasil.

no finalzinho, o entrevistador pergunta:

Que novo autor brasileiro você considera imperdível hoje?

a resposta: “Olivia Maia. Produz policiais de talento, o que é muito saudável e estimulante num universo de predomínio masculino.”

poxa poxa poxa que honra, Marçal. 💚

uma das coisas que aprendi com Marçal foi que dá pra fazer literatura policial e ainda assim fazer literatura. e outra, que mudou completamente minha forma de escrever: escrever tem que ser um pouco como ler. se eu já sei tudo que vai acontecer, morre um pouco a graça de continuar escrevendo.


e já viu o projeto do meu romance TRÉGUA, no catarse? estamos quase batendo a primeira meta estendida!

como transformar estresse e ansiedade em produtividade

how to reframe stress and anxiety into productivity

era o título de um artigo que me apareceu (como sempre me aparecem as coisas mais estranhas) na lista de recomendações do pocket. outro desses artigos absurdos que às vezes me gritam com esses títulos longos e imperativos. quase sempre eu sigo adiante mas dessa vez eu parei e precisei pensar duas vezes no absurdo da formulação. pensei naquele artigo da Eliane Brum e nalgum outro que devo ter lido sobre a idolatria da produtividade; pensei na minha própria ansiedade e o tanto que ela está (sempre esteve) ligada a uma angústia de produzir mais e melhor e sempre (pra quê; pra quem?).

pensei então que esse título é o cúmulo da loucura dos tempos modernos: transformar em produtividade os efeitos colaterais negativos da necessidade de ser produtivo o tempo todo; a necessidade de transformar tudo em produção.

se nossa sociedade precisa de um novo ícone revolucionário ele tem que ser alguém parecido com Bartleby, o escrivão, que preferia não fazer.

e não produzia nada.

tantos outros personagens para escolher

enquanto não publico a newsletter já obviamente atrasada, deixo com vocês (e principalmente aos amigos e amigas escritores) um artigo longo e interessante pra pensar um pouco em nosso terrível ofício (enquanto vou lendo On Writing, do Stephen King, que tenta me empurrar num estado de ânimos contrários ao da leitura deste artigo).

Between advertising and the novel, the lines of influence are blurry because the new marketplace was blending the forms together, forcing them to change their practices to survive. Every advertiser was a novelist, every novelist, at least for a sentence, an advertiser. Or, as a critic for Life in 1913 describes the work of one first sentence, a street “barker.” (…)

As Marchand writes, America was now for the first time a majority urban population. For the first time in human history, the majority of people the average person encountered in a given day were strangers. Others had no inner lives; they were just the external characteristics visible during a first impression. For advertisers, this meant cajoling people about every detail of their appearance, littering advertisements with scrutinizing eyeballs. And there’s something of this too for the novel-reading public. Adrift in what the era’s writers continually described as a “flood” of fiction, there was no time to create a character ab ovo; he or she must come fully formed, must offer quick and memorable impressions. There are so many other characters to choose from.

» In Search of the Novel First Sentence | Electric Literature

o problema do pessimismo

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In raising problems without solutions, in posing questions without answers, in retreating to the hermetic, cavernous abode of complaint, pessimism is guilty of that most inexcusable of Occidental crimes – the crime of not pretending its for real. Pessimism fails to live up to the most basic tenet of philosophy – the ‘as if’. Think as if it will be helpful, act as if it will make a difference, speak as if there is something to say, live as if you are not, in fact, being lived by some murmuring non-entity both shadowy and muddied.

Eugene Thacker, Cosmic Pessimism (via Spurious)

deveríamos estar mais preocupados com o problema da riqueza

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Asking questions about the rich has been portrayed since the dawn of wealth as envy; asking questions about the poor is considered practical and sympathetic, moral and problem-solving. But no problem can be solved while political institutions won’t recognise that poverty has a cause.

(via.)

ou: resolver o problema da pobreza como quem cobre buracos numa estrada com asfalto de má qualidade por onde passam diariamente centenas de caminhões pesados jamais vai resolver coisa alguma.

a pobreza não é uma doença a ser erradicada. assim como a violência nas cidades grandes não é um vírus que precisa ser destruído; a pobreza tem uma causa, e se não examinarmos a causa do problema, não será um bilionário bem-intencionado que solucionará os infortúnios de quem nasceu no país, cidade, bairro e família errados.

These basic assumptions – poverty is the problem, growth is the answer, climate change can be tackled separately to consumption, and corporate behaviour is neither here nor there – extend far beyond the UN, into political cultures everywhere.

se você lê inglês, leia o artigo. me parece um bom ponto de partida em direção às perguntas certas.