olivia maia - escritora e ilustradora desterrada.

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mendoza: primeiros dias

então o ônibus pra Mendoza às oito da manhã e umas quatro horas de viagem por mais uma planície infinita até que ao fundo me aparecem umas nuvens bem estranhas no horizonte e eu percebi que não eram nuvens, e sim a cordilheira dos Andes com os picos todos nevados. acho que identifiquei o Aconcagua.

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daí chegar, tomar um táxi, instalar-se no hostel. fui atrás de alguma coisa ora comer e me meti no mercado central pra uns pedaços de pizza e um paso de los toros. junkie pouco.

por aí já era o centro da cidade e uma bagunça de compras de natal na última hora. socorro. a cidade seria simpática, com bastante árvores etc; se eu gostasse de cidade. já não sirvo pra cidade. encontrei a praça Independencia e segui pro escritório de informação turística pra descobrir como chegar no aeroporto de ônibus.

a mocinha que me ajudou ao final me passou a informação do ônibus e outras miles de informações sobre Mendoza, San Rafael, Potrerillos, Maipú, Malargüe etc etc. saí de lá com um monte de folhetos e mapas. e o número do ônibus que tinha que tomar pra buscar a mama às 19h45 no aeroporto El Plumerillo.

ao final saí do hostel quase duas horas antes do horário que tinha que estar lá e cheguei 19h35. o avião já tinha pousado cinco minutos antes mas minha mãe foi a última a sair.

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y bueno.

que dizer de cidade grande?

em véspera de natal?

no dia 24 fugimos no final do dia pra um parque perto do hostel depois de passear um pouco pela manhã. à noite teve festa de natal do hostel com muito vinho incluído e… bueno, não tanta carne. nunca tem carne suficiente.

mas vinho, né, e no 25 tudo que eu pensava em fazer era dormir.

nos juntamos com uma dinamarquesa e fomos ao parque San Martin levando na mochila o que tinha sobrado de uma pizza do dia 23.

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e dormitamos no gramado.

estou tão desacostumada com isso de cidade que fico meio perdida. tem bastante coisa pra fazer e lugares próximos pra visitar e trechos históricos da cidade pra conhecer mas fico mei bicho do mato sem pilha pra sair. quero ir ao parque do Aconcagua (tem que acordar cinco da madrugada e tomar um ônibus às seis) e uns povoados próximos mais tranquilos.

dá pra ocupar os dias.

de los andes a la rioja em 24 horas

sete e meia em ponto nos buscou o taxista pra nos levar ao porto terrestre, em Los Andes, parada obrigatória para os caminhões que vão cruzar a fronteira.

no dia anterior havíamos chegado no fim da tarde, rodado a cidade inteira pra enfim encontrar um residencial com um preço mais ou menos razoável, buscado algum lugar pra comer… comecei a ver no computador a estreia do Palmeiras no estádio novo e desisti na metade, e caminhamos um pouco na praça porque havia uma feira de livros e música.

aí dormir, acordar cedo, esperar o táxi.

pouco antes de sairmos, ainda com o wifi da hospedagem, veio mensagem do Luís dizendo que ia atrasar um tanto mas que esperássemos no posto de gasolina do porto terrestre que nos buscava lá.

então esperamos.

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jamais perdemos fé no nosso amigo (gênio) Luís mas chegou um momento começamos a desconfiar que alguma coisa podia ter acontecido. e a gente sem internet sem telefone sem nada. me meti num prédio onde ficam umas lojas e bancos e consegui depois de muita luta agarrar um sinal de wifi. pulou mensagem de Luís dizendo que ia atrasar ainda mais mas que estava chegando. em seguida outra, nova, dizendo que recém chegava e já havia visto Fernando no posto de gasolina e que esperássemos ali.

feitos os trâmites o caminhão fez a volta, encostou ali na entrada do posto e saltamos pra dentro. mais adiante esperamos um pouco Juan, o colega de Luís, que outra vez viria atrás no caminhão branco.

dali até a aduana chilena o caminho não é muito demorado, mas fomos parando pra esperar Juan, pra comprar comida, pra obrigar Luís a parar um pouco porque lhe atacava uma pressão alta (e por isso tinha atrasado). se já estava mei fresco em Los Andes vai ficando cada vez mais frio conforme vamos subindo a cordilheira. e vão surgindo aqueles picos nevados metidos entre nuvens.

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porque aí vem uma subida num ziguezague sem fim. ao contrário do paso de San Francisco esse é movimentado e além de caminhão passava também todo tipo de carro e ônibus sem parar. quando alcançamos a aduana chilena, vinham do céu uns floquinhos modestos de neve pra fazer pontinhos brancos no casaco. e eu com meus crocs sem meia.

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passamos pelos trâmites junto da fila de caminhoneiros e esperamos as burocracias. Luís já se sentia melhor e estava praticamente saltitando apesar da altitude. hora de cruzar a fronteira.

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a fronteira está num túnel gigantesco; por isso é um dos pasos de fronteira mais usados (não precisa subir a mais de 4 mil metros de altitude pra cruzar). ainda assim quando tem neve tem NEVE. nesse dia só os picos e uma ameaça de neve sem vergonha que era só uns cuspes gelados.

a vista que segue tem mais pinta de uma estrada entre montanhas, deslizando pelo vale e passando por alguns centros de esquis (obviamente vazios).

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fomos parar na aduana de caminhões de Uspallata, já na província de Mendoza. o caminhão passou por uma máquina de raio-x gigante e tudo. pelo jeito fomos aprovados. aí sim esperamos um monte depois de fazer os trâmites de entrada porque Luís e Juan tinham que esperar uns papéis e não tinha sistema etc. eram quase oito da noite e o dia ia embora.

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quando finalmente nos liberaram já era noite e seguimos a Uspallata pra parar e comer. era tarde mas estavam mui atrasados depois do atraso da manhã e a demora no sistema da aduana. queriam chegar em Tinogasta no começo da tarde do dia seguinte e ainda tinha muito chão pela frente. então adiante pela estrada no rumo de San Juan.

Fernando capotou na cama atrás da cabine enquanto fui na frente conversando com Luís pra disfarçar o sono e o cansaço. já eram mais de 12 horas entre estrada e espera. paramos por aí no limite entre San Juan e La Rioja, em algum povoado cujo nome eu não cheguei a descobrir (e olho no mapa e não há nada). Luís se meteu na cama pra dormir e eu e Fernando nos acomodamos como pudemos nos bancos da frente (porque a gente podia dormir direito depois).

consegui dormir umas duas horas. acordei com o dia clareando e fui caçar um banheiro. por sorte o posto de gasolina do outro lado da pista estava aberto e o banheiro estava bem usável.

um friozinho.

um sono desgraçado.

pouco depois acordou Luís e logo estavamos na estrada outra vez. entramos na província de La Rioja e tocamos em direção à capital, onde foi minha vez de ocupar a parte de trás da cabine e tirar uma sonequinha.

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aí aquele silêncio que precede a despedida.

(ou que sucede o cansaço de vinte horas de estrada.)

era pouco mais de meio-dia quando alcançamos a entrada da cidade de La Rioja. nos despedimos de Luís (capo) e empreendemos a looonga caminhada até a rodoviária (que teoricamente fica na entrada). mas vá andar dez quadras com a mochila nas costas.

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